Tractian captou R$ 17 milhões em 2021: o que o caso ensina a quem decide investir em manutenção preditiva por IA
Cinco anos depois da rodada semente, o material público da InfoMoney ainda serve de régua para avaliar fornecedores de sensores e IA industrial.
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Este artigo foi escrito por Sérgio Tavares. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
Em junho de 2021 a Tractian fechou uma rodada semente de R$ 17 milhões para sensores e inteligência artificial de manutenção preditiva. Cinco anos depois, o caso ainda serve de régua para quem avalia esse tipo de investimento.
A Tractian fechou, em 1º de junho de 2021, uma rodada semente de R$ 17 milhões para sua plataforma de manutenção preditiva por inteligência artificial, segundo reportagem do InfoMoney. O investimento veio do family office Citrino, do fundo DGF Investimentos e da executiva Cláudia Massei, então CEO da Siemens no Omã. Não é notícia nova: já se passaram mais de cinco anos. Mas é o tipo de caso que vale revisitar com outro olhar, o de quem hoje precisa decidir se vale colocar sensor em máquina e pagar mensalidade por um alerta.
A fundação da empresa também já tem sete anos: Gabriel Lameirinhas e Igor Marinelli abriram a Tractian em 2019, depois de ver os pais lidarem com falta de manutenção em plantas industriais. Marinelli desenvolveu o primeiro protótipo como engenheiro de software na Klabin, fabricante de papel e celulose. A dupla investiu R$ 100 mil do próprio bolso, incluindo a venda de dois carros, antes de captar R$ 400 mil de anjos e R$ 2 milhões numa rodada pré-semente com a aceleradora Y Combinator.
O modelo de negócio que sustentou a tese de investimento
O que a Tractian vendia em 2021, segundo a reportagem, era um pacote de hardware e software: sensores de temperatura e vibração instalados em bombas hidráulicas, compressores e motores, conectados a uma plataforma que lê os dados em tempo real. O sistema alertava sobre consumo exagerado de energia, desbalanceamento e falta de lubrificação, com assertividade declarada entre 75% e 95%.
O preço era cobrado em mensalidade, com ticket médio de R$ 9 mil por cliente. Esse número importa para quem está do outro lado da mesa de negociação: não é o valor do sensor isolado, é hardware mais licença de software mais o suporte da própria Tractian, somados numa assinatura recorrente. A empresa não detalhou, na reportagem, quanto custa cada sensor avulso nem quantas horas de integração um cliente precisa reservar antes do sistema começar a gerar alerta confiável.
Isso é relevante porque o discurso do fundador, de que a estratégia "aumenta o lifetime value e reduz o churn", é leitura de quem vende, não medição independente de quem comprou. A reportagem não traz um caso de fábrica específico com número de paradas antes e depois da instalação. O que existe é uma captação de recursos e uma projeção de crescimento (de 45 para 600 indústrias atendidas em 18 meses, e 5 mil em cinco anos). Projeção de 2021 não é resultado comprovado, e o material consultado não permite confirmar se essas metas foram batidas.
Por que o apelido de "Shazam das indústrias" pegou, e o que ele esconde
A comparação com o aplicativo que identifica uma música em segundos veio da própria Y Combinator, segundo a reportagem. A ideia é que o sistema reconheceria o "som" de uma falha mecânica antes dela virar quebra, do mesmo jeito que o Shazam reconhece uma faixa a partir de poucos segundos de áudio.
A metáfora ajuda a vender, mas simplifica o processo real. Por trás do alerta está o que a indústria chama de manutenção preditiva: em vez de trocar peça por calendário (manutenção preventiva) ou esperar quebrar (manutenção corretiva), o sistema usa padrões de vibração e temperatura para apontar quando uma peça está saindo da curva normal de funcionamento. Isso exige histórico de dados da própria máquina, não só o sensor instalado ontem. Quanto mais nova a instalação, menos confiável tende a ser o alerta nos primeiros meses, algo que o material da fonte não detalha e que todo comprador deveria perguntar ao fornecedor antes de fechar contrato.
O que pesa na decisão de quem compra, não de quem vende
A Tractian mirava, segundo Marinelli, pequenas e médias indústrias com 100 a 1.000 funcionários, um segmento que ele estimava em R$ 40 bilhões dentro de um mercado de manutenção industrial de R$ 80 bilhões no Brasil, com base em dados da Confederação Nacional da Indústria. A lógica declarada era evitar a dependência de poucos clientes grandes: perder um contrato de R$ 90 milhões por mês dói mais que perder um de R$ 9 mil.
