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Agentes de IA ajudaram hackers a invadir mais de 100 empresas, incluindo a Deere, por cerca de R$ 27 por tentativa

Um relatório da NorForge publicado em 19 de outubro de 2026 encontrou painéis de controle expostos de operações criminosas que usam agentes de IA para achar falhas e instalar acessos em sites. A Reuters confirmou que mais de 100 empresas, entre elas Deere, SharkNinja e Cummins, foram comprometidas.

Redação AI BrasilRedação

· 7 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

O que a pesquisa encontrou

A empresa de cibersegurança NorForge publicou em 19 de outubro de 2026 uma investigação chamada "Inside Cairn". Usando os motores de busca Shodan e Censys, além de varreduras próprias, a equipe encontrou mais de 20 painéis de controle abertos na internet, sem senha nem autenticação, que considera provavelmente ligados a operações criminosas. Esses painéis mostravam as tarefas em andamento, o que os agentes de IA descobriam em cada site e as trocas de mensagens com os modelos de linguagem por trás deles.

No mesmo dia, a agência Reuters publicou uma reportagem assinada por Raphael Satter contando que um hacker que escreve em chinês tentou invadir mais de 1.200 sites a partir de 25 de setembro de 2026. Mais de 100 empresas tiveram sites comprometidos, entre elas a fabricante de maquinário agrícola Deere, a fabricante de eletrodomésticos SharkNinja e a fabricante de motores Cummins. As três confirmaram à Reuters que investigaram os incidentes: a Deere diz não ter indício de acesso a dados sensíveis, a SharkNinja isolou a invasão a um site de suporte ao produto, e a Cummins apura um possível ataque a um site operado por um prestador terceirizado.

Como funciona o Cairn, a ferramenta por trás dos ataques

O software usado nos dois grupos identificados pela NorForge chama-se Cairn. É um projeto de código aberto publicado no GitHub pela conta oritera, sob licença AGPLv3, descrito pelo próprio autor como um motor de busca em espaço de estados, "validado primeiro em testes de intrusão autônomos". Na prática, vários agentes de IA trabalham em paralelo, partindo de um ponto inicial até um objetivo definido por um operador humano.

Os agentes não conversam diretamente entre si. Eles escrevem descobertas num quadro compartilhado, uma espécie de bloco de notas comum, onde o operador humano também pode deixar pistas. O Cairn roda sobre diferentes modelos e ferramentas de automação: Claude Code, Codex ou Pi. O autor do projeto afirmou ao site Gizmodo que o Cairn não foi criado para invasões. Ainda assim, a mesma ferramenta já havia aparecido em setembro de 2026, quando a empresa Gambit Security a encontrou no servidor de outro atacante.

Dois grupos, dois alvos diferentes

A NorForge identificou ao menos dois grupos distintos usando o Cairn, batizados AIA0001 e AIA0002 (um terceiro, AIA0003, foi classificado como malicioso com baixa confiança).

  • AIA0001 escreve as tarefas em chinês e está ligado a 14 painéis e mais de 1.100 projetos de ataque. O alvo são sites de comércio eletrônico nos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália, classificados por volume de tráfego e testados com a ferramenta de automação de navegador Playwright antes de ir para os agentes. O objetivo final é instalar um web shell, um pequeno programa que fica no servidor e permite executar comandos remotamente, mantendo um acesso persistente para monetizar depois. O nome do agente usado, "claudecode_deepseek-v4.1-flash", levou a NorForge a supor que o operador usa o Claude Code como arcabouço com o modelo chinês DeepSeek v4.1 Flash, lançado em setembro de 2026.
  • AIA0002 escreve em inglês, aluga servidores principalmente na Vultr e mira cartões de crédito e criptomoedas: serviços de pagamento de comerciantes, sites de pagamento de zona cinzenta, farmácias online e até um site de revenda de cartões roubados. Seus agentes, chamados "pi_openrouter_deepseek", usam modelos DeepSeek via a plataforma OpenRouter. Muitas das tarefas se resumem a "fetch credit cards" (buscar cartões de crédito).

O custo caiu: quanto vale invadir uma empresa hoje

O pesquisador-chefe da NorForge, Snorre Fagerland, estimou à Reuters que a campanha inteira contra mais de 1.200 sites custou cerca de 5 mil dólares em tokens de IA, um valor baixo para o volume de alvos. Dividido pelos mais de 1.200 sites visados, dá algo em torno de 4 dólares por site, uns R$ 20 numa conversão aproximada pela cotação atual.

