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Trend das fotos estilo anos 80 no ChatGPT expõe dados que você não percebe entregar

A moda de transformar selfies em retratos retrô usando o ChatGPT viralizou nas redes, mas especialistas em privacidade alertam que o rosto, a localização e até conversas pessoais podem virar combustível para treinar modelos de IA.

Redação AI BrasilRedação

· 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

Uma selfie vira retrato dos anos 80 (e viral)

Cabelão, grão de foto antiga e cores neon: se o seu feed parece ter voltado no tempo, você não está sozinho. Segundo reportagem da BBC publicada pelo G1 em 12 de outubro de 2026, milhões de pessoas ao redor do mundo estão usando o gerador de imagens do ChatGPT para transformar fotos comuns em retratos com estética dos anos 1980.

O ChatGPT é o chatbot da empresa OpenAI que também sabe criar imagens a partir de instruções de texto, os chamados prompts. Para a moda retrô, o próprio sistema sugere que o usuário envie uma foto real do rosto, que depois volta transformada em pôster nostálgico. O resultado fica convincente e fácil de compartilhar, o que ajudou a tendência a se espalhar rápido pelo Instagram, TikTok e X.

A onda não é a primeira do tipo. Antes dela vieram retratos de infância reimaginados, versões dos usuários como personagens de fantasia e imagens temáticas de datas comemorativas, todas seguindo o mesmo roteiro: você manda uma foto sua, a IA devolve algo bonito para postar.

Por trás da nostalgia, um negócio de dados

Para Catarina Doria, especialista em ética da inteligência artificial ouvida pela BBC, esse tipo de moda não é coincidência. Ela descreve o fenômeno como "fun for data" (traduzido livremente como "diversão por dados"): a troca de informação pessoal por entretenimento, muitas vezes sem que o usuário pare para pensar no que está em jogo.

Essas tendências acontecem porque são benéficas para as empresas de IA generativa. As pessoas são incentivadas a enviar cada vez mais imagens de si mesmas e de outras pessoas.

Catarina Doria, especialista em ética da IA

Quanto mais fotos de rosto em alta qualidade circulam, mais material as empresas de IA têm para aprimorar seus modelos e, em alguns casos, para construir um perfil detalhado de quem está do outro lado da tela.

Seu rosto não tem botão de "esqueci a senha"

Carissa Véliz, professora de filosofia no Instituto de Ética em IA da Universidade de Oxford, reforça o alerta. Para ela, enviar uma foto para uma IA é compartilhar um dos tipos de dado mais sensíveis que existem: o dado biométrico, ou seja, as características físicas que identificam uma pessoa de forma única, como o rosto.

Ao enviar fotos para uma IA, você está compartilhando alguns dos dados mais sensíveis que possui. As imagens podem conter metadados como localização, mas também fornecem dados biométricos.

Carissa Véliz, professora associada de filosofia no Instituto de Ética em IA da Universidade de Oxford

Além do rosto em si, o arquivo da foto costuma carregar metadados, informações escondidas como data, hora e local exatos onde a imagem foi tirada. É um tipo de rastro que a maioria das pessoas nunca olha, mas que fica gravado no arquivo.

A diferença entre uma senha vazada e um rosto exposto é que a senha dá para trocar. O rosto, não.

Você pode trocar sua senha se ela for roubada. Mas não pode trocar de rosto.

Carissa Véliz, professora associada de filosofia no Instituto de Ética em IA da Universidade de Oxford

Doria acrescenta que o risco aqui pode ser maior do que em redes sociais comuns ou até em aplicativos de namoro, porque as fotos enviadas para gerar o retrato retrô costumam ser de alta qualidade e feitas justamente para mostrar o rosto com nitidez. Quando essas imagens se somam a conversas sobre trabalho, relacionamentos e interesses que a pessoa já teve com o chatbot, o resultado é um perfil cada vez mais completo de quem está por trás da tela.

O que a OpenAI diz sobre o controle dos seus dados

Procurada pelo Serviço Mundial da BBC, a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, afirmou que confiança e privacidade são pilares centrais de seus produtos. Segundo a empresa, o usuário mantém controle sobre as próprias informações e pode excluir o histórico de conversas quando quiser.

A companhia também destacou o recurso de Chat Temporário: ao ativá-lo, as conversas não ficam salvas, não são lembradas pelo sistema e não entram no treinamento dos modelos. Treinar um modelo, em termos simples, é o processo pelo qual a empresa usa grandes quantidades de dado, incluindo conversas e imagens enviadas por usuários, para ensinar a IA a responder e gerar imagens cada vez melhores no futuro. Sem o modo temporário ativado, é essa troca que pode acontecer por padrão.

Cinco coisas para fazer antes de entrar na próxima moda de IA

Especialistas ouvidos pela BBC não defendem abandonar o uso de ferramentas de IA, e sim usá-las com mais cautela. As recomendações valem tanto para a moda dos anos 80 quanto para a próxima tendência que surgir:

  1. Não publique fotos de crianças. Elas não têm como dar consentimento informado, então cabe a pais e responsáveis pensar duas vezes antes de deixar essas imagens entrarem num histórico digital permanente.
  2. Prefira fotos de resolução mais baixa. Imagens em alta definição revelam detalhes biométricos mais precisos do rosto.
  3. Escolha ferramentas conhecidas. Plataformas grandes e estabelecidas, como o próprio ChatGPT, costumam ter políticas de privacidade mais claras do que aplicativos desconhecidos que aparecem do nada durante uma moda viral.
  4. Revise as configurações de privacidade. No aplicativo, essa opção costuma ficar dentro de Configurações, na parte de controle de dados, onde dá para impedir que suas conversas e imagens sejam usadas para treinar modelos futuros.
  5. Desligue a memória quando não precisar dela. Alguns chatbots guardam informações de conversas antigas para personalizar respostas futuras. Desativar esse recurso reduz a quantidade de dado pessoal que fica armazenado.

Em resumo: a próxima vez que uma moda de IA aparecer no seu feed, vale parar um segundo antes de enviar a foto. Verificar se o modo de conversa temporária está ligado, evitar imagem em alta resolução e pensar duas vezes antes de incluir uma criança no quadro são gestos simples que não tiram a graça da brincadeira, só reduzem o tanto de dado que sai de graça junto com ela.

Privacidade é poder, porque protege as pessoas contra possíveis abusos.

Carissa Véliz, professora associada de filosofia no Instituto de Ética em IA da Universidade de Oxford

Fonte: g1 Tecnologia

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Quem escreveuRedação AI BrasilRedação

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