Rock in Rio Business: Cultura, Inovação e o Papel da IA na Experiência do Fã
Durante o AI Brasil Experience, o CEO do Rock in Rio, Luiz Justo, subiu ao palco principal do evento para compartilhar a visão por trás de um dos maiores festivais de música do mundo — e como a cultura de inovação e o uso estratégico da Inteligência Artificial (IA) estão moldando o futuro da experiência […]
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Durante o AI Brasil Experience, o CEO do Rock in Rio, Luiz Justo, subiu ao palco principal do evento para compartilhar a visão por trás de um dos maiores festivais de música do mundo — e como a cultura de inovação e o uso estratégico da Inteligência Artificial (IA) estão moldando o futuro da experiência do público.
Mais do que uma palestra sobre tecnologia, Justo apresentou uma aula sobre propósito, coragem e valor percebido. Seu ponto central: “toda transformação tecnológica começa na cultura”.

A cultura antes da ferramenta
Para o executivo, adotar IA ou qualquer tecnologia sem o alicerce certo é um erro comum.
“Eu resolvi ampliar um pouco a conversa, porque… a partir daí [da cultura] sim a gente entende a melhor forma de aplicação dessas ferramentas”, afirmou.
Segundo Justo, é preciso criar um ambiente de experimentação, aprendizado e incentivos antes de investir em inovação. A IA, nesse contexto, não é um fim, mas um meio de elevar a eficiência e a experiência do cliente.
Da commodity à experiência: a nova lógica de valor
Inspirado pela filosofia “All Business is Show Business”, Justo defende que todo negócio precisa aprender com o entretenimento a construir experiências memoráveis.
“Cliente não compra produto ou serviço; cliente compra proposta de valor”, destacou.
Ele apresentou exemplos que ilustram essa mudança de paradigma:
- Nespresso, que transformou o café — uma commodity — em uma jornada de consumo premium.
- Uber, que agrega valor à experiência com previsibilidade, pagamento simplificado e eficiência.
No Rock in Rio, essa filosofia se traduz em pertencimento e comunidade: o Rock in Rio Card, o Rock in Rio Club e a lembrada “lama de 85” são símbolos de uma experiência que vai muito além do evento.
IA e tecnologia: ferramentas para potencializar emoção
Ao falar sobre a aplicação prática de IA, Justo destacou que a tecnologia deve amplificar o encantamento, não substituí-lo.

O festival já adota soluções como realidade aumentada (RA) para navegação e conteúdo interativo, reconhecimento facial para segurança, drones para operações em tempo real e análise intensiva de dados para melhorar fluxos e decisões.
Além disso, tecnologias criativas como ChatGPT e Midjourney estão sendo exploradas para acelerar processos de criação e planejamento.
“Não é a IA que vai roubar seu emprego. Quem souber usar IA é que vai roubar seu emprego”, provocou o CEO, arrancando risos e reflexões da plateia.
Curadoria em um mundo de abundância tecnológica
Justo ressaltou que a IA se tornou uma commodity — o diferencial agora está na curadoria das ferramentas certas.
Ele defende ciclos curtos de experimentação: testar, medir e escalar apenas o que prova valor.
“A tecnologia está em todo lugar. O segredo está em escolher a certa para o objetivo certo”, pontuou.
Coragem moral e insatisfação produtiva: motores da inovação
Outro tema central da fala foi a coragem aplicada à inovação. Para Justo, inovar não é apenas ter boas ideias, mas decidir com propósito, mesmo diante do risco.
“Coragem tem muito a ver com inovação… pode dar certo e pode dar errado, e decidimos com dados e segurança”, afirmou.
Ele relembrou que o próprio Rock in Rio nasceu de um espírito ousado — em meio à instabilidade econômica dos anos 80 — e se tornou uma marca global com edições em Lisboa, Madrid e Las Vegas, impactando mais de 10,5 milhões de pessoas ao vivo e gerando mais de 2.000 horas de música.
Essa mentalidade, segundo Justo, se mantém viva na equipe:
“Nossa cultura é sonhar e fazer acontecer.”
Inovação com propósito e inclusão
A palestra também trouxe exemplos de inovação motivada por propósito e acessibilidade, como o ingresso digital antifraude e o Espaço Sinto Som, que permite que pessoas com deficiência auditiva sintam a vibração da música por meio de coletes vibratórios.
“Só tem duas coisas que motivam a inovação: necessidade e propósito”, reforçou.
Lições práticas para empresas
Encerrando sua fala, Justo deixou recomendações diretas ao público corporativo:
- Comece pela cultura: fortaleça rituais de aprendizado e crie um manifesto de propósito.
- Defina a proposta de valor antes da tecnologia: entenda o cliente e escolha ferramentas que melhorem a jornada.
- Pratique curadoria: construa repertório, rode pilotos e escale o que entrega valor real.
- Priorize experiência e inclusão: invista em acessibilidade e pertencimento.
- Mantenha a “insatisfação produtiva”: revise metas e aprimore continuamente.
- Meça o que importa: combine eficiência com impacto emocional e fidelização.
O futuro da inovação é humano
Encerrando a apresentação, Justo citou um paralelo simbólico com a música dos Rolling Stones:
“A verdade é que o nome dessa música não é ‘Satisfaction’, e sim ‘I Can’t Get No Satisfaction’… é justamente sobre uma insatisfação que começa a nossa história.”
Essa “insatisfação produtiva”, segundo o CEO, é o que mantém o Rock in Rio em movimento — e o que deve inspirar qualquer empresa a inovar com propósito, coragem e cultura.




