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Google testa provador virtual e compra automática no modo IA da busca

Desde maio de 2025, nos Estados Unidos, o Google deixa o cliente provar roupa a partir da própria foto e comprar direto pelo modo IA da busca, com um agente completando o checkout. O que muda de verdade é a ficha de produto que alimenta essa resposta, e quem responde se o agente errar no pedido.

Débora NunesColunista

· 6 min de leitura

Este artigo foi escrito por Débora Nunes. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

O que o Google colocou no ar, e desde quando

No dia 20 de maio de 2025, durante o Google I/O, a empresa apresentou uma experiência de compras dentro do modo IA da busca (o AI Mode, que no Brasil aparece como modo IA). A novidade juntou três peças: um jeito de pesquisar produto com o Gemini, um provador virtual que usa a foto do próprio cliente e um checkout em que o agente do Google completa a compra sozinho.

Mais de um ano depois, o recurso segue restrito aos Estados Unidos e ao Search Labs, o programa de testes do Google para funções experimentais. Não há data anunciada para o Brasil. Isso não tira a urgência do tema: o catálogo que alimenta essa experiência é o mesmo que já abastece o Google Shopping e os anúncios de produto que a loja brasileira usa hoje.

De onde sai a resposta: o Shopping Graph e a atualização de hora em hora

O motor por trás do modo IA de compras é o Shopping Graph, o banco de dados de produtos do Google. Em maio de 2025 ele reunia mais de 50 bilhões de anúncios de produto, de grandes redes a pequenos negócios, cada um com preço, cor, tamanho, avaliação e disponibilidade. O Google afirma atualizar mais de 2 bilhões desses anúncios por hora.

Quando o cliente pede, por exemplo, uma bolsa de viagem para um passeio em maio em Portland, no estado americano do Oregon, o sistema não faz uma busca só. Ele dispara várias buscas em paralelo (o Google chama isso de query fan-out) para entender o que define uma bolsa boa para chuva e viagem longa, e então cruza esse critério com o estoque disponível no Shopping Graph. O resultado aparece num painel que se atualiza conforme a conversa avança.

Na prática, a loja só entra nessa resposta se o cadastro de produto estiver completo e atualizado com a frequência que o Google espera: preço correto, variação de cor e tamanho declarada, estoque refletindo a realidade da loja. Cadastro desatualizado some da conversa antes mesmo de competir.

O provador virtual funciona com a foto do cliente, não com a imagem do produto isolada

O recurso de prova virtual deixa o cliente subir uma foto de corpo inteiro e ver como uma peça (camisa, calça, saia ou vestido) fica nele. Por trás, roda um modelo de geração de imagem treinado especificamente para moda, que entende como cada tecido dobra, estica e cai sobre corpos diferentes, e tenta preservar esse comportamento ao aplicar a roupa na pose da foto enviada.

Isso muda o que vale como boa imagem de produto. Uma foto de still, só a peça sobre fundo branco, dá menos informação ao modelo do que uma foto vestida, com caimento visível. Quem cuida da vitrine digital da loja vai precisar pensar as fotos de catálogo como insumo para um sistema de geração de imagem, não só como imagem para o olho humano.

Foi incrível ver como a IA está nos levando a uma nova fase de compras na busca, em que você pode de fato perguntar, e comprar, qualquer coisa.

It's been incredible to see how AI is taking us into a new phase of shopping in Search, where you can truly ask — and shop for — anything.Lilian Rincon, vice-presidente de gestão de produto do Google

Rastrear preço e deixar o agente comprar por você

A segunda peça é o checkout automático. O cliente toca em "rastrear preço" num anúncio de produto, escolhe tamanho e cor e define o valor que está disposto a pagar. Quando o preço cai até esse ponto, o Google avisa e o cliente confirma com um toque em "compre por mim". A partir daí, o próprio Google adiciona o item ao carrinho no site do lojista e finaliza a compra usando o Google Pay, sem o cliente abrir o site.

EtapaQuem ageO que a loja precisa garantir
Rastrear preçoCliente define tamanho, cor e teto de preçoPreço e variação sempre corretos no feed
Aviso de quedaGoogle monitora o anúncioEstoque refletindo a realidade no momento do aviso
Compre por mimAgente do Google finaliza no site do lojistaCheckout compatível com preenchimento automatizado e pagamento via Google Pay

Essa automação retira o lojista do momento em que o cliente decide comprar. Quem hoje usa esse instante para oferecer frete grátis, cupom ou upsell perde esse gancho quando quem fecha o pedido é o agente.

A regra do consumidor não muda só porque quem compra é um agente

Comprar sozinho não tira direito nenhum do cliente. O Código de Defesa do Consumidor continua valendo inteiro numa compra fechada por agente: direito de arrependimento em até 7 dias por ser compra fora do estabelecimento físico, troca e devolução nas mesmas condições de uma compra feita manualmente, e um canal de atendimento humano acessível se algo sair errado no pedido que o agente fechou.

Isso cria um ponto cego que a loja precisa resolver antes de depender dessa venda: se o agente errou o tamanho ou a cor porque leu mal o cadastro, quem responde é o lojista, não o Google. Vale manter registro de cada pedido fechado por agente (horário, item, preço confirmado) para sustentar qualquer troca ou reclamação depois.

A foto do cliente também é dado pessoal, e isso não é problema só do Google

O provador virtual processa a imagem de corpo do cliente para gerar a simulação da roupa. Do lado do Google, isso é dado pessoal tratado sob a base legal que a empresa declarar nos termos do produto. Do lado da loja, o ponto de atenção é outro: as fotos de catálogo que ela sobe para o feed de produto passam a alimentar um gerador de imagem de terceiro, aplicadas sobre a foto de outra pessoa.

Antes de contar com esse canal, vale a loja checar os termos do Merchant Center sobre uso de imagem de produto em recursos gerados por IA, e decidir, peça por peça, se aquela foto específica (de uma coleção autoral, por exemplo) deve entrar nesse fluxo ou ficar de fora do feed.

O que testar agora, mesmo sem data para o Brasil

O recurso em si só roda nos Estados Unidos, mas o cadastro que o sustenta é o mesmo que já vale para qualquer anúncio de produto do Google hoje, inclusive no Brasil. Três coisas dá para revisar já:

  1. Completar cor, tamanho e disponibilidade em cada anúncio do Merchant Center, porque é esse campo que decide se o produto aparece numa resposta de IA.
  2. Trocar ou complementar fotos só de still por fotos vestidas, com caimento visível, pensando em qualquer recurso futuro de prova virtual.
  3. Definir, por escrito, o fluxo de atendimento e registro para um pedido que chegar fechado (seja por agente do Google, seja por qualquer assistente de compra), com prazo de resposta humano claro.

O número a acompanhar não é de conversão, porque o Brasil ainda não tem o recurso. É a taxa de completude do feed de produto no Merchant Center: quanto mais campos obrigatórios e opcionais preenchidos, maior a chance de a loja já estar pronta quando esse tipo de compra chegar por aqui.

Fonte: Google: Shopping no modo IA e provador virtual (I/O 2025)

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Quem escreveuDébora NunesColunista

Especialista virtual de IA para quem vende em escala: gerente de loja e de rede, comprador, time de e-commerce, CRM e atendimento, dono de varejo regional. É dona da frente AI para Varejo. Escreve o artigo que traduz a IA em operação de loja: estoque e reposição, preço, atendimento, troca e devolução, a vitrine que agora também é lida por um agente de IA, e o que o Código de Defesa do Consumidor continua cobrando quando quem atende é uma máquina.

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