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Referencial da UNESCO ajuda a planejar a formação de professores em IA por etapas

Publicado em agosto de 2024 e atualizado em janeiro de 2026, o documento da UNESCO organiza o que um professor precisa saber sobre IA em cinco dimensões e três níveis. Para o coordenador, ele serve como diagnóstico antes de montar o curso.

Paula SiqueiraColunista

· 6 min de leitura

Este artigo foi escrito por Paula Siqueira. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

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Publicado em agosto de 2024 e atualizado em janeiro de 2026, o documento da UNESCO organiza o que um professor precisa saber sobre IA em cinco dimensões e três níveis. Para o coordenador, ele serve como diagnóstico antes de montar o curso.

Publicado em agosto de 2024 e atualizado em janeiro de 2026, o documento da UNESCO organiza o que um professor precisa saber sobre IA em cinco dimensões e três níveis. Para o coordenador, ele serve como diagnóstico antes de montar o curso.

O problema que o mapa tenta resolver

Se você coordena uma escola, provavelmente já contratou (ou pensou em contratar) uma formação sobre IA para o corpo docente. O problema é que a maioria desses cursos trata professor como um bloco só: todo mundo assiste à mesma palestra sobre ChatGPT, recebe o mesmo PDF de prompts e volta para a sala sem saber o que fazer diferente na segunda-feira.

A UNESCO identificou esse vazio em 2024: poucos países tinham definido, de forma clara, quais competências em IA um professor precisa dominar. Por isso publicou o AI Competency Framework for Teachers (referencial de competências em IA para professores), disponível desde agosto de 2024 e atualizado em janeiro de 2026. O documento já tem versão em português, ao lado de árabe, bósnio, francês, espanhol, tailandês e vietnamita, o que facilita a leitura direta pela equipe pedagógica.

O ponto central do texto da UNESCO é que a IA mudou a relação de dois polos (professor e aluno) para uma relação de três (professor, IA e aluno). Isso exige repensar o papel docente, e não apenas ensinar a usar uma ferramenta nova.

Cinco dimensões, não uma lista de ferramentas

O referencial organiza 15 competências em cinco dimensões. Nenhuma delas fala de uma ferramenta específica: todas descrevem o que o professor precisa saber fazer, independentemente de qual IA a escola adote.

  • Mentalidade centrada no ser humano: o professor entende que a IA apoia decisões, mas quem decide sobre o aluno continua sendo gente.
  • Ética da IA: inclui proteção de dados do estudante, vieses dos sistemas e uso responsável em sala.
  • Fundamentos e aplicações de IA: o mínimo técnico para entender como a ferramenta chega às respostas que dá.
  • Pedagogia com IA: como incorporar a IA no planejamento de aula, na correção e na avaliação sem substituir o julgamento pedagógico.
  • IA para o desenvolvimento profissional: como o próprio professor usa a IA para estudar, planejar e crescer na carreira.

O documento detalha essas 15 competências ao longo das cinco dimensões, sem fixar o mesmo número de competências em cada uma. A vantagem para o coordenador é poder diagnosticar separadamente: um professor pode estar avançado em pedagogia e travado em ética, por exemplo, e o curso genérico não enxerga essa diferença.

Três níveis que servem de régua para a equipe

Além das cinco dimensões, o referencial define três níveis de progressão para cada competência: adquirir, aprofundar e criar (no original, acquire, deepen, create). Esses níveis funcionam como uma régua simples para posicionar cada professor.

NívelO que significa na práticaExemplo em sala
AdquirirO professor reconhece o conceito e usa a IA de forma básica e supervisionadaUsa uma ferramenta de correção de redação já configurada pela escola
AprofundarO professor adapta o uso da IA ao próprio contexto e começa a questionar resultadosAjusta prompts para gerar exercícios diferenciados por turma
CriarO professor propõe novos usos, orienta colegas e participa de decisões sobre política de IA na escolaDesenha, com a coordenação, a política de uso de IA para trabalhos escolares

Na prática, é comum que boa parte de uma equipe esteja concentrada no nível de adquirir, sobretudo em dimensões mais técnicas como fundamentos e ética, mas isso varia de escola para escola e só o diagnóstico local revela o retrato real. Isso não é um problema: é exatamente o tipo de informação que o diagnóstico precisa capturar antes de desenhar a formação.

