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Pesquisa da SAP mostra que só 7,9% das empresas brasileiras usam IA de ponta a ponta

Pesquisa da SAP com a Oxford Economics mostra que a maioria das empresas brasileiras ainda não saiu da fase de teste com IA, e o gargalo não é falta de orçamento: é dado desorganizado e falta de governança.

Redação AI BrasilRedação

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Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

O investimento sobe, mas a maioria ainda está testando

Segundo a pesquisa The Value of AI: Brazil 2026, feita pela SAP em parceria com a consultoria Oxford Economics, o investimento médio em inteligência artificial das empresas brasileiras subiu de US$ 14,2 milhões para US$ 20,2 milhões em relação ao ciclo anterior do levantamento. A projeção é de alta superior a 46% nos próximos dois anos. O dinheiro está entrando. O problema é o que acontece depois que ele entra.

Um levantamento feito pela MIT Technology Review Brasil mostra que 99% dos profissionais de tecnologia enxergam os agentes de IA (sistemas que executam tarefas de forma autônoma, sem precisar de um comando para cada passo) como o centro estratégico dos negócios até 2029. Mas a pesquisa da SAP revela a distância entre essa expectativa e a prática: mais de 68% das empresas brasileiras ainda estão em estágio inicial de exploração, e apenas 7,9% integraram a tecnologia de ponta a ponta nos processos centrais do negócio.

Para quem assina orçamento, esse número de 7,9% importa mais do que qualquer projeção de crescimento. Ele diz que, mesmo com o investimento subindo, converter esse investimento em operação real ainda é raro.

A confiança não acompanha o cheque assinado

Rui Botelho, presidente da SAP Brasil, resume o problema do lado de quem decide.

65% desses ativos não estão convencidos de que as iniciativas de IA que estão fazendo estão entregando todo o potencial que poderiam.

Rui Botelho, presidente da SAP Brasil

Mais de seis em cada dez empresas colocaram dinheiro, tempo de equipe e atenção da liderança em projetos de IA e ainda não sabem se isso valeu a pena. Essa é a métrica que separa ter IA de ter retorno de IA. E é a pergunta que um conselho deveria fazer antes de aprovar o próximo aumento de orçamento: qual processo específico essa iniciativa melhorou, e por quanto.

Governança virou o novo centro de custo invisível

Enquanto a diretoria discute orçamento, a ferramenta já entrou pela porta dos fundos. A pesquisa descreve o fenômeno do shadow AI, o uso informal de ferramentas de inteligência artificial sem aprovação ou acompanhamento da área de tecnologia. Esse uso descontrolado já compromete a consistência das entregas em 50% das empresas, expõe risco de vazamento de dados em 43% e ameaça a segurança da informação em 33% dos casos.

No Brasil, vazamento de dado pessoal não é só risco reputacional, é risco regulatório direto. A Lei Geral de Proteção de Dados prevê multa de até 2% do faturamento da empresa no país, limitada a R$ 50 milhões por infração, quando há violação no tratamento de dados pessoais. Um funcionário colando dado de cliente num chat de IA não homologado pode custar mais caro do que a licença de qualquer ferramenta corporativa aprovada.

O obstáculo não é o modelo, é o dado desorganizado

Apesar de 77% das lideranças reconhecerem o potencial disruptivo dos agentes autônomos, apenas 3% das empresas brasileiras se consideram maduras o suficiente para escalar esse uso, segundo a mesma pesquisa. O motivo mais citado pelos executivos não é a tecnologia em si: 75% apontam a fragmentação e a desorganização dos dados internos como principal obstáculo, e 65% enfrentam falta de gente capacitada para tocar esses projetos.

Adriana Aroulho, presidente da SAP para a América Latina e o Caribe, descreve esse gargalo em termos de risco de confiabilidade.

A Inteligência Artificial genérica não é suficiente para o ecossistema empresarial. A gente disse que 80% não é suficiente; 80% é risco quando a gente está falando de uma empresa que precisa de governança e dados confiáveis.

