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IA aumenta vagas e salários na advocacia, mas segurança de dados ainda divide a categoria

Pesquisa da AASP mostra avanço no uso de IA entre advogados, mas revela cautela quanto à confiabilidade das ferramentas, à segurança das informações e à responsabilidade profissional.

Redação AI BrasilRedação

· 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

A questão

A advocacia brasileira usa cada vez mais inteligência artificial (IA, sistemas que geram texto, resumos e buscas a partir de grandes bases de dados) no trabalho diário. Pesquisa feita pela AASP, a Associação dos Advogados de São Paulo, durante o evento Diálogos: IA e Advocacia, com 276 respostas e divulgada em 17 de outubro de 2026, mostra que 78,3% dos participantes relataram aumento do uso da tecnologia nos últimos seis meses, segundo reportagem do Valor Econômico.

A mesma pesquisa aponta cautela quanto à confiabilidade das ferramentas, à segurança das informações dos clientes e a quem cabe a responsabilidade quando a IA erra. É esse o ponto de tensão desta pauta: a tecnologia já expande produtividade, vagas e salário em partes do mercado jurídico, mas a categoria ainda não assentou como lidar com os riscos que vêm junto.

No contencioso de massa (processos em grande volume, movidos em série contra empresas), o número de advogados cresceu mesmo com a automação de tarefas repetitivas, segundo artigo publicado no Migalhas por Mateus Costa-Ribeiro, fundador da empresa de tecnologia jurídica Enter. A pergunta que fica para quem advoga é como aproveitar esse ganho sem herdar um risco que a própria profissão ainda discute como mitigar.

Quem defende o quê

Para Costa-Ribeiro, a IA não reduziu o espaço de trabalho na advocacia, ampliou. Segundo o estudo que ele cita no artigo, feito por uma consultoria estratégica com dados públicos do Judiciário e entrevistas com advogados, o volume de processos no Brasil saiu de um crescimento de 2% a 3% ao ano, padrão desde 2009, para 8% ao ano em 2022, justamente quando o ChatGPT foi lançado.

Mesmo assim, o número de advogados em escritórios de contencioso de volume cresceu 3% ao ano entre 2018 e 2025, e quem usa a ferramenta da Enter recebe, em média, 19% a mais como estagiário, 14% a mais como advogado júnior e 43% a mais como advogado pleno, na comparação com pares que não usam a tecnologia.

A tecnologia deve operar a serviço e empoderar os advogados do jurídico interno e do escritório de advocacia que estiver habilitado nos autos. Eles pilotarão a IA.

Mateus Costa-Ribeiro, advogado e fundador da Enter

Do outro lado, a cautela aparece tanto na pesquisa da AASP quanto nas recomendações formais da própria OAB. Em 2024, o Observatório Nacional de Cibersegurança, Inteligência Artificial e Proteção de Dados, ligado à entidade, publicou um documento reconhecendo o potencial da tecnologia, mas reforçando que seu uso não dispensa o Estatuto da Advocacia, o Código de Ética da OAB, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o Código de Processo Civil, conforme detalha reportagem do ICL Notícias. A recomendação prevê revisão integral dos resultados antes de qualquer peça ir a juízo e consentimento explícito e por escrito do cliente sobre o uso da ferramenta.

Essa cautela tem lastro técnico. Uma pesquisa do RegLab (Laboratório de Regulação, Avaliação e Governança), da Universidade de Stanford, publicada em 2024 e citada pelo ICL, encontrou que ferramentas de IA voltadas especificamente para o Direito, como a Lexis+ AI, da LexisNexis, e as plataformas Westlaw AI-Assisted Research e Ask Practical Law AI, da Thomson Reuters, alucinam (produzem informação falsa com aparência de correta) entre 17% e 33% das vezes. O estudo é americano, mas mostra que nem um acervo jurídico dedicado elimina o risco de erro.

Onde as visões se separam

O ponto exato da divergência não é se a IA ajuda, as duas fontes concordam que ajuda. É até onde vai o papel da tecnologia dentro de uma atividade que, no Brasil, é privativa de quem tem registro na OAB. O próprio artigo da Migalhas cita, como material relacionado, que a OAB/SP moveu ação judicial contra a Enter por uso de IA em atividades jurídicas. O episódio ilustra concretamente essa fronteira em disputa: até onde uma ferramenta pode organizar e analisar informação jurídica antes de esbarrar no que a lei reserva a quem tem habilitação profissional.

Esse atrito ganha mais peso diante de outro dado do próprio artigo da Enter: 45% dos colaboradores em escritórios de contencioso de massa não foram aprovados no exame da OAB e não têm registro na entidade, muitas vezes exercendo atividades de cunho advocatício fora da regulação da classe. É exatamente esse tipo de delegação, de uma tarefa com peso jurídico para quem não responde formalmente por ela, que a recomendação da OAB de 2024 tenta conter ao exigir revisão humana integral e responsabilização clara antes de qualquer peça ser protocolada.

Em resumo, a separação não é entre usar ou não usar IA. É entre duas leituras do mesmo fato: uma que vê a tecnologia como apoio que expande o acesso à Justiça e remunera melhor o profissional, e outra que vê, no mesmo movimento, risco de diluir a fronteira entre o que é trabalho técnico de apoio e o que é exercício da advocacia propriamente dito, sujeito a sigilo, responsabilidade e fiscalização da OAB.

O que cada caminho implica para você

Quem decide acelerar a adoção de IA no escritório ou no jurídico interno tem, do lado positivo, os números do contencioso de massa: mais vagas, salários mais altos e tempo liberado para estratégia em vez de trabalho mecânico. O custo é operacional: mapear que dados sensíveis trafegam para ferramentas de terceiros, formalizar por escrito o consentimento do cliente sobre o uso de IA, como recomenda a OAB desde 2024, e manter revisão humana completa de qualquer conteúdo gerado antes de ele chegar a um processo.

Quem prefere manter a adoção cautelosa, priorizando a conferência de fontes e evitando delegar análise jurídica a ferramentas de terceiros, se protege do tipo de contestação que resultou na ação da OAB/SP contra a Enter e do risco de erro medido pelo estudo do RegLab de Stanford, entre 17% e 33% mesmo em plataformas jurídicas especializadas. O custo aqui é de ritmo: ficar para trás num mercado em que colegas já relatam ganho de produtividade e remuneração maior, segundo a própria pesquisa da AASP.

O que vale observar daqui para frente é o desfecho da ação da OAB/SP contra a Enter e se a recomendação de 2024 do Observatório Nacional da OAB vira norma obrigatória ou continua como orientação. Enquanto isso não se resolve, cabe a cada advogado decidir em que ponto da régua, entre velocidade e verificação, ele quer operar.

Fontes: Valor Econômico · Migalhas · ICL Notícias

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Quem escreveuRedação AI BrasilRedação

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