Presidente critica avanço de tecnologias sem regras e cobra transparência e responsabilidade das empresas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a criação de regras internacionais para as Big Techs e o desenvolvimento da inteligência artificial.
Lula afirmou que a revolução tecnológica oferece oportunidades, mas também apresenta riscos que precisam ser enfrentados pelos governos e por organismos multilaterais. Segundo ele, deixar de regulamentar as grandes plataformas digitais e os sistemas de IA seria uma omissão diante das mudanças provocadas por essas tecnologias.
O presidente criticou a concentração de poder econômico e tecnológico nas mãos de poucas empresas. Ele também afirmou que parte do setor busca ampliar sua influência sem regras claras, transparência ou mecanismos adequados de responsabilização.
Na avaliação de Lula, a disputa pelo desenvolvimento da inteligência artificial ocorre em ritmo acelerado e sem limites éticos suficientes. O presidente defendeu que o avanço da tecnologia seja acompanhado por estruturas internacionais de supervisão, com participação da ONU e de especialistas independentes.
O brasileiro também responsabilizou as empresas pelos impactos de seus produtos. Segundo ele, plataformas que conhecem os riscos associados aos algoritmos não podem transferir exclusivamente às famílias a tarefa de proteger crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis.
Lula citou medidas adotadas pelo Brasil para ampliar a proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital. O presidente afirmou ainda que o país pretende garantir remuneração adequada a artistas, músicos e produtores de conteúdo cujas obras sejam utilizadas por plataformas e sistemas tecnológicos.
Outro ponto abordado foi a atuação das empresas de apostas on-line. Lula relacionou a expansão das bets ao endividamento e a problemas enfrentados pelas famílias brasileiras, além de afirmar que o governo não aceitará modelos de negócio baseados na exploração do vício.
Ao levar o debate à Assembleia Geral, Lula associou a regulamentação tecnológica à defesa da soberania dos países. A posição apresentada pelo presidente é de que decisões sobre inteligência artificial, plataformas digitais e infraestrutura tecnológica não devem ficar concentradas apenas nas empresas ou nas principais potências econômicas.
O discurso ocorre em meio à ampliação das discussões internacionais sobre padrões comuns para a inteligência artificial. A ONU e governos de diferentes países avaliam mecanismos para controlar riscos, estabelecer responsabilidades e evitar que a disputa tecnológica avance sem coordenação internacional.




