UFSM lança guia grátis com regras de uso da IA para professores e alunos
E-book gratuito da universidade federal gaúcha traduz o que é aceitável fazer com IA generativa em aula, pesquisa e trabalho acadêmico, sem o jargão de um documento de compliance.
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Este artigo foi escrito por Helena Ribeiro. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
Um guia nascido de 305 respostas de quem vive a sala de aula
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) lançou na quinta-feira (22 de outubro de 2026) o Guia de Uso da Inteligência Artificial na UFSM, um e-book gratuito voltado a estudantes, docentes, pesquisadores e técnico-administrativos. O documento nasceu de uma consulta pública que recebeu 305 respostas da comunidade acadêmica e foi montado por um grupo de trabalho multidisciplinar criado pela Reitoria.
A motivação foi prática, não burocrática. Segundo o professor Adriano Quilião de Oliveira, do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial do campus de Cachoeira do Sul e coordenador do grupo, faltava clareza sobre o que era aceitável fazer com ferramentas como ChatGPT ou Gemini dentro da rotina universitária.
Havia muitas dúvidas sobre o que poderia ou não poderia fazer, e ninguém sabia ao certo.
Adriano Quilião de Oliveira, professor do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da UFSM e coordenador do grupo de trabalho
Para quem coordena um curso ou um colegiado, esse é o ponto central: a UFSM não criou uma norma punitiva, mas um documento de referência para tirar dúvidas recorrentes, algo que pode virar modelo de política interna em outras instituições de ensino, públicas ou privadas.
O que muda na hora de dar aula e corrigir trabalho
No capítulo de ensino e aprendizagem, o guia trata de três pontos que afetam diretamente quem corrige prova e orienta trabalho:
- Como elaborar comandos (prompts) de forma consciente, sem terceirizar o raciocínio inteiro para a ferramenta;
- Como verificar as informações geradas antes de aceitá-las como corretas, já que modelos de linguagem erram e inventam dados;
- Como evitar que o uso da IA vire plágio disfarçado, com orientação sobre transparência: o estudante precisa declarar quando usou IA generativa na produção de um trabalho.
Isso dá ao professor um vocabulário comum para conversar com a turma sobre o assunto, em vez de tratar cada caso de uso de IA como uma transgressão isolada ou, no outro extremo, fingir que a ferramenta não existe.
Na pesquisa, a IA não assina nada
Para quem orienta iniciação científica, TCC, dissertação ou tese, o guia é direto em um ponto que ainda gera confusão em bancas e periódicos: sistemas de inteligência artificial podem apoiar revisão de literatura e análise exploratória de dados, mas não devem ser indicados como autores ou coautores de trabalhos científicos.
A responsabilidade pela integridade acadêmica continua sendo do pesquisador humano, mesmo quando parte do texto ou da análise teve apoio de uma ferramenta de IA. Isso significa que o orientador precisa, na prática, perguntar ao orientando que etapas do trabalho tiveram apoio de IA e exigir que isso apareça de forma explícita, não escondida em agradecimentos genéricos.
Dados de estudante também entram na conversa
Nas atividades administrativas, como documentos, relatórios e atas, o guia alerta para um risco que coordenador de curso enfrenta o tempo todo: dados pessoais ou sigilosos protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018) não devem ser inseridos indiscriminadamente em plataformas públicas de IA.
Na prática, isso quer dizer não colar histórico escolar, laudo de acessibilidade, ficha de atendimento psicopedagógico ou qualquer documento com nome e dado sensível de aluno em um chatbot de acesso público para gerar um resumo ou um ofício. O caminho seguro é anonimizar antes, ou usar apenas ferramentas institucionais com contrato de proteção de dados.
O capítulo que outros guias institucionais não têm
Um diferencial do material da UFSM é um capítulo dedicado aos impactos da IA na saúde mental e no bem-estar da comunidade acadêmica. O trecho trata do risco do uso excessivo e da sobrecarga cognitiva que vem da terceirização indevida do esforço intelectual, quando o estudante passa a delegar à IA até o raciocínio que deveria treinar.
Para coordenador pedagógico, esse capítulo dá um argumento concreto para incluir o tema em formação docente ou em semana pedagógica: o problema do uso de IA na educação não é só ético ou técnico, é também de desenvolvimento cognitivo do estudante ao longo do curso.
O diretor da Editora UFSM, professor Enéias Tavares, reforçou esse ponto durante o lançamento, destacando que em áreas de Humanas e Linguagens a discussão sobre IA esbarra em questões de autoria e voz pessoal, e que a falta de diálogo pode transformar o tema em tabu dentro da sala de aula.
Se a gente compreender o que é essa tecnologia, quais são os usos éticos dessa tecnologia, os usos aceitáveis dessa tecnologia dentro do fazer acadêmico, certamente nós vamos continuar fazendo a UFSM e as nossas pesquisas avançar ainda mais.
Enéias Tavares, diretor da Editora UFSM
O que vem a seguir para quem orienta trabalho de conclusão
O lançamento é uma etapa inicial, não o fim do processo. Entre as propostas apresentadas por Adriano Quilião de Oliveira está a atualização do Manual de Dissertações e Teses (MDT) da UFSM, para incluir uma seção específica sobre declaração do uso de IA em trabalhos acadêmicos.
Se essa atualização sair do papel, bancas e colegiados de pós-graduação vão ter um modelo formal de declaração para anexar a dissertações e teses, parecido com o que já existe em periódicos internacionais que exigem transparência sobre uso de IA generativa na escrita científica. Também está prevista a produção de conteúdo para redes sociais, pensado para alcançar quem não costuma abrir documentos longos, o que inclui boa parte do corpo discente.
O guia está disponível gratuitamente para leitura e download pelos canais da Coordenadoria de Tecnologia Educacional (CTE) e da Editora UFSM. Para coordenador de curso de outra instituição, vale como referência pronta: em vez de começar do zero uma política de uso de IA, dá para adaptar a estrutura (ensino, pesquisa, gestão, bem-estar) e as perguntas que a UFSM já testou com a própria comunidade.

Escreve para quem cuida de gente: médico, dentista, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, veterinário. Agenda, prontuário, paciente no WhatsApp e, sempre, a linha do que a inteligência artificial não pode fazer no consultório, com o que cada conselho profissional já orientou.