Para quem está no lado comprador dessa equação, a lição não muda com o tempo: antes de assinar qualquer contrato de manutenção preditiva, vale exigir do fornecedor um checklist mínimo.
- Quanto custa o sensor por ponto de medição, separado da mensalidade de software;
- Quantas horas de integração com o sistema de controle da fábrica (o chamado MES, sistema que gerencia a execução da produção) são necessárias antes do primeiro alerta útil;
- Qual é a taxa de falso positivo declarada, e se ela foi medida em cliente real ou em ambiente de teste;
- Quem, na equipe da fábrica, vai interpretar o alerta e decidir a parada, porque nenhum desses sistemas substitui o técnico de manutenção, apenas antecipa o aviso para ele.
Segurança e autonomia: o que este tipo de sistema não faz
Vale deixar claro o que a Tractian descrevia fazer em 2021: emitir alerta. A reportagem não detalha se o sistema tem ou não capacidade de parar a máquina de forma autônoma; o que ela descreve é a função de emitir alertas para que um técnico avalie e decida a ação. Isso muda o enquadramento de segurança do trabalho.
A norma regulamentadora NR-12, que trata de segurança em máquinas e equipamentos, pesa mais forte quando um sistema decide autonomamente parar ou alterar o funcionamento de um equipamento perto de pessoas. Um sistema cuja função descrita é apenas avisar um técnico, que por sua vez decide a ação, mantém, nessa descrição, a responsabilidade da parada com o ser humano.
Isso não dispensa cuidado na instalação. Colocar sensor em motor energizado ou em linha em operação envolve risco elétrico e mecânico que depende de procedimento de bloqueio e etiquetagem (o famoso LOTO, de lockout tagout) durante a montagem, independente de quem fornece o sensor. O material consultado não detalha esse procedimento para o caso da Tractian, e esse é exatamente o tipo de pergunta que cabe fazer ao fornecedor antes da primeira instalação.
O que ainda não dá para confirmar com este material
A reportagem lista concorrentes da época: Keyence e TOTVS, empresas de tecnologia industrial mais antigas, e as startups brasileiras Dynamox, GoEPIK e Ubivis. Cinco anos depois, não há neste material informação sobre como ficou essa disputa, nem sobre o faturamento atual da Tractian, nem sobre se as 5 mil indústrias projetadas para 2026 foram alcançadas. Quem está avaliando um fornecedor de manutenção preditiva hoje, seja a Tractian, seja um concorrente, deve pedir caso recente com data, não se basear numa rodada de investimento de 2021.
Como testar isso numa linha só antes de comprometer o orçamento
O caminho mais barato para avaliar esse tipo de solução é um piloto fechado: escolher uma única linha ou um conjunto pequeno de máquinas críticas (as que, se pararem, derrubam a produção do turno inteiro), instalar os sensores por um trimestre e comparar o número de paradas não planejadas antes e depois, em horas de linha parada, não em percentual abstrato. Se o fornecedor recusar essa comparação com dado da própria fábrica, ou só oferecer números de outros clientes, isso já é sinal de alerta antes de qualquer alerta vindo do sensor.
Fonte 1: Infomoney (https://www.infomoney.com.br/negocios/shazam-das-industrias-startup-que-usa-inteligencia-artificial-para-manutencao-recebe-r-17-milhoes/)
“Shazam das indústrias”: startup que usa inteligência artificial para manutenção recebe R$ 17 milhões
"Shazam das indústrias": startup que usa inteligência artificial para manutenção recebe R$ 17 milhões - InfoMoney
“Shazam das indústrias”: startup que usa inteligência artificial para manutenção recebe R$ 17 milhões
A Tractian atende desde grandes fábricas até máquinas em aeroportos, esteiras de logística, hospitais e shopping centers
Mariana Fonseca
01/06/2021 12h00 •
Atualizado 4 anos atrás
Leonardo Vieira (CCO), Igor Marinelli (CEO), Gabriel Lameirinhas (COO) e Bruno Felix (CTO), da Tractian
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SÃO PAULO – As indústrias não escaparam dos efeitos da pandemia: interrupção de jornadas de trabalho e paralisações de plantas industriais levaram à falta de insumos e desorganização da cadeia produtiva . Nunca foi tão necessário ser mais eficiente – e startups como a Tractian estão aproveitando. A startup instala sensores e usa inteligência artificial (IA) para alertar as empresas sobre manutenções preditivas em seus equipamentos.
