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AstraZeneca e Oracle usam IA para tentar antecipar diagnósticos em ensaios clínicos

A farmacêutica fechou parceria com a Oracle para aplicar inteligência artificial a dados de ensaios clínicos. O piloto começa em Abu Dhabi, mas o médico brasileiro já pode se perguntar o que disso chega aqui e sob quais regras.

Helena RibeiroColunista

· 4 min de leitura

Este artigo foi escrito por Helena Ribeiro. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

A farmacêutica AstraZeneca anunciou nesta terça-feira (20/10) uma parceria com a Oracle para aplicar inteligência artificial em ensaios clínicos e no acompanhamento de pacientes. A informação é do Times Brasil, parceiro exclusivo da CNBC no país, que entrevistou o CEO da companhia, Pascal Soriot.

O primeiro programa sai do papel em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em parceria com a M42, empresa local de tecnologia em saúde. Não há ainda data de chegada ao Brasil nem a outros mercados: Soriot descreveu o acordo como uma estrutura inicial de colaboração, sem valores financeiros definidos.

Este é um acordo guarda-chuva que define como vamos trabalhar juntos. As dimensões comerciais ou econômicas virão com o tempo, através de parcerias práticas e exemplos práticos.

Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, em entrevista à CNBC

O que a IA faria dentro de um ensaio clínico

Segundo Soriot, a inteligência artificial pode atuar em três frentes dentro da pesquisa clínica: acelerar a condução dos próprios ensaios, antecipar diagnósticos a partir de padrões em grandes volumes de dados e melhorar a adesão do paciente ao tratamento. Na prática, isso significa treinar sistemas para encontrar, em exames, laudos e históricos anonimizados, sinais de doença que normalmente só aparecem quando o quadro já está mais avançado.

Há um impacto enorme que ela também pode ter na forma como conduzimos os ensaios clínicos.

Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, em entrevista à CNBC

O executivo foi direto sobre a condição para isso funcionar: dado. Sem acesso a uma base ampla de informações clínicas, o modelo de IA não tem o que aprender.

A inteligência artificial só é eficaz se você puder aplicá-la a dados. Então você precisa ter acesso a esses dados.

Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, em entrevista à CNBC

A Oracle entra justamente como a empresa que guarda e organiza esses dados de saúde em grande escala. É esse cruzamento, modelo de IA mais infraestrutura de dados clínicos, que sustenta a promessa de diagnóstico mais rápido.

Por que isso ainda não bate à porta do consultório brasileiro

Vale separar o anúncio do que ele muda hoje para quem atende paciente no Brasil: nada, por enquanto. O piloto roda em Abu Dhabi, com a M42, dentro de um sistema de saúde e de um arcabouço regulatório diferentes do brasileiro. A própria AstraZeneca trata o acordo como guarda-chuva, sem cronograma de expansão nem projeto específico anunciado para o país.

Ainda assim, o caminho que ferramentas assim precisariam percorrer aqui já está desenhado em lei:

  • Qualquer software que apoie diagnóstico ou conduta terapêutica e seja comercializado no Brasil passa pelo registro de dispositivo médico na Anvisa, o que inclui sistemas baseados em IA quando usados com essa finalidade clínica.
  • Dado de paciente é dado sensível de saúde sob a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018, LGPD), e seu tratamento por terceiros (inclusive para treinar modelo de IA) exige base legal específica, normalmente consentimento explícito ou proteção à vida, nunca o simples interesse comercial da empresa de tecnologia.
  • O Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda não publicou resolução específica sobre diagnóstico assistido por IA. O que vale hoje é o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018, com emenda pela Resolução CFM nº 2.238/2019) e a resolução que trata de telemedicina (Resolução CFM nº 2.314/2022), que já tratam a responsabilidade do ato médico como indelegável a sistema algum.

Em outras palavras: mesmo que uma ferramenta como essa amadureça e chegue ao mercado brasileiro, a decisão diagnóstica continua sendo do médico, com o algoritmo entrando como apoio, não como substituto do julgamento clínico.

O que já dá para fazer hoje, com os pés no chão

Enquanto parcerias como essa não viram produto disponível aqui, o uso responsável de IA no consultório brasileiro já tem espaço real, desde que o médico saiba onde fica a linha.

Pode, com cuidado: usar IA para transcrever consulta e gerar rascunho de prontuário (desde que o sistema rode em servidor com contrato de confidencialidade e o paciente seja informado), usar triagem de sintomas como apoio administrativo para organizar fila de atendimento, e usar IA para buscar literatura médica atualizada sobre um caso.

Não pode: enviar dado identificado de paciente (nome, CPF, imagem de exame com nome visível) para ferramenta de IA genérica sem contrato de proteção de dados, deixar que o sistema emita o diagnóstico final sem revisão médica, e tratar sugestão de IA como se fosse laudo assinado por especialista.

O que ficar de olho daqui para frente

O acordo entre AstraZeneca e Oracle é um sinal de para onde a indústria farmacêutica está olhando: dado clínico em escala, cruzado por IA, para encurtar o tempo entre sintoma e diagnóstico.

Para o médico brasileiro, o ponto prático de atenção não é o anúncio em si, mas o que vier depois dele: se a AstraZeneca anunciar programa específico para o Brasil, a primeira pergunta a fazer é quem é o controlador dos dados dos seus pacientes dentro desse programa, com que base legal da LGPD e sob qual registro na Anvisa. Sem essas três respostas, participar de qualquer piloto desse tipo expõe o consultório a risco que vai muito além da tecnologia em si.

Fonte: timesbrasil.com.br

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Quem escreveuHelena RibeiroColunista

Escreve para quem cuida de gente: médico, dentista, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, veterinário. Agenda, prontuário, paciente no WhatsApp e, sempre, a linha do que a inteligência artificial não pode fazer no consultório, com o que cada conselho profissional já orientou.

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