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OpenAI atrasa o sucessor da Astra, mas promete outros modelos até o fim de 2026

Funcionários dizem que a OpenAI deve lançar um ou dois modelos novos até o fim de 2026, mas o sucessor da Astra ainda enfrenta testes de alinhamento e segurança.

Redação AI BrasilRedação

· 6 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

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O que já é certo: pelo menos um modelo novo até dezembro

Funcionários da OpenAI disseram ao site The Information que a empresa deve lançar "um ou dois modelos novos" antes do fim de 2026. A informação foi publicada pelo The Decoder em 14 de outubro de 2026, citando fontes ouvidas pelo The Information. Não está claro se o modelo principal atualizado, sucessor do atual modelo de topo da empresa, a Astra, estará entre eles.

Para quem decide qual IA usar em produção, essa incerteza importa mais do que parece: planejar uma migração para um modelo sem data de lançamento é arriscado, e os lançamentos menores no meio do caminho podem ser a única atualização real disponível neste ciclo.

Por que o modelo principal ainda não saiu

Segundo a reportagem, o novo modelo principal da OpenAI precisa passar por trabalho de alinhamento: o processo de garantir que os objetivos do modelo correspondam ao que pesquisadores e clientes da empresa esperam dele. A empresa também está reforçando a infraestrutura de testes usada para avaliar o modelo antes de liberá-lo.

Depois disso, existe outra barreira, essa regulatória. Uma ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre avaliação de sistemas avançados de IA obriga a OpenAI a dar ao governo americano acesso a modelos novos até 30 dias antes de parceiros externos, e um prazo ainda maior antes do lançamento ao público.

Na prática, isso significa que, mesmo quando o modelo passar nos testes internos, o cronograma de lançamento não depende só da OpenAI.

O truque técnico por trás da demora: transformers em loop

O próximo modelo principal usa a mesma técnica da Astra, chamada de "looped transformers" ou, no nome interno da OpenAI, "Recurrent Depth" (profundidade recorrente). Em vez de passar um token pelas camadas do transformer uma única vez, o modelo repete essa passagem várias vezes pelas mesmas camadas antes de gerar a próxima palavra.

O ganho é real: a técnica melhora o desempenho em matemática e programação e reduz custo, porque um modelo menor consegue render como um maior. O problema é que parte do "raciocínio" do modelo deixa de aparecer como texto legível e passa a existir só como representações numéricas internas, que ninguém consegue ler.

Como a Microsoft vazou sem querer o funcionamento do GPT-6.1 Sol

O detalhe técnico sobre a implementação veio de um deslize da própria Microsoft, investidora da OpenAI com acesso à propriedade intelectual da empresa. Em uma publicação técnica sobre o GPT-6.1 Sol, modelo mais barato lançado no início de outubro de 2026 como alternativa à Astra, a Microsoft descreveu o uso de "looping inference" (inferência em loop), em que o modelo processa o mesmo problema em várias "passagens" antes de responder.

Numa seção que depois foi apagada, a Microsoft chegou a detalhar a diferença entre as duas versões do Sol:

ModeloPassagens de inferênciaPesos
GPT-6 Sol3base original
GPT-6.1 Sol2mesmos pesos do GPT-6 Sol

Uma fonte com conhecimento direto do assunto confirmou ao The Information que o texto batia com o que a OpenAI havia informado à Microsoft em particular. A Microsoft removeu a seção assim que percebeu que ela não deveria ser pública.

Para quem compara custo e latência entre modelos da própria OpenAI, esse dado é incomum de se ter de forma tão explícita: normalmente esse tipo de detalhe de arquitetura não é divulgado.

O trade-off que preocupa o próprio time de segurança da OpenAI

O uso de loops dificulta o que a área de segurança chama de monitoramento da cadeia de pensamento (chain-of-thought monitoring): a prática de examinar o raciocínio escrito por um modelo para identificar comportamento indesejado antes que ele chegue à resposta final. Quando parte do raciocínio vira números internos ilegíveis, esse exame fica mais difícil de fazer.

A própria OpenAI limitou deliberadamente quantos loops a Astra executa, justamente para manter a cadeia de pensamento legível, segundo o The Information. O cientista-chefe da empresa, Jakub Pachocki, já havia alertado sobre o problema:

O monitoramento da cadeia de pensamento está ficando frágil e, infelizmente, seguindo numa direção negativa.

chain-of-thought monitoring is growing "fragile" and "unfortunately trending in a negative direction"Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI

Pachocki também alertou contra uma corrida do setor inteiro rumo a modelos sem raciocínio legível, um risco que vale para qualquer empresa construindo sobre LLMs (modelos de linguagem de grande porte) de terceiros, não só sobre os da OpenAI.

Quanto a OpenAI está gastando para não perder o controle

Depois de um incidente envolvendo o Hugging Face (plataforma de hospedagem de modelos de IA), a OpenAI realocou cerca de 10% de toda a sua capacidade de computação para alinhamento e segurança, segundo uma fonte citada pelo The Information. Isso equivale a centenas de megawatts de capacidade de data center, o que custaria bilhões de dólares por ano para alugar a preço de mercado.

Não está claro quanto desse orçamento já era destinado à segurança antes do incidente. Em um podcast de meados de setembro de 2026, o pesquisador de IA Noam Brown disse que cerca de 10% da sua equipe também trabalha com segurança, um número parecido com o da realocação de computação da empresa.

O que isso muda para quem escolhe modelo agora

Para times que constroem produtos com modelos da OpenAI, o recado prático é direto: não espere o sucessor da Astra ainda em 2026. Os lançamentos previstos até o fim do ano devem ser modelos intermediários, como o próprio GPT-6.1 Sol, pensados para reduzir custo e latência, não para entregar o salto de capacidade do modelo principal.

Isso tem efeito concreto em arquitetura de agente: se o seu pipeline depende de revisar a cadeia de pensamento do modelo para detectar erros ou comportamento indevido antes de uma ação irreversível, vale testar se o modelo escolhido ainda expõe esse raciocínio de forma legível, ou se já usa loops agressivos o bastante para escondê-lo. A OpenAI diz manter esse controle na Astra por enquanto. O que vale para o próximo modelo principal ainda não foi definido publicamente.

O que ainda está em aberto

  • Se o sucessor da Astra está entre os "um ou dois modelos" prometidos para 2026 ou só chega em 2027.
  • Quantos loops o próximo modelo principal vai executar e se isso compromete ainda mais o monitoramento de cadeia de pensamento.
  • Qual fatia da computação da OpenAI era destinada à segurança antes do incidente com o Hugging Face, já que a fonte só confirma o novo patamar de 10%.

Esses detalhes só devem ficar mais claros quando a OpenAI publicar a documentação técnica oficial do próximo modelo, como fez, mesmo que por acidente, com o GPT-6.1 Sol.

Fonte: The Decoder

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