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Einstein incorpora teste de sangue que rastreia sinais de mais de 50 tipos de câncer

Para o médico que atende pacientes assintomáticos acima de 50 anos, o exame é complemento, não substituto, do rastreamento já recomendado.

Helena RibeiroColunista

· 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Helena Ribeiro. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

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O Hospital Israelita Albert Einstein passou a oferecer no Brasil um teste de detecção precoce multicâncer feito por coleta de sangue. Para o médico que atende pacientes assintomáticos acima de 50 anos, o exame é complemento, não substituto, do rastreamento já recomendado.

O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, incorporou o primeiro teste de detecção precoce multicâncer disponível no Brasil. Desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL, o exame é oferecido pela Gênesis Genomics, joint venture entre o Einstein e o Grupo Fleury, segundo informou o Medicina S/A. Para o médico que atende paciente adulto assintomático, a chegada do teste ao país muda uma pergunta recorrente no consultório: existe algo além de mamografia, colonoscopia e PSA para rastrear câncer antes dos sintomas?

O que o exame mede e por que uma coleta de sangue basta

O teste analisa o DNA livre circulante, fragmentos de material genético que células (inclusive tumorais) liberam na corrente sanguínea quando morrem. A tecnologia da GRAIL procura padrões de metilação, marcações químicas naturais do DNA que variam conforme o tecido de origem. Um padrão de metilação típico de célula hepática, por exemplo, ajuda o algoritmo a apontar não só que existe um sinal suspeito, mas de onde ele provavelmente vem.

Essa segunda informação, a origem provável do sinal, é o que diferencia este teste de um exame de sangue comum. Ela direciona qual exame confirmatório pedir depois, em vez de deixar o paciente numa investigação às cegas por todo o corpo. A fonte descreve o teste como capaz de detectar sinais compartilhados por mais de 50 tipos de câncer, incluindo pâncreas, fígado e ovário, tumores para os quais hoje não existe estratégia de rastreamento populacional.

Para quem o protocolo do Einstein indica o teste, e para quem não

O Einstein desenvolveu um protocolo clínico próprio para a adoção do exame, com acompanhamento longitudinal do paciente. As indicações e contraindicações são claras:

  • Indicado para pacientes assintomáticos com 50 anos ou mais, após avaliação médica
  • Deve ser usado como complemento aos rastreamentos já estabelecidos, nunca em lugar deles
  • Contraindicado para gestantes
  • Contraindicado para pacientes em tratamento ativo contra câncer

O oncologista Fernando Moura, gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein, foi direto sobre o lugar do teste na rotina clínica:

Hoje, o rastreamento de rotina é recomendado para apenas cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. O teste não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes de rastreamento do câncer.

Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein

Isso importa porque o paciente que vê a notícia tende a perguntar se pode trocar a colonoscopia pelo exame de sangue. A resposta, segundo o próprio protocolo do hospital, é não.

O que fazer com um resultado positivo, e com um negativo

Um sinal positivo no teste não é diagnóstico de câncer. Ele indica a necessidade de investigação adicional, direcionada ao órgão apontado como origem provável. Um paciente com sinal sugestivo de origem pancreática, por exemplo, segue para exames de imagem e eventual biópsia tecidual focados nessa hipótese, não para uma varredura genérica do corpo todo.

O resultado negativo também precisa de explicação cuidadosa ao paciente. Ele não descarta câncer presente no momento da coleta nem protege contra um tumor que surja depois. O acompanhamento clínico de rotina, incluindo os rastreamentos já recomendados para a idade e o sexo do paciente, continua do mesmo jeito. É um ponto que vale reforçar na consulta, porque a expectativa leiga costuma ser a de um exame definitivo.

Diferença para o teste genético hereditário que já existe no consultório

Muitos médicos já pedem ou recebem resultado de testes genéticos hereditários, que avaliam predisposição herdada a certos cânceres (como mutações em BRCA1 e BRCA2 para câncer de mama e ovário). O teste multicâncer da GRAIL é outra categoria: ele não olha para o risco futuro herdado dos pais, e sim para alterações moleculares presentes no sangue do paciente no momento da coleta. Um resultado negativo num teste genético hereditário não substitui o rastreamento multicâncer, e vice-versa. São ferramentas complementares, com perguntas diferentes.

O dado é sensível, e o fluxo passa por três instituições

A amostra de sangue do paciente percorre um caminho que envolve o consultório que solicita, o laboratório da Gênesis Genomics (joint venture Einstein e Fleury) e, por trás da análise, a tecnologia proprietária da GRAIL, empresa americana. Material genético é informação sensível, o que exige consentimento específico do paciente e cuidado redobrado com onde essa informação circula e é armazenada.

Na prática, isso significa que o médico que solicita o exame deve se informar, antes de pedir, sobre o termo de consentimento usado pela Gênesis Genomics, se há previsão de transferência internacional de dados para processamento pela GRAIL nos Estados Unidos e qual é a política de retenção da amostra e do resultado. Nenhum desses pontos aparece detalhado no material divulgado pelo hospital, e é informação que vale confirmar diretamente com o laboratório antes de indicar o teste a um paciente.

O que ainda fica em aberto

O material divulgado pelo Einstein não traz preço do exame, prazo de resultado nem cobertura por planos de saúde ou SUS. Também não há, na fonte, menção a uma posição específica do Conselho Federal de Medicina sobre o uso desse tipo de teste multicâncer no país, o que significa que o médico que for indicá-lo hoje opera dentro do protocolo do próprio hospital, sem uma diretriz nacional de categoria publicada até o momento.

O cenário em que o teste se insere é de pressão crescente sobre detecção precoce: o Instituto Nacional de Câncer projeta 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028. O diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, Nam Jin Kim, resume o racional clínico por trás da aposta:

Quanto mais cedo um tumor é identificado, maiores tendem a ser as chances de tratamento, controle e até cura da doença, por isso a biópsia líquida para detecção precoce é tão promissora.

Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein

Para o médico de consultório, o recado prático por enquanto é mais estreito do que a manchete sugere: o exame existe, tem indicação definida (assintomático, 50 anos ou mais), tem papel complementar claro (não substitui rastreamento estabelecido) e tem um fluxo de dado sensível que merece pergunta direta ao laboratório antes da primeira solicitação.

Fonte: Medicina S/A

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Quem escreveuHelena RibeiroColunista

Escreve para quem cuida de gente: médico, dentista, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, veterinário. Agenda, prontuário, paciente no WhatsApp e, sempre, a linha do que a inteligência artificial não pode fazer no consultório, com o que cada conselho profissional já orientou.

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