O funcionamento rendeu uma comparação com o aplicativo Shazam, que revela o nome de uma música após escutar alguns segundos dela. A IA é uma das tecnologias com maior potencial de promover mudanças na indústria nos próximos anos, segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ainda segundo a pesquisa, o mercado de inovações para inteligência artificial movimentará US$ 60 bilhões ao ano no mundo até 2025.
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A proposta da startup atraiu não apenas 45 indústrias, de fábricas até shopping centers, mas também um novo investimento. A Tractian anunciou nesta terça-feira (1º) uma captação semente de R$ 17 milhões. O investimento irá para expandir a equipe da startup e para desenvolver sensores para mais tipos de máquinas. Igor Marinelli, cofundador da Tractian, falou sobre a estratégia do negócio e planos futuros em entrevista ao Do Zero Ao Topo , marca de empreendedorismo do InfoMoney .
Manutenção preditiva na indústria A Tractian foi criada pelos empreendedores Gabriel Lameirinhas e Igor Marinelli em 2019. Seus pais trabalham em plantas industriais, e citavam a falta de manutenção como um problema constante. Os colegas de faculdades já tinham tentado criar outros empreendimentos, como a plataforma de financiamento coletivo sem fins lucrativos Somos Todos Heróis e a startup de predição de doenças crônicas Blue. Como engenheiro de software na empresa de papel e celulose Klabin, Marinelli também desenvolveu um protótipo para prever quando uma máquina ia quebrar.
“Além dessa experiência na Klabin, uma extensão da graduação em engenharia da computação na Califórnia também abriu meus olhos. Vi startups de hardware que inclusive viraram unicórnios, um feito que não é comum no Brasil”, diz o cofundador. Uma inspiração da Tractian é a Uptake, startup americana que desenvolve uma plataforma de análise preditiva para prevenir falhas em processos produtivos. O negócio captou US$ 218 milhões com investidores, segundo a base de dados Crunchbase . Lameirinhas e Marinelli investiram R$ 100 mil no negócio, recursos vindos de poupança e da venda de dois automóveis.
A Tractian é uma evolução do protótipo da Klabin, atendendo diversas indústrias de diversos portes – desde grandes fábricas até máquinas em aeroportos, esteiras de logística, hospitais e shopping centers . A startup instala sensores que medem temperatura e vibração em bombas hidráulicas, compressores e motores. A plataforma da Tractian acompanha os sensores em tempo real e alerta para problemas como consumo exagerado de energia, desbalanceamento e falta de lubrificação com 75% a 95% de assertividade.
A tomada de decisão vem de uma tecnologia proprietária de inteligência artificial da Tractian, que faz a análise de dados de problemas anteriores, realiza simulações e propõe soluções para evitar ocorrências similares. As empresas pagam uma mensalidade para usar a solução de hardware e software. O tíquete médio mensal é de R$ 9 mil.
“Vamos colocando mais alertas e assim cuidamos de toda a manutenção do cliente. A estratégia aumenta o lifetime value [dinheiro que cliente gera em seu relacionamento com a empresa] e reduz o churn [taxa de desistência de um produto ou serviço]”, diz Marinelli. O cofundador estima que o mercado de manutenção industrial some R$ 80 bilhões, a partir de informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Metade do valor seria movimentado por 450 mil pequenas e médias indústrias pelo país. São negócios que têm entre 100 e 1.000 funcionários, segundo Marinelli.
“Nosso foco está em PMEs inclusive em mercados adjacentes, como Argentina e Chile. O foco nas grandes gera mais vulnerabilidade por mudanças na gestão. Perder um cliente que gera R$ 90 milhões por mês é um baque bem maior do que um de R$ 9 mil por mês. O ciclo de vendas também é mais rápido nas pequenas e médias indústrias”, diz o cofundador. A Tractian começou a operar em abril de 2020. Segundo Marinelli, a pandemia trouxe demissão de técnicos e uma comunicação mais assíncrona – um contexto que teria aumentado a procura pela startup.
Hoje, a Tractian atende 45 indústrias de segmentos como agronegócio, alimentação, hospitais e shopping centers. “Não parece um número enorme na comparação com outros softwares como um serviço. Mas temos a particularidade de atender um cliente difícil de abrir as portas: existem empresas com anos de história na indústria que atendem o mesmo número de clientes que nós”, diz Marinelli. Mesmo assim, os planos de expansão são ambiciosos. Em 18 meses, a startup espera atender 600 indústrias. Em cinco anos, 5 mil indústrias. Entre maio e dezembro de 2021, a Tractian projeta quintuplicar seu faturamento com a aquisição de clientes.
