Marketing na era da IA: dados, estratégia e o fim do improviso digital
Bruno Melo, cofundador da ManyContent e especialista em Marketing e Inteligência Artificial, apresentou uma visão clara e provocativa sobre como a IA está transformando a forma de fazer marketing digital
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Em uma palestra que reuniu profissionais de marketing, comunicação e tecnologia, Bruno Melo, cofundador da ManyContent e especialista em Marketing e Inteligência Artificial, apresentou uma visão clara e provocativa sobre como a IA está transformando a forma de fazer marketing digital. O encontro, realizado durante um evento profissional, abordou o impacto da IA nos processos de criação, distribuição e mensuração de conteúdo — e como os dados se tornaram o novo combustível da criatividade.

Marketing e IA: a matemática por trás da criatividade
Logo no início, Melo fez uma provocação: “Marketing é matemática. IA também.” Segundo ele, tanto o marketing quanto a inteligência artificial dependem da capacidade de analisar números, interpretar métricas e tomar decisões baseadas em dados — não em intuição.
Para o especialista, a maior barreira para esse processo não é técnica, mas comportamental: “A falta de tempo — e muitas vezes a preguiça — de olhar para os dados disponíveis impede as empresas de enxergar o que realmente funciona.”
O cenário digital brasileiro
Com base em dados do Data Reportal, Melo apresentou um retrato do ambiente digital no Brasil:
- 144 milhões de brasileiros estão ativos nas redes sociais todos os meses;
- 66% dos consumidores pesquisam o perfil de uma marca antes de comprar;
- E a falta de publicações por apenas uma ou duas semanas pode levar o cliente a desistir da compra.
“Hoje é posto, logo existo. A presença digital se tornou prova de existência e de confiabilidade. Se a marca não aparece, o consumidor acredita que ela não existe mais”, afirmou.
A luta contra o algoritmo
Com o avanço da IA generativa, a produção de conteúdo aumentou 40% nos últimos meses — mas o engajamento caiu 28%. Segundo Melo, o motivo é simples: os algoritmos das redes sociais priorizam conteúdo de qualidade que mantém o usuário mais tempo na plataforma.
“A tua luta é contra o algoritmo”, disse. “Ele sempre vai buscar entregar o que é bom, o que prende o público. Quem não entende isso, acaba gerando volume sem relevância.”
Estratégia e jornada do conteúdo
Durante a palestra, Melo apresentou o conceito do Caminho do Conteúdo, que divide a jornada do seguidor em três momentos:
- Conteúdo do Presente, voltado para atrair novos seguidores;
- Conteúdo do Passado, aquele que compõe o feed e convence o visitante a seguir a marca;
- E Conteúdo do Futuro, que aprofunda o relacionamento e transforma seguidores em clientes.
Ele também destacou a Regra 90/10: 90% do conteúdo deve ser educativo e inspiracional, e apenas 10% voltado à conversão direta. “Seguidor não paga a conta”, enfatizou, defendendo que as empresas priorizem conteúdo que gere valor antes de tentar vender.
IA como parceira estratégica
Melo alertou contra o uso superficial da inteligência artificial. “O problema não é usar IA. É usar mal”, afirmou. Ele criticou o comportamento do chamado ‘maluco do prompt’, que produz conteúdo em massa sem estratégia, e defendeu o uso inteligente de ferramentas como o MailChimp, que utiliza aprendizado de máquina para otimizar o horário de envio de campanhas, e a própria ManyContent, que analisa mais de 200 milhões de posts para gerar conteúdo com maior potencial de sucesso.
“A melhor coisa do mundo não é fazer tudo, é fazer o básico muito bem feito. A IA deve ser usada para amplificar o que já é bom — não para mascarar o que falta estratégia”, concluiu.
Principais lições do workshop
- Priorizar dados: Decisões devem ser guiadas por métricas e não por achismos.
- Manter consistência: Publicações regulares são sinônimo de confiabilidade.
- Aplicar a regra 90/10: Foque em gerar valor, não apenas vender.
- Usar IA com propósito: Inteligência artificial deve servir à estratégia, e não substituí-la.
- Cautela com memes: Conteúdos virais sem alinhamento com a marca podem atrair público errado.




