USP cria protocolo para padronizar aviso de achado suspeito em mamografia
O Instituto de Radiologia do HC-FMUSP criou o protocolo Radnews para orientar radiologistas a comunicar achados suspeitos na mamografia sem deixar margem para dúvida, de forma que o médico assistente receba um laudo claro e possa agir mais rápido.
· 4 min de leitura
Este artigo foi escrito por Helena Ribeiro. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
O Instituto de Radiologia do HC-FMUSP criou o protocolo Radnews para orientar radiologistas a comunicar achados suspeitos na mamografia sem deixar margem para dúvida, de forma que o médico assistente receba um laudo claro e possa agir mais rápido.
Um protocolo pensado para quem só tem uma chance de falar
Outubro é o mês de conscientização sobre o câncer de mama, e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Nesse contexto, pesquisadores do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Inrad-HCFMUSP) publicaram um protocolo batizado de Radnews, voltado a orientar como o radiologista comunica um achado suspeito logo depois da mamografia. O trabalho saiu em artigo na RadioGraphics, revista científica da Radiological Society of North America (RSNA), segundo reportagem do Medicina S/A.
A radiologista Natália Ceccaroni Orthmann, uma das autoras do protocolo, explica que a parte difícil não é achar a alteração na imagem, é dizer isso para quem está esperando o resultado.
Quando a paciente vem até nós para fazer os exames, a nossa intenção é entender o que está acontecendo naquele contexto e enunciar do melhor jeito possível, trazendo tanto os achados benignos e os suspeitos. Quando a gente chega nesse momento dos suspeitos, é a hora que a gente tem um pouquinho mais de dificuldade.
(autora) Natália Ceccaroni Orthmann, radiologista do Inrad-HCFMUSP
Por que o protocolo usado em oncologia não serve para o radiologista
A medicina já tem um protocolo consagrado para notícia difícil, o Spikes, usado sobretudo em oncologia. Ele pressupõe uma relação construída ao longo de várias consultas entre médico e paciente, tempo suficiente para formar vínculo antes de entregar um resultado ruim. O radiologista não tem esse tempo: ele entra na jornada da paciente numa única etapa, descreve o achado no laudo e devolve a condução do caso para o médico que pediu o exame. O Radnews nasceu dessa lacuna, pensado para quem fala uma vez só e precisa que a mensagem saia sem ambiguidade, mesmo para quem não é da área da saúde.
Natália resume o raciocínio por trás da criação do protocolo.
A gente criou pensando na facilitação do radiologista para a comunicação de uma notícia difícil, que é um achado suspeito, porque nem sempre tudo que a gente acha na mama é um câncer. Muitas vezes são lesões benignas ou com alguma coisinha diferente, que é a atipia, e, a partir dali, às vezes é necessária uma investigação. Mas todo paciente fica ansioso para saber.
(autora) Natália Ceccaroni Orthmann, radiologista do Inrad-HCFMUSP
Onde entra o tempo de resposta depois do laudo
A reportagem não traz um prazo numérico, mas a lógica do protocolo aponta nessa direção: quanto menos dúvida o laudo deixa, menos tempo o médico assistente perde ligando para o radiologista pedir esclarecimento antes de decidir o próximo passo. O Radnews padroniza o vocabulário do aviso para que quem recebe o resultado, seja o ginecologista, o mastologista ou o clínico, saiba de imediato o grau de suspeita descrito e o que ela costuma exigir em seguida. Depois de um achado suspeito, o fluxo mais comum passa por:
- nova incidência de mamografia ou ultrassonografia complementar, para delimitar melhor a área
- ressonância magnética, quando a imagem inicial não é conclusiva
- biópsia ou punção, procedimentos minimamente invasivos que coletam célula ou tecido para confirmar ou descartar o achado
Quanto mais claro o laudo inicial, menos essa sequência depende de uma segunda conversa entre os dois médicos só para tirar dúvida de redação.
O exame como documento clínico e o cuidado com o canal de aviso
Natália também destaca que os exames de imagem funcionam como documento da paciente, útil para comparar o que mudou de um ano para outro e diferenciar alteração suspeita de envelhecimento normal do tecido mamário. Esse histórico tem valor clínico justamente por isso: guardá-lo bem e saber consultá-lo depois é parte do cuidado que o protocolo tenta não quebrar.
Isso tem consequência prática para quem usa grupo de WhatsApp ou aplicativo de mensagem para avisar paciente de resultado. Um achado suspeito é informação sensível da paciente, e fazer esse tipo de dado circular fora do prontuário ou do canal formal da clínica é uma escolha que cada serviço de saúde precisa pesar, mesmo que seja mais rápido escrever num chat pessoal. O protocolo Radnews resolve a clareza da mensagem, não o canal por onde ela passa, e essa segunda decisão continua sendo de cada serviço.
O que entra para a IA e o que continua sendo do radiologista
Ferramentas de IA generativa já ajudam radiologista e médico assistente em tarefas de apoio: transcrever laudo ditado, sugerir estrutura de texto, lembrar a paciente da data de retorno por mensagem automática. Nenhuma dessas tarefas substitui o momento descrito pelo protocolo Radnews, que é o instante em que um profissional formado em medicina escolhe as palavras para dizer que um achado precisa de mais investigação. Delegar a redação técnica do laudo para um sistema é uma coisa, delegar a notícia difícil para a paciente é outra, e nenhum protocolo de comunicação médica hoje recomenda a segunda.
Para Natália, o cuidado não termina quando a paciente sai da sala de exame. O diagnóstico começa ali, mas a orientação sobre os próximos passos, segundo ela, é parte do mesmo trabalho, não um complemento opcional.
Fonte: Medicina S/A

Escreve para quem cuida de gente: médico, dentista, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, veterinário. Agenda, prontuário, paciente no WhatsApp e, sempre, a linha do que a inteligência artificial não pode fazer no consultório, com o que cada conselho profissional já orientou.