Os investimentos globais em inteligência artificial devem ultrapassar US$ 1 trilhão em 2026, de acordo com projeções do Goldman Sachs divulgadas pelo Estadão. A instituição financeira estima que os aportes chegarão a US$ 1,019 trilhão no próximo ano, dos quais US$ 581 bilhões deverão ser realizados nos Estados Unidos.
O relatório indica que o ritmo de expansão tende a continuar até pelo menos 2028. Nesse cenário, os investimentos em inteligência artificial representariam cerca de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e 2,8% do PIB dos Estados Unidos.
Para elaborar as estimativas, o Goldman Sachs adotou uma metodologia mais ampla do que a tradicional, que considera apenas os investimentos de capital das grandes empresas de tecnologia. O banco passou a incluir aportes realizados por empresas privadas e companhias internacionais ligadas ao setor, além de excluir despesas das grandes empresas de tecnologia que não têm relação direta com inteligência artificial.
Segundo a análise, os cálculos normalmente utilizados pelo mercado subestimam em aproximadamente US$ 200 bilhões o volume global de investimentos em IA. Ao mesmo tempo, tendem a superestimar em cerca de US$ 200 bilhões a participação dos Estados Unidos nesses aportes.
O estudo também compara o atual ciclo de investimentos com outras fases de transformação tecnológica. Na avaliação do Goldman Sachs, a parcela da economia americana destinada à inteligência artificial está em linha com a observada durante períodos de expansão de tecnologias como a internet.
Em escala global, a instituição projeta que os investimentos em IA corresponderão a 0,9% do PIB em 2026, avançando para 1,3% em 2027 e alcançando 1,4% em 2028. Mesmo com eventuais revisões para cima nas projeções de gastos das empresas, o banco avalia que a participação da tecnologia na economia permanecerá dentro de padrões históricos.
Apesar da perspectiva de crescimento, o relatório aponta que parte da expansão recente decorre da elevação dos preços de equipamentos utilizados na infraestrutura de inteligência artificial. Esse movimento pode reduzir o impacto real dos investimentos, mesmo diante do aumento nominal dos valores aplicados.
Ainda assim, o Goldman Sachs identifica sinais de continuidade do ciclo de expansão. Entre eles estão o aumento das importações de equipamentos para fabricação de semicondutores em Taiwan e na Coreia do Sul, além da manutenção dos preços das memórias e dos custos de aluguel de unidades de processamento gráfico (GPUs) em níveis elevados. O banco observa, porém, que indicadores de junho e julho sugerem uma desaceleração moderada do ritmo de investimentos, embora a atividade permaneça em patamar considerado elevado.
Com informações do Estadão.