A própria NorForge chegou a um número parecido por outro caminho: estima o custo médio de cada tarefa, falhas incluídas, em cerca de 5 dólares (uns R$ 27 na mesma conversão), com uma taxa de sucesso média de aproximadamente 10% nas campanhas observadas. Isso significa que, para cada dez tentativas, uma se transforma em intrusão. Fazendo a conta ao contrário, uma invasão bem-sucedida sai por cerca de 50 dólares, o mesmo valor que se chega dividindo os 5 mil dólares totais pelas mais de 100 empresas comprometidas.

Isso não é trabalho de amador.

Ce n'est pas du travail d'amateur.Snorre Fagerland, pesquisador-chefe da NorForge, à Reuters

Setembro e outubro: dois ataques, dois conjuntos de números

Essa não é a primeira vez que o Cairn aparece em um ataque documentado. Em setembro de 2026, a Gambit Security havia investigado outro operador, também sinófono, usando um conjunto de ferramentas que incluía o Cairn, além de uma ferramenta chamada Strix (para busca de falhas) e Hermes (para orquestração). Os números das duas investigações, lado a lado, mostram a diferença de escala:

Setembro 2026 (Gambit Security)Outubro 2026 (NorForge e Reuters)
OperadoresUm operador sinófonoAo menos dois grupos: AIA0001 e AIA0002
Volume105 projetos Cairn em 6 diasMais de 1.100 projetos (AIA0001); mais de 1.200 sites visados desde 25/09
Resultado27 empresas comprometidas; mais de 600 mil cartões roubados de duas delasTaxa de sucesso de ~10%; mais de 100 empresas comprometidas
CustoUS$ 25,46 por alvo em média (101 análises concluídas)~US$ 5 por tarefa, falhas incluídas; ~US$ 5 mil no total
Participação humana1.951 prompts em 260 sessõesTarefas e pistas fornecidas pelos operadores; instruções com menos de 100 caracteres chineses

Aplicando a taxa média de sucesso de 10% aos mais de 1.100 projetos atribuídos ao AIA0001, chega-se a algo próximo de 110 invasões bem-sucedidas, perto da ordem de grandeza das mais de 100 empresas citadas pela Reuters. O modelo por trás de tudo isso não mudou entre as duas investigações: o DeepSeek v4.1 Flash já aparecia rodando o Cairn em setembro. Não há evidência de que o operador de setembro e o AIA0001 de outubro sejam a mesma pessoa.

Uma tarefa bem-sucedida levou, em média, pouco menos de 23 horas e deixou cerca de 140 fatos registrados no quadro compartilhado dos agentes, segundo a NorForge. Esse tempo é, ao mesmo tempo, um dado preocupante (uma intrusão completa em menos de um dia) e uma janela de detecção, caso alguém esteja monitorando o que acontece no servidor.

O que muda pra quem defende sistemas no Brasil

Para quem trabalha com infraestrutura e segurança de aplicações, o primeiro ponto prático é que o inventário de ativos a proteger vai além do site principal. A SharkNinja teve invadido um site de suporte ao produto; a Cummins investiga um site operado por terceiro. Esses sites secundários custam o mesmo centavo por tentativa que a loja principal, e os grupos descritos pela NorForge classificam alvos justamente por volume de tráfego, não por importância estratégica aparente.

O objetivo técnico final, nos dois grupos, é o mesmo: depositar um web shell no servidor e confirmar que ele executa comandos. Isso aponta para uma defesa concreta e barata de implementar: alertas automáticos para qualquer criação de arquivo nos diretórios servidos publicamente pelo servidor web, algo que ferramentas de EDR ou mesmo regras simples de auditoria de sistema de arquivos já cobrem. O AIA0002, por exemplo, instrui os agentes a esconder o web shell em diretórios profundamente aninhados, o que torna a varredura automática ainda mais necessária do que a inspeção manual.

Outro ponto afeta quem contrata testes de intrusão (pentest) como fornecedor ou cliente: a NorForge encontrou, nos mesmos painéis expostos, centenas de segredos (como chaves de API e credenciais), 11% deles validados pela ferramenta Trufflehog, e também projetos pertencentes a equipes de pentest legítimas mal configuradas. Um contrato de teste de segurança pode e deve exigir explicitamente que o painel de controle do prestador nunca fique acessível pela internet pública, sem essa cláusula o próprio teste vira uma porta aberta.

A NorForge diz manter em sigilo a lista completa de endereços dos painéis encontrados, reservada a pesquisadores, e trabalha para que provedores de hospedagem os derrubem. Segundo a empresa, alguns painéis já pararam de responder, mas o resultado depende da reação de cada hospedeiro, não existe um mecanismo automático de remoção.

Fonte: ActuIA

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