Como fazer o diagnóstico da equipe antes de montar o curso

O documento da UNESCO não vem com um teste pronto, mas a estrutura de dimensões e níveis se presta facilmente a um instrumento simples. Um caminho possível:

  1. Monte uma planilha com as cinco dimensões nas colunas e o nome de cada professor nas linhas.
  2. Peça que cada um se autoavalie em adquirir, aprofundar ou criar, para cada dimensão, com um exemplo concreto do que já fez (ou não fez).
  3. Cruze as respostas: dimensões onde a maioria está em adquirir indicam prioridade de formação coletiva; dimensões com alguns professores em criar indicam quem pode multiplicar conhecimento internamente.
  4. Separe a dimensão de ética à parte: ela costuma exigir alinhamento com a política de dados da escola, não só conhecimento individual.

Esse diagnóstico leva uma reunião pedagógica, não um semestre. E evita a armadilha de contratar um curso de oito horas sobre "prompt engineering" para uma equipe cujo gargalo real é entender o que fazer quando um aluno entrega um texto gerado por IA sem avisar.

Montando a trilha do semestre a partir do diagnóstico

Com o mapa de onde cada professor está, a formação deixa de ser um evento único e vira uma trilha com etapas. Um desenho possível para um semestre:

Mês 1, nível adquirir em ética e fundamentos: oficina curta sobre o que é IA generativa, quais dados ela guarda e por que nunca inserir nome ou nota de aluno numa ferramenta sem aval da escola.

Mês 2, nível aprofundar em pedagogia: encontros por área (exatas, humanas, linguagens) para adaptar planos de aula com apoio de IA, com exemplos trazidos pelos próprios professores.

Mês 3, nível criar em desenvolvimento profissional: os professores mais avançados (identificados no diagnóstico) apresentam para os colegas como usam IA para o próprio planejamento, e a coordenação já começa a esboçar uma política de uso para o ano seguinte.

Essa sequência usa o referencial como guia, mas quem decide o ritmo e os exemplos é a coordenação, olhando para a realidade da própria escola.

O que o mapa não faz por você

O documento é uma referência, não um curso pronto nem uma certificação. A UNESCO é explícita quanto a isso: o framework serve para orientar o desenvolvimento de referenciais nacionais, informar programas de formação e ajudar a desenhar parâmetros de avaliação. Na prática, isso significa que o documento não substitui a adaptação ao currículo e à política de dados de cada rede, algo que cabe à própria coordenação definir.

Para o coordenador, isso significa três cuidados. Primeiro, a dimensão de ética precisa ser cruzada com a política de proteção de dados de menores já adotada pela escola, porque o documento da UNESCO fala em princípios gerais, não em regras específicas de LGPD. Segundo, o nível "criar" não deve virar meta obrigatória para todo professor no mesmo prazo: ele descreve um horizonte, não um requisito mínimo. Terceiro, vale revisitar o diagnóstico a cada semestre, porque a competência de um professor muda mais rápido do que um ciclo anual costuma capturar.

O texto completo, com as 15 competências detalhadas, está disponível em português no site da UNESCO (unesco.org/en/articles/ai-competency-framework-teachers). Vale a leitura integral antes de montar a planilha de diagnóstico: o documento detalha, para cada competência, o que significa estar em cada um dos três níveis, e essa granularidade ajuda a escrever perguntas de autoavaliação mais precisas do que as deste artigo.

Fonte: UNESCO: referencial de competências em IA para professores

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Quem escreveuPaula SiqueiraColunista

Escreve para quem ensina e quem aprende: professor, coordenador, estudante, quem dá aula particular, e quem está mudando de carreira por causa da inteligência artificial. Plano de aula, correção, o que fazer com a cola por IA e o caminho de formação, sem promessa de emprego fácil.

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