AstraZeneca e Oracle usam IA para tentar antecipar diagnósticos em ensaios clínicos
A farmacêutica fechou parceria com a Oracle para aplicar inteligência artificial a dados de ensaios clínicos. O piloto começa em Abu Dhabi, mas o médico brasileiro já pode se perguntar o que disso chega aqui e sob quais regras.
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Este artigo foi escrito por Helena Ribeiro. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
A farmacêutica AstraZeneca anunciou nesta terça-feira (20/10) uma parceria com a Oracle para aplicar inteligência artificial em ensaios clínicos e no acompanhamento de pacientes. A informação é do Times Brasil, parceiro exclusivo da CNBC no país, que entrevistou o CEO da companhia, Pascal Soriot.
O primeiro programa sai do papel em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em parceria com a M42, empresa local de tecnologia em saúde. Não há ainda data de chegada ao Brasil nem a outros mercados: Soriot descreveu o acordo como uma estrutura inicial de colaboração, sem valores financeiros definidos.
Este é um acordo guarda-chuva que define como vamos trabalhar juntos. As dimensões comerciais ou econômicas virão com o tempo, através de parcerias práticas e exemplos práticos.
Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, em entrevista à CNBC
O que a IA faria dentro de um ensaio clínico
Segundo Soriot, a inteligência artificial pode atuar em três frentes dentro da pesquisa clínica: acelerar a condução dos próprios ensaios, antecipar diagnósticos a partir de padrões em grandes volumes de dados e melhorar a adesão do paciente ao tratamento. Na prática, isso significa treinar sistemas para encontrar, em exames, laudos e históricos anonimizados, sinais de doença que normalmente só aparecem quando o quadro já está mais avançado.
Há um impacto enorme que ela também pode ter na forma como conduzimos os ensaios clínicos.
Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, em entrevista à CNBC
O executivo foi direto sobre a condição para isso funcionar: dado. Sem acesso a uma base ampla de informações clínicas, o modelo de IA não tem o que aprender.
A inteligência artificial só é eficaz se você puder aplicá-la a dados. Então você precisa ter acesso a esses dados.
Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, em entrevista à CNBC
A Oracle entra justamente como a empresa que guarda e organiza esses dados de saúde em grande escala. É esse cruzamento, modelo de IA mais infraestrutura de dados clínicos, que sustenta a promessa de diagnóstico mais rápido.
Por que isso ainda não bate à porta do consultório brasileiro
Vale separar o anúncio do que ele muda hoje para quem atende paciente no Brasil: nada, por enquanto. O piloto roda em Abu Dhabi, com a M42, dentro de um sistema de saúde e de um arcabouço regulatório diferentes do brasileiro. A própria AstraZeneca trata o acordo como guarda-chuva, sem cronograma de expansão nem projeto específico anunciado para o país.
Ainda assim, o caminho que ferramentas assim precisariam percorrer aqui já está desenhado em lei:
- Qualquer software que apoie diagnóstico ou conduta terapêutica e seja comercializado no Brasil passa pelo registro de dispositivo médico na Anvisa, o que inclui sistemas baseados em IA quando usados com essa finalidade clínica.
- Dado de paciente é dado sensível de saúde sob a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018, LGPD), e seu tratamento por terceiros (inclusive para treinar modelo de IA) exige base legal específica, normalmente consentimento explícito ou proteção à vida, nunca o simples interesse comercial da empresa de tecnologia.
- O Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda não publicou resolução específica sobre diagnóstico assistido por IA. O que vale hoje é o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018, com emenda pela Resolução CFM nº 2.238/2019) e a resolução que trata de telemedicina (Resolução CFM nº 2.314/2022), que já tratam a responsabilidade do ato médico como indelegável a sistema algum.
Em outras palavras: mesmo que uma ferramenta como essa amadureça e chegue ao mercado brasileiro, a decisão diagnóstica continua sendo do médico, com o algoritmo entrando como apoio, não como substituto do julgamento clínico.
O que já dá para fazer hoje, com os pés no chão
Enquanto parcerias como essa não viram produto disponível aqui, o uso responsável de IA no consultório brasileiro já tem espaço real, desde que o médico saiba onde fica a linha.
Pode, com cuidado: usar IA para transcrever consulta e gerar rascunho de prontuário (desde que o sistema rode em servidor com contrato de confidencialidade e o paciente seja informado), usar triagem de sintomas como apoio administrativo para organizar fila de atendimento, e usar IA para buscar literatura médica atualizada sobre um caso.
Não pode: enviar dado identificado de paciente (nome, CPF, imagem de exame com nome visível) para ferramenta de IA genérica sem contrato de proteção de dados, deixar que o sistema emita o diagnóstico final sem revisão médica, e tratar sugestão de IA como se fosse laudo assinado por especialista.
O que ficar de olho daqui para frente
O acordo entre AstraZeneca e Oracle é um sinal de para onde a indústria farmacêutica está olhando: dado clínico em escala, cruzado por IA, para encurtar o tempo entre sintoma e diagnóstico.
Para o médico brasileiro, o ponto prático de atenção não é o anúncio em si, mas o que vier depois dele: se a AstraZeneca anunciar programa específico para o Brasil, a primeira pergunta a fazer é quem é o controlador dos dados dos seus pacientes dentro desse programa, com que base legal da LGPD e sob qual registro na Anvisa. Sem essas três respostas, participar de qualquer piloto desse tipo expõe o consultório a risco que vai muito além da tecnologia em si.
Fonte: timesbrasil.com.br

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