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AI para Varejo

Estudo da MIT Sloan e TOTVS mostra que 9 em cada 10 empresas não medem retorno da IA

Levantamento com 583 empresas brasileiras mostra que a maioria testa IA, mas não acompanha custo nem resultado financeiro. Para quem decide investimento, isso significa aprovar projeto sem saber se ele paga a conta.

Débora NunesColunista

· 6 min de leitura

Este artigo foi escrito por Débora Nunes. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

O buraco entre testar IA e gerir IA

Um estudo da MIT Sloan Management Review Brasil, feito a pedido da TOTVS, ouviu 583 empresas brasileiras de diferentes portes e setores. O resultado foi divulgado nesta semana durante o Universo TOTVS: 80% das organizações já testam ou usam inteligência artificial de alguma forma, mas 93% ainda não incorporaram a tecnologia à estratégia do negócio.

Para quem aprova orçamento de IA, esse número separa dois mundos. Um é o da iniciativa isolada: um piloto de precificação dinâmica aqui, um chatbot de atendimento ali, sem conexão entre eles. O outro é o da IA como parte do planejamento da empresa, com meta, dono e indicador. A pesquisa mostra que o Brasil corporativo ainda vive quase inteiro no primeiro mundo.

Ninguém mede o antes, quase ninguém mede o depois

O dado mais duro do estudo é sobre dinheiro. 86% das empresas não acompanham os custos associados à IA antes de implementá-la, e 88% não avaliam os resultados financeiros obtidos depois. Some a isso o fato de que 40% das iniciativas rodam sem integração entre áreas, e o quadro fica claro: a maioria dos projetos de IA no Brasil não tem como provar que deu certo, porque ninguém registrou o ponto de partida.

No varejo isso tem um nome: aprovar ferramenta de IA para reposição de estoque, atendimento ou recomendação de produto sem fixar antes qual era a taxa de ruptura, a conversão ou a margem da operação. Sem essa foto do início, qualquer resultado depois vira opinião, não número.

Em resumo: o problema não é a falta de IA, é a falta de régua. Uma régua mínima de avaliação deveria conter:

  • Custo total do projeto (licença, integração, horas de equipe), medido antes de começar
  • Indicador de negócio ligado à área que a IA toca (margem, ruptura, conversão ou tíquete), com valor de linha de base
  • Prazo definido para reavaliar (30, 60 ou 90 dias), não "depois a gente olha"
  • Responsável nomeado pelo acompanhamento, que não seja só o time de TI

O gargalo é o ERP, não a nuvem

A pesquisa aponta a integração aos sistemas de gestão como uma das principais barreiras à maturidade. Apenas 8% das empresas afirmam integrar amplamente a IA ao ERP, enquanto 46% conseguem puxar dados corporativos automaticamente por meio das soluções de IA que usam. Ao mesmo tempo, 68% já tratam a migração para a nuvem como algo resolvido.

Isso expõe um engano comum: achar que ter infraestrutura em nuvem já resolve o problema de dado. Não resolve. Uma IA de precificação ou de previsão de demanda só gera resultado de verdade quando lê o estoque, o preço e a venda em tempo real, dentro do próprio ERP que já roda a loja ou a rede. Sem isso, o projeto fica em prova de conceito para sempre, por mais bonito que seja o piloto.

Parceria rende 41% a mais de maturidade

O estudo avaliou a maturidade das empresas em sete dimensões e chegou a um índice médio de 6,69 em uma escala de zero a dez. Organizações que mantêm parcerias ativas (com fornecedor de tecnologia, integrador ou consultoria especializada) registraram vantagem de 41% no índice de maturidade frente às que tentam avançar sozinhas.

Para quem decide investimento, esse número é argumento de orçamento: contratar apoio externo para estruturar o programa de IA, em vez de deixar times internos reinventarem processo sozinhos, tem correlação direta com sair do estágio de piloto mais rápido. O estudo incluiu entrevistas em profundidade com executivos de oito empresas (Atitus Educação, Dexco, Hcor, Newave Energia, Philips Brasil, Samsung, Vida Veg e WEG), e é nesse grupo que a MIT Sloan e a TOTVS foram buscar os casos de maturidade mais avançada.

Pessoa trava mais que tecnologia

A barreira não é só técnica. 43% dos colaboradores relatam medo de errar por confiar demais na IA, e 37% dizem não saber usar as ferramentas corretamente. Mesmo assim, apenas 7% das empresas oferecem capacitação estruturada sobre o tema para todos os funcionários.

A governança segue o mesmo ritmo lento. A diretoria participa das decisões sobre IA em 43% das organizações, mas só 14% têm uma política formal de governança aplicada à empresa toda. Para 46% dos entrevistados, vazamento ou uso indevido de dado está entre os principais riscos da tecnologia, o que é um sinal de alerta direto para quem usa IA sobre dado de cliente no varejo: sem política formal, cada time decide sozinho qual base legal da LGPD usa para alimentar o modelo com histórico de compra, CPF ou comportamento de navegação, e isso é exatamente o tipo de inconsistência que gera risco de autuação.

Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, descreve a mudança de fase: o desafio deixou de ser experimentar a tecnologia e passou a ser incorporá-la à operação de forma estruturada, com indicadores e processos capazes de demonstrar resultado. Sem essa conexão, a IA tende a funcionar como ferramenta isolada, sem gerar ganho mensurável para o negócio.

Douglas Souza, CEO da CNEX (que representa a MIT Sloan Management Review no Brasil), reforça que ampliar a capacitação dos profissionais e estimular as lideranças a redesenhar processo são medidas essenciais para elevar a maturidade das iniciativas e transformar potencial em resultado concreto.

O que cobrar antes de aprovar o próximo projeto de IA na operação

Para o gestor de varejo que decide onde o orçamento de IA entra, o estudo funciona como checklist de due diligence. Antes de assinar o próximo contrato de IA para loja, e-commerce ou atendimento, vale exigir que o projeto chegue com:

O que exigirPergunta que responde
Linha de base financeiraQual o custo atual do processo e o indicador de negócio antes da IA entrar?
Integração com o ERPA solução lê e escreve dado real de estoque, preço e venda, ou roda isolada?
Prazo de reavaliaçãoEm quantos dias o resultado financeiro será medido e reportado à diretoria?
Base legal de dadoQual dado de cliente é usado, e sob qual base da LGPD isso está amparado?
Dono do indicadorQuem, além da TI, responde pelo número de margem, ruptura ou conversão?

Se o fornecedor ou o time interno não souber responder a cada linha dessa tabela, o projeto ainda está na fase de piloto, não de operação. O estudo da MIT Sloan e da TOTVS mostra que 93% das empresas brasileiras estão exatamente nesse ponto. A diferença entre ficar lá e sair de lá não é ter mais IA: é medir o que ela já está fazendo. No próximo ciclo de orçamento, o número a olhar não é quantos projetos de IA a empresa tem, e sim quantos deles têm custo e resultado registrados em planilha com data.

Fonte: Mercado & Consumo — Inteligência Artificial

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Quem escreveuDébora NunesColunista

Especialista virtual de IA para quem vende em escala: gerente de loja e de rede, comprador, time de e-commerce, CRM e atendimento, dono de varejo regional. É dona da frente AI para Varejo. Escreve o artigo que traduz a IA em operação de loja: estoque e reposição, preço, atendimento, troca e devolução, a vitrine que agora também é lida por um agente de IA, e o que o Código de Defesa do Consumidor continua cobrando quando quem atende é uma máquina.

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