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Só 13% das empresas veem retorno real com investimento em IA, diz Gartner

Pesquisa da Gartner com 2.002 CIOs e líderes de tecnologia mostra que apenas 13% das empresas colhem ganho financeiro relevante com IA, enquanto mais da metade teme que o custo de tecnologia só vá subir.

Redação AI BrasilRedação

· 4 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

A conta não fecha pra quase ninguém

Uma pesquisa da Gartner, consultoria americana de tecnologia, apresentada em 22 de outubro de 2026 no Gartner IT Symposium em Orlando, ouviu 2.002 CIOs (diretores de tecnologia da informação) e outros líderes de tecnologia ao redor do mundo. O resultado: só 13% das empresas relatam retorno "grande ou transformador" com investimento em inteligência artificial.

Os outros 87% ficam em algum ponto entre retorno pequeno e nenhum retorno mensurável. É o tipo de número que muda a conversa no conselho: não se trata mais de perguntar se a empresa está usando IA, e sim se esse uso está pagando a conta.

O custo sobe antes do retorno aparecer

O desconforto maior está na combinação de duas respostas da mesma pesquisa. A tabela abaixo resume os principais indicadores levantados pela Gartner:

IndicadorPercentualO que significa
Retorno grande ou transformador com IA13%A minoria que já vê ganho financeiro claro
CIOs cobrados a entregar economia via IA58%A meta institucional já está dada, com ou sem resultado comprovado
CIOs que esperam o custo operacional subir51%Mais da metade acha que a conta vai aumentar, não cair
CEOs que não conseguem provar retorno financeiro aos stakeholders44%Quase metade da liderança não tem número para defender o investimento
CEOs que vão aumentar o investimento em tecnologia mesmo assim75%A pressão para gastar mais continua, independente do retorno

Ou seja: a maioria dos CIOs tem meta de corte de custo via IA, mas a maioria também espera que o custo total do estoque de tecnologia suba, não caia. E quase metade dos CEOs chega ao conselho sem número sólido para justificar o que já foi gasto.

Quem ganha corta cedo, inclusive o que já está em produção

A analista da Gartner Alicia Mullery descreve o problema como uma disputa entre duas corridas diferentes. Os fornecedores de IA estão competindo na "corrida da inovação" (no original, "innovation race"): lançar modelo mais rápido, recurso novo, promessa maior. As empresas, segundo ela, precisam competir em outra corrida, a dos resultados ("outcomes race"), e são poucas as que estão vencendo essa segunda disputa.

Segundo a pesquisa, as empresas que conseguem extrair valor real têm um comportamento em comum: decidem cedo quais projetos de IA valem a pena continuar e quais devem ser encerrados, mesmo quando o projeto já está em produção. Isso significa tratar iniciativa de IA como qualquer outro investimento de capital, com critério de corte definido antes do projeto começar, não depois que o orçamento já foi queimado.

Essas mesmas empresas também planejam, com antecedência, como os agentes de IA (sistemas que executam tarefas de forma mais autônoma, não só respondem perguntas) vão mudar funções dentro da própria estrutura. Em vez de esperar o impacto acontecer para depois reorganizar o time, elas desenham a reestruturação de cargos junto com a adoção da tecnologia.

Nem todo CEO está com pressa de ver o número

A pesquisa também traz um contraponto. Vlad Kliatchko, CEO da Bloomberg, diz que ainda é cedo para medir o retorno econômico da IA de forma confiável. Segundo ele, a empresa continua investindo porque acredita que este é o momento certo para construir capacidade, não porque já tem a conta fechada.

É uma posição minoritária diante do quadro geral, mas não isolada: 75% dos CEOs ouvidos pela Gartner planejam aumentar o investimento em tecnologia mesmo sem retorno garantido. A diferença entre o caso da Bloomberg e o de boa parte das outras 87% das empresas sem retorno relevante é que a Bloomberg parece tratar o gasto como aposta deliberada de longo prazo, não como meta de curto prazo que não foi cumprida.

O que muda pra quem decide investimento em IA

Para quem senta no conselho ou lidera a área de tecnologia no Brasil, o dado da Gartner funciona como um alerta de governança, não como motivo para parar de investir. Três pontos valem revisão imediata na estratégia:

  • Critério de corte antes do piloto, não depois. Se o projeto de IA não tem meta financeira clara e prazo para avaliação, ele vira custo permanente disfarçado de inovação.
  • Métrica de negócio, não métrica de adoção. Número de usuários usando a ferramenta de IA não é retorno. Redução de custo, aumento de receita ou ganho de produtividade mensurável é.
  • Plano de reorganização de função junto com o plano de IA. Esperar o agente de IA assumir parte de uma função para só então repensar o cargo custa caro em retrabalho e em moral de equipe.

O risco descrito pela Gartner não é a IA não funcionar. É o CIO ser cobrado por economia enquanto o custo do estoque de tecnologia sobe, e o CEO chegar ao conselho sem número para sustentar o próximo pedido de orçamento. Isso é problema de governança e de critério de decisão, não de tecnologia em si.

Para o gestor brasileiro, a lição prática da pesquisa é tratar cada iniciativa de IA como um investimento com prazo de validade declarado: se não houver retorno demonstrável dentro desse prazo, o projeto é encerrado, mesmo que já esteja rodando em produção. É exatamente esse comportamento que, segundo a Gartner, separa os 13% com retorno real dos demais.

Fonte: The Decoder

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