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Google impede escolas de ter busca sem ativar a IA do Gemini

A partir de 2027, diretores de escola só podem desligar os resumos de IA da busca do Google desligando a busca inteira. A decisão, anunciada em 3 de novembro, dividiu educadores, pais e até senadores.

Redação AI BrasilRedação

· 6 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

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A questão

Em 3 de novembro de 2026, o Google anunciou uma mudança nas contas escolares que gerou protesto imediato de educadores e políticos nos Estados Unidos. A partir do próximo ano, o acesso à busca do Google, ao assistente Gemini, ao Gemini Notebook e ao Gemini dentro do Google Classroom vai vir desligado por padrão para contas de alunos do ensino fundamental e médio (o chamado K-12 no sistema americano). Administradores escolares precisam ativar cada serviço manualmente.

O problema, segundo reportagens da Wired e do The Verge, é que o Google trata a busca tradicional e os recursos de inteligência artificial como uma coisa só. As AI Overviews (resumos gerados por IA que aparecem no topo dos resultados de busca) e o AI Mode (modo de busca conversacional, parecido com um chatbot) não podem ser desativados separadamente. Se a escola quiser manter a busca do Google funcionando, os resumos de IA vêm junto.

Chris Phillips, vice-presidente de educação do Google, confirmou ao New York Times que não há meio-termo:

A busca e a inteligência artificial estão profundamente integradas.

Search and AI are deeply integrated.Chris Phillips, vice-presidente de educação do Google

Segundo ele, escolas que desativarem os recursos de IA do Google "não terão acesso à busca, e vão ver uma mensagem da própria escola informando que o serviço não está disponível". A mudança chega meses depois de o Google ter ativado o Gemini por padrão dentro do Google Classroom, usado por mais de 150 milhões de professores e alunos no mundo.

Quem defende o quê

De um lado está o próprio Google, que apresenta a mudança como uma ampliação de escolha. No post oficial que anunciou a decisão, a empresa argumenta que as escolas terão "mais opções, não menos", já que agora podem escolher ativar busca, Gemini e Gemini Notebook separadamente, mesmo que não possam separar a IA de dentro da busca. O Google também anunciou o Guided Learning, um recurso que começa a ser testado em escolas selecionadas dos Estados Unidos neste mês e que, segundo a empresa, orienta o aluno a chegar à resposta em vez de entregá-la pronta.

Do outro lado estão famílias, educadores e pesquisadores que veem a medida como uma imposição. Dominique Johnson, do grupo de pais Lake Oswego Parents for Responsible Technology, no Oregon, resumiu a reação:

Ficamos atônitos. Essa decisão torna as coisas ainda mais difíceis para distritos escolares que já concluíram que a IA prejudica o aprendizado básico.

We were flabbergasted. This move makes things even more difficult for school districts that have determined AI is harmful to foundational learning.Dominique Johnson, Lake Oswego Parents for Responsible Technology

A crítica também chegou ao poder público. O senador americano Bernie Sanders classificou a postura do Google como "extorsão". O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, declarou:

Nenhuma empresa deveria ter o poder de ditar como ensinamos nossas crianças.

No corporation should have the power to dictate how we teach our children.Zohran Mamdani, prefeito de Nova York

Rohit Chopra, secretário de Negócios e Serviços ao Consumidor da Califórnia, usou termos parecidos ao dizer que grandes empresas de tecnologia não deveriam poder "forçar a barra" sobre as escolas.

Onde as visões se separam

O ponto central da discórdia não é se a IA deveria existir nas escolas. É se a integração entre busca e IA é uma necessidade técnica, como alega o Google, ou uma escolha de negócio disfarçada de limitação técnica, como alegam os críticos.

Nicole Kerson, ex-gerente sênior de produto da Google Search e hoje à frente da consultoria de estratégia em IA Collected Company, apontou que separar os dois sistemas é tecnicamente possível, só que caro de manter:

É uma questão de saber se eles estão dispostos a manter duas versões da busca no longo prazo. É muito difícil manter um produto bifurcado desse jeito.

It's a question of whether they're committed to maintaining two versions of search in the long run. It's very hard to maintain a forked product like that.Nicole Kerson, ex-gerente sênior de produto da Google Search

Essa leitura ganha força com um contraponto direto: a Microsoft já oferece uma extensão para o navegador Chrome que permite desligar os resumos de IA na busca do Bing, sem desligar a busca inteira. Adeel Khan, ex-professor e diretor escolar que hoje comanda a empresa de chatbots educacionais MagicSchool, chamou a recusa do Google de "irritante, insultuosa e ridícula" por não oferecer o mesmo.

Stephen Aguilar, que codirige o Center for Generative AI and Society da Universidade do Sul da Califórnia (USC), vai na mesma direção e enquadra a decisão como estratégia de retenção:

Distritos com poucos recursos vão cerrar os dentes e dizer: não temos capacidade de bancar a resistência e deixar de usar o Google.

Under-resourced districts will grit their teeth and say, 'We don't have the capacity to dig in our heels and not use Google.'Stephen Aguilar, codiretor do Center for Generative AI and Society, USC

Para o Google, a integração é inerente ao produto. Para os críticos, ela é mantida de propósito porque a empresa já domina o ecossistema escolar americano com Chromebooks, Google Classroom, Busca e YouTube, e não quer abrir mão de nenhuma peça desse conjunto.

O que cada caminho implica para você

Diretor de escola, coordenador pedagógico ou pai que acompanha o conselho de tecnologia da escola do filho vai precisar decidir entre dois caminhos a partir de 2027, sem meio-termo oficial:

OpçãoO que a escola ganhaO que a escola perde
Ativar busca, Gemini e Gemini NotebookAcesso à busca do Google e às ferramentas de IA, incluindo o Guided Learning em testeControle sobre os resumos de IA nos resultados de pesquisa dos alunos
Deixar tudo desligadoNenhuma interferência de IA nas pesquisas dos alunosAcesso à busca do Google por completo

Essa escolha pesa mais quando se olha para os números que motivaram a resistência das escolas. Uma pesquisa feita pelo próprio Google mostra que três em cada quatro adolescentes usam IA semanalmente, mas só cerca de metade confere se a resposta está certa. Um estudo da Universidade Washington em St. Louis, citado pela Wired, encontrou que apenas 42% das AI Overviews puderam ser totalmente verificadas a partir das próprias fontes que elas citam.

Algumas redes já tentaram soluções paralelas: o distrito de Fairfax County, na Virgínia, desenvolveu uma extensão própria de navegador para filtrar os resumos de IA da busca, e outras escolas alteram manualmente o endereço das buscas para tentar evitar o recurso. Nenhuma dessas soluções tem garantia de durar, porque dependem de como o Google estrutura seus resultados, e podem parar de funcionar a qualquer atualização.

Para quem decide trocar de ferramenta, a porta mais citada é a de buscadores menores. A DuckDuckGo, mecanismo de busca focado em privacidade, já sinalizou interesse em atender escolas insatisfeitas. Allison Goodman, porta-voz da empresa, disse que não há um pacote pronto para redes de ensino ainda, mas que a empresa planeja montar recursos voltados a educadores que queiram migrar.

Quem decide ficar com o Google vai conviver com os resumos de IA dentro da busca, e terá como alternativa parcial o Guided Learning, que começa a ser testado neste mês em escolas selecionadas dos Estados Unidos e promete incentivar o aluno a chegar à resposta sozinho em vez de recebê-la pronta. O resultado prático desse teste ainda não tem dados publicados.

Fontes: Wired AI · The Verge — IA

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Quem escreveuRedação AI BrasilRedação

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