Adriana Aroulho, presidente da SAP para a América Latina e o Caribe

Na prática, isso significa que comprar acesso a um modelo de linguagem genérico não resolve o problema de uma empresa cujos dados de estoque, cliente e fornecedor estão espalhados em planilhas, sistemas legados e silos que não conversam entre si. O modelo pode ser excelente, mas se o dado que ele recebe é ruim, a decisão que ele ajuda a tomar também é.

No agronegócio, o teste real é juntar o que nunca se falou

O setor que mais aparece como exemplo de integração complexa na pesquisa é o agronegócio. Ali, a dificuldade é conectar variáveis que historicamente nunca se falaram entre si: previsão do tempo, cronograma de safra, compra de insumo, logística de transporte e fechamento financeiro com o comprador.

O cenário descrito pela pesquisa é concreto: se um carregamento de defensivo agrícola atrasa, um sistema integrado de ponta a ponta recalibra o ritmo das máquinas na lavoura, renegocia a janela de transporte, avisa a equipe comercial e ajusta a projeção de caixa, tudo de forma automática. É esse tipo de cadeia, e não um chatbot isolado, que separa testar IA de operar com IA.

Na ponta, o ganho de tempo já aparece, com uma condição

No nível operacional (compras, RH, classificação fiscal, montagem de assistentes internos), o ganho já é mensurável. Rogério Ceccato, líder de arquitetura para a América Latina na SAP, descreve a mudança no ciclo de desenvolvimento de agentes internos.

A criação desses agentes de forma tão rápida impacta significativamente os negócios. Podemos reduzir um processo que levaria de 3 a 4 meses de desenvolvimento para apenas 15 minutos. Isso se traduz em velocidade de resultados, redução de custos e disponibilidade do recurso humano para ter um tempo maior pensando estrategicamente na companhia, operando dentro de um ambiente de extrema confiabilidade e governança.

Rogério Ceccato, líder de arquitetura para a América Latina na SAP

A ressalva vem do mesmo executivo: esse ganho de velocidade só vale alguma coisa se estiver amarrado a regra de acesso, trilha de auditoria e rastreabilidade do que o agente fez e com qual dado. Sem isso, 15 minutos de desenvolvimento viram meses de correção quando alguém descobre que o agente tinha acesso a um dado que não devia ter.

O que fica para quem assina o orçamento de IA

A conclusão que dá para tirar dessa pesquisa não é sobre qual fornecedor escolher. É sobre o que precisa estar pronto antes de qualquer fornecedor entrar. Três perguntas que o material sugere colocar na mesa antes do próximo investimento:

  • O dado que vai alimentar esse agente está organizado, atualizado e sob um único ponto de governança, ou está espalhado em planilhas e sistemas que não se falam?
  • Existe uma política formal de uso de IA na empresa, ou o time está resolvendo isso por conta própria em ferramentas não homologadas?
  • Quem no comitê executivo é responsável por decidir qual agente resolve qual problema de negócio, com que métrica de retorno?

Christian Geronasso, diretor de desenvolvimento de negócios da SAP, resume por que a terceira pergunta não desaparece com mais tecnologia.

As lideranças humanas nunca vão deixar de existir. O principal vem da pessoa que dá o direcionamento dentro das áreas. Se a prioridade e o drive não vêm da gestão, a IA perde o propósito do que está sendo aplicado dentro de cada processo de negócio.

Christian Geronasso, diretor de desenvolvimento de negócios da SAP

O investimento brasileiro em IA vai continuar subindo, isso a pesquisa projeta com razoável segurança. A pergunta que separa os 7,9% dos outros 92% não é quanto a empresa gastou: é se alguém, antes de gastar, organizou o dado e decidiu o que esperar em troca.

Fonte: MIT Technology Review Brasil — IA

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Quem escreveuRedação AI BrasilRedação

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