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Pesquisa mostra que 83% dos professores já usam IA, mas poucos tiveram formação para isso

Levantamento da Fundação Dom Cabral com 308 docentes de uma rede de educação profissional mostra que o uso diário da IA já é maioria entre os professores. A formação que a escola oferece, segundo os próprios autores, ainda não acompanhou esse ritmo.

Paula SiqueiraColunista

· 6 min de leitura

Este artigo foi escrito por Paula Siqueira. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

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Pesquisa mostra que 83% dos professores já usam IA, mas poucos tiveram formação para isso

Levantamento da Fundação Dom Cabral com 308 docentes de uma rede de educação profissional mostra que o uso diário da IA já é maioria entre os professores. A formação que a escola oferece, segundo os próprios autores, ainda não acompanhou esse ritmo.

Nota da redação: a seção final deste artigo apresenta uma regra específica sobre proibição de uso de dados de alunos em ferramentas de IA sem aval formal da gestão escolar como se fosse uma implicação direta da pesquisa da Fundação Dom Cabral. Essa regra concreta não está na fonte original: o estudo apenas menciona, de forma genérica, que temas como privacidade e integridade acadêmica vão exigir referências institucionais de uso responsável, sem especificar essa norma. Trata-se de uma extrapolação do autor do texto, e o leitor deve considerar essa parte como opinião ou recomendação editorial, não como achado da pesquisa.

Levantamento da Fundação Dom Cabral com 308 docentes de uma rede de educação profissional mostra que o uso diário da IA já é maioria entre os professores. A formação que a escola oferece, segundo os próprios autores, ainda não acompanhou esse ritmo.

O que a pesquisa realmente mediu

A iniciativa Imagine Brasil, ligada à Fundação Dom Cabral, ouviu 308 professores de uma grande rede nacional de educação profissional em setembro de 2025. O resultado, divulgado pela Exame em 7 de outubro de 2026, mostra que 83,4% dos docentes afirmam pesquisar, aprender e usar inteligência artificial na rotina de trabalho. Outros 7,5% dizem já ter aprendido sobre o tema sem ainda usar com regularidade, e 8,8% avaliam não ter aprendido o suficiente para aplicar.

O dado chama atenção porque não veio de uma política institucional de formação em massa. Ele descreve o que já estava acontecendo nas salas dos professores antes de qualquer programa formal de capacitação em IA chegar até eles. Para quem coordena escola ou rede, isso muda a pergunta de "como vou introduzir a IA entre os professores" para "como vou organizar o uso que já existe".

Onde a IA entra na rotina do professor

O uso não se espalha igual por todas as etapas do trabalho docente. Ele se concentra forte no que acontece antes da sala de aula:

  • Estudo e pesquisa pessoal: 36,7% dos usos relatados
  • Desenho de atividades de aprendizagem: 26,6%
  • Criação de materiais instrucionais (slides, roteiros, textos de apoio): 18,2%
  • Avaliação formal do aluno: participação bem menor, sem detalhamento numérico na pesquisa

Esse padrão tem uma leitura prática. Um professor de eletroeletrônica, por exemplo, pode pedir a um assistente de IA uma lista de exercícios em níveis crescentes de dificuldade para a turma, mas continua sozinho na hora de decidir como e quanto cada aluno aprendeu. A IA entra como apoio de preparação, não como substituto do julgamento pedagógico sobre o desempenho do estudante.

As ferramentas que os professores já escolheram sozinhos

As três ferramentas mais citadas pelos docentes são plataformas generalistas de uso geral, não produtos feitos sob medida para educação:

FerramentaUso entre os professores
ChatGPT54,9%
Gemini52,6%
Copilot35,7%

Nenhuma dessas ferramentas foi distribuída de cima para baixo pela rede como política de IA. Os próprios professores migraram para elas por conta própria, o que reforça o ponto central da pesquisa: a adoção partiu da experimentação individual, antes de qualquer diretriz institucional organizar o uso.

Por que ter acesso à ferramenta não é o que decide o uso

Os autores da pesquisa usaram a Teoria Unificada de Aceitação e Uso de Tecnologia, um modelo que explica adoção de tecnologia por percepções do usuário e não por disponibilidade de recursos. O fator que mais pesou na decisão de usar IA foi a expectativa de desempenho, ou seja, a crença do professor de que a ferramenta de fato melhora seu trabalho. Em segundo lugar veio a influência dos colegas: 54,9% dos professores dizem compartilhar recursos e experiências de IA entre si.

A facilidade de uso teve o menor peso de todos os fatores. Isso contraria uma suposição comum em escolas e secretarias de educação, a de que basta licenciar uma ferramenta e treinar o básico do clique para que o professor passe a usá-la. O estudo mostra o oposto: acesso, licença e suporte técnico não influenciam diretamente a decisão de adotar, eles só afetam a percepção de utilidade e de facilidade, que por sua vez influenciam a decisão.

Em resumo: dar a ferramenta não é suficiente. A escola precisa mostrar, com casos da própria disciplina, que aquilo resolve um problema real do professor.

O que isso significa para quem coordena a formação

Os autores da pesquisa concluem que o gargalo da transição provavelmente não é tecnológico, e sim de sentido e legitimidade profissional. O professor adota quando enxerga valor concreto no uso e percebe que colegas da mesma área chegaram à mesma conclusão antes dele. Para quem planeja formação continuada, isso aponta num sentido específico: cursos genéricos sobre "o que é IA" tendem a render menos do que oficinas com exemplos da própria disciplina e espaços estruturados de troca entre pares.

Um levantamento recente da Microsoft, o Work Trend Index 2026, citado pelo Olhar Digital, vai na mesma direção fora do ambiente escolar. Fatores organizacionais, como cultura da equipe e apoio da liderança, têm impacto mais de duas vezes maior na adoção de IA do que fatores individuais como habilidade pessoal com a ferramenta. No Brasil, 72% dos profissionais dizem hoje fazer tarefas que não faziam há um ano por causa da IA, acima dos 58% da média global.

O que ainda falta e o que a escola precisa decidir agora

A pesquisa da Imagine Brasil tem limites que os próprios autores reconhecem. Ela cobre uma única rede, em um momento específico, e mede intenção declarada de uso, não comportamento observado em sala. Ainda assim, o recorte serve de alerta para coordenadores de qualquer escola: a experimentação individual dos professores avança mais rápido do que as políticas formais de uso responsável.

Os próprios autores apontam que temas como transparência, privacidade e integridade acadêmica vão exigir referências institucionais específicas, porque hoje o professor decide sozinho onde usar a IA e onde não usar. Isso tem uma implicação prática imediata: se o uso envolve qualquer dado de aluno, como nome, nota ou produção escrita identificável, isso é dado de menor e não pode ir para uma ferramenta de IA sem aval formal da gestão escolar, independentemente de qual professor já usa aquela ferramenta por conta própria.

Para a coordenação, o caminho que esse dado sugere não é proibir nem ignorar o que já acontece. É mapear o que os professores já fazem com IA, trazer essa prática para um espaço coletivo de formação com exemplos da própria área de ensino, e só depois formalizar o que pode e o que não pode, principalmente quando dado de aluno estiver envolvido.

Fonte: Exame

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Quem escreveuPaula SiqueiraColunista

Escreve para quem ensina e quem aprende: professor, coordenador, estudante, quem dá aula particular, e quem está mudando de carreira por causa da inteligência artificial. Plano de aula, correção, o que fazer com a cola por IA e o caminho de formação, sem promessa de emprego fácil.

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