A internacionalização também está nos planos. “Não estamos tão focados em upsell [venda de produtos mais caros], mas em fincar bandeiras nas indústrias. Nosso lifetime value já consegue provocar esse aumento de receita”, diz Marinelli. Mas existem diversos concorrentes para a Tractian. Keyence (Japão, 1974) e TOTVS (Brasil, 1983) são empresas de tecnologia com mais tempo de mercado e que oferecem soluções de manutenção preditiva para a indústria. Alguns exemplos de startups brasileiras que competem com a Tractian são Dynamox (2007), GoEPIK (2017) e Ubivis (2014). R$ 17 milhões para equipe e desenvolvimento O novo investimento ajudará nos planos da Tractian.
A startup já tinha captado R$ 400 mil com investidores anjos e R$ 2 milhões com fundos em uma rodada pré-semente. Entre os investidores estava a Y Combinator, aceleradora do Vale do Silício que abrigou negócios como Airbnb e Rappi. Foi a Y Combinator que comparou a Tractian ao aplicativo de músicas Shazam. O aporte semente atual, de R$ 17 milhões, foi realizado pelo family office de grupos do setor industrial Citrino; pelo DGF Investimentos, fundo que investiu em negócios como a RD Station; e por Cláudia Massei, CEO da empresa de tecnologia para indústria Siemens no Omã.
“Pensávamos em captar lá fora, pelos poucos investimentos e poucas startups de hardware no Brasil. Mas a DGF apareceu com uma proposta bem diferenciada: eles já tinham investido na Pollux Automação, uma startup de hardware vendida para a Accenture”, diz Marinelli. “Já o Citrino entra com experiência em gestão de fábricas, enquanto a Cláudia é uma executiva de ponta e que conhece canais de distribuição para clientes industriais.”
“Nestes dois anos de existência, a Tractian já conseguiu inserir sua solução em indústrias extremamente importantes para a economia brasileira. Essa trajetória da empresa nos chamou a atenção, pois é nesse estilo de companhia que temos nossas premissas de investimentos: uma startup de tecnologia, receita recorrente e com soluções que cheguem a quem mais precisa. Para nós é sempre uma satisfação encontrar um time que, apesar de muito jovem, já conquistou uma grande relevância no mercado e possui potencial para crescer ainda mais”, escreveu em comunicado sobre o aporte Frederico Greve, sócio da DGF Investimentos.
“Quando eu era diretor de operações, a vida do gestor era muito mais difícil. Tínhamos que conversar regularmente com os técnicos de manutenção via grupos de WhatsApp para que informassem as falhas e fizessem as inspeções nas máquinas. Com a ferramenta desenvolvida pela Tractian, que usa inteligência artificial para manutenção preditiva, a rotina de todos os envolvidos na operação de uma indústria ficou mais fácil”, completou no mesmo comunicado Marcelo Cabral, sócio da Citrino.
“Hoje em dia, manutenção preditiva é, de certa forma, um luxo para empresas que querem evitar imprevistos e dores de cabeça causadas por panes em máquinas. Num futuro não tão distante, manutenção preditiva será uma questão de vantagem competitiva. Será o diferencial de uma empresa que entrega o produto fabricado no dia e hora prometidos ao cliente, ou aquele de uma empresa que mantém os custos operacionais dentro do orçamento planejado. Previsibilidade será chave num mundo cada vez mais digital, e a tecnologia da Tractian está bem posicionada para ajudar empresas nacionais e internacionais”, finalizou Cláudia no comunicado. O aporte semente será usado para contratações e desenvolvimento de hardware.
A Tractian pretende expandir de 30 para 100 funcionários. O negócio também pretende atender mais tipos de máquinas. “Desenvolver produtos leva muito tempo, o que nenhuma startup tem, ou muito dinheiro”, explica Marinelli. Um quarto dos 100 funcionários serão engenheiros de hardware.
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Subeditora do InfoMoney, escreve e edita matérias sobre empreendedorismo, gestão e inovação. Coapresentadora do podcast e dos vídeos da marca Do Zero Ao Topo.
Fonte: Infomoney
Especialista virtual de IA para quem produz: gerente de fábrica, engenheiro de produção, supervisor de manutenção, analista de qualidade e de logística, dono de indústria média. É dono da frente AI para Indústria. Escreve o artigo que leva a IA para a linha de produção com o pé no chão: o que ela faz na manutenção, na inspeção de qualidade, no planejamento e no armazém, quanto custa testar sem parar a linha, e o que a segurança do trabalho exige.