IA aumenta vagas e salários na advocacia, mas segurança de dados ainda divide a categoria
Pesquisa da AASP mostra avanço no uso de IA entre advogados, mas revela cautela quanto à confiabilidade das ferramentas, à segurança das informações e à responsabilidade profissional.
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Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
A questão
A advocacia brasileira usa cada vez mais inteligência artificial (IA, sistemas que geram texto, resumos e buscas a partir de grandes bases de dados) no trabalho diário. Pesquisa feita pela AASP, a Associação dos Advogados de São Paulo, durante o evento Diálogos: IA e Advocacia, com 276 respostas e divulgada em 17 de outubro de 2026, mostra que 78,3% dos participantes relataram aumento do uso da tecnologia nos últimos seis meses, segundo reportagem do Valor Econômico.
A mesma pesquisa aponta cautela quanto à confiabilidade das ferramentas, à segurança das informações dos clientes e a quem cabe a responsabilidade quando a IA erra. É esse o ponto de tensão desta pauta: a tecnologia já expande produtividade, vagas e salário em partes do mercado jurídico, mas a categoria ainda não assentou como lidar com os riscos que vêm junto.
No contencioso de massa (processos em grande volume, movidos em série contra empresas), o número de advogados cresceu mesmo com a automação de tarefas repetitivas, segundo artigo publicado no Migalhas por Mateus Costa-Ribeiro, fundador da empresa de tecnologia jurídica Enter. A pergunta que fica para quem advoga é como aproveitar esse ganho sem herdar um risco que a própria profissão ainda discute como mitigar.
Quem defende o quê
Para Costa-Ribeiro, a IA não reduziu o espaço de trabalho na advocacia, ampliou. Segundo o estudo que ele cita no artigo, feito por uma consultoria estratégica com dados públicos do Judiciário e entrevistas com advogados, o volume de processos no Brasil saiu de um crescimento de 2% a 3% ao ano, padrão desde 2009, para 8% ao ano em 2022, justamente quando o ChatGPT foi lançado.
Mesmo assim, o número de advogados em escritórios de contencioso de volume cresceu 3% ao ano entre 2018 e 2025, e quem usa a ferramenta da Enter recebe, em média, 19% a mais como estagiário, 14% a mais como advogado júnior e 43% a mais como advogado pleno, na comparação com pares que não usam a tecnologia.
A tecnologia deve operar a serviço e empoderar os advogados do jurídico interno e do escritório de advocacia que estiver habilitado nos autos. Eles pilotarão a IA.
Mateus Costa-Ribeiro, advogado e fundador da Enter
Do outro lado, a cautela aparece tanto na pesquisa da AASP quanto nas recomendações formais da própria OAB. Em 2024, o Observatório Nacional de Cibersegurança, Inteligência Artificial e Proteção de Dados, ligado à entidade, publicou um documento reconhecendo o potencial da tecnologia, mas reforçando que seu uso não dispensa o Estatuto da Advocacia, o Código de Ética da OAB, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o Código de Processo Civil, conforme detalha reportagem do ICL Notícias. A recomendação prevê revisão integral dos resultados antes de qualquer peça ir a juízo e consentimento explícito e por escrito do cliente sobre o uso da ferramenta.
Essa cautela tem lastro técnico. Uma pesquisa do RegLab (Laboratório de Regulação, Avaliação e Governança), da Universidade de Stanford, publicada em 2024 e citada pelo ICL, encontrou que ferramentas de IA voltadas especificamente para o Direito, como a Lexis+ AI, da LexisNexis, e as plataformas Westlaw AI-Assisted Research e Ask Practical Law AI, da Thomson Reuters, alucinam (produzem informação falsa com aparência de correta) entre 17% e 33% das vezes. O estudo é americano, mas mostra que nem um acervo jurídico dedicado elimina o risco de erro.
Onde as visões se separam
O ponto exato da divergência não é se a IA ajuda, as duas fontes concordam que ajuda. É até onde vai o papel da tecnologia dentro de uma atividade que, no Brasil, é privativa de quem tem registro na OAB. O próprio artigo da Migalhas cita, como material relacionado, que a OAB/SP moveu ação judicial contra a Enter por uso de IA em atividades jurídicas. O episódio ilustra concretamente essa fronteira em disputa: até onde uma ferramenta pode organizar e analisar informação jurídica antes de esbarrar no que a lei reserva a quem tem habilitação profissional.
Esse atrito ganha mais peso diante de outro dado do próprio artigo da Enter: 45% dos colaboradores em escritórios de contencioso de massa não foram aprovados no exame da OAB e não têm registro na entidade, muitas vezes exercendo atividades de cunho advocatício fora da regulação da classe. É exatamente esse tipo de delegação, de uma tarefa com peso jurídico para quem não responde formalmente por ela, que a recomendação da OAB de 2024 tenta conter ao exigir revisão humana integral e responsabilização clara antes de qualquer peça ser protocolada.
Em resumo, a separação não é entre usar ou não usar IA. É entre duas leituras do mesmo fato: uma que vê a tecnologia como apoio que expande o acesso à Justiça e remunera melhor o profissional, e outra que vê, no mesmo movimento, risco de diluir a fronteira entre o que é trabalho técnico de apoio e o que é exercício da advocacia propriamente dito, sujeito a sigilo, responsabilidade e fiscalização da OAB.
O que cada caminho implica para você
Quem decide acelerar a adoção de IA no escritório ou no jurídico interno tem, do lado positivo, os números do contencioso de massa: mais vagas, salários mais altos e tempo liberado para estratégia em vez de trabalho mecânico. O custo é operacional: mapear que dados sensíveis trafegam para ferramentas de terceiros, formalizar por escrito o consentimento do cliente sobre o uso de IA, como recomenda a OAB desde 2024, e manter revisão humana completa de qualquer conteúdo gerado antes de ele chegar a um processo.
Quem prefere manter a adoção cautelosa, priorizando a conferência de fontes e evitando delegar análise jurídica a ferramentas de terceiros, se protege do tipo de contestação que resultou na ação da OAB/SP contra a Enter e do risco de erro medido pelo estudo do RegLab de Stanford, entre 17% e 33% mesmo em plataformas jurídicas especializadas. O custo aqui é de ritmo: ficar para trás num mercado em que colegas já relatam ganho de produtividade e remuneração maior, segundo a própria pesquisa da AASP.
O que vale observar daqui para frente é o desfecho da ação da OAB/SP contra a Enter e se a recomendação de 2024 do Observatório Nacional da OAB vira norma obrigatória ou continua como orientação. Enquanto isso não se resolve, cabe a cada advogado decidir em que ponto da régua, entre velocidade e verificação, ele quer operar.
Fontes: Valor Econômico · Migalhas · ICL Notícias
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