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DeepSeek libera motor de inferência que tinha engavetado em 2025, mas ele só roda com 128 GPUs

A DeepInfer, publicada em outubro de 2026, traz o motor de inferência que a DeepSeek disse não poder abrir em abril de 2025. Só que falta cache, falta balanceamento de carga e a configuração mínima recomendada já começa em 128 GPUs.

Redação AI BrasilRedação

· 6 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

O que a DeepSeek realmente publicou

A DeepSeek abriu em outubro de 2026 o repositório DeepInfer, que dá suporte a um único modelo: o DeepSeek-V4.1-Flash, uma mistura de especialistas de 552 bilhões de parâmetros lançada em 10 de setembro de 2026. O README descreve a publicação como inferência offline: o motor, os kernels e o escalonador estão lá, mas nenhum servidor de API é documentado, segundo a reportagem da ActuIA de 24 de outubro de 2026.

Junto do motor veio o deepseek-recipe, um conjunto de bibliotecas em Rust que converte requisições das APIs Chat Completions, Responses e Messages em sequências de tokens e que interpreta as saídas do modelo, incluindo raciocínio e chamadas de ferramenta. A DeepSeek afirma que a lógica do deepseek-recipe está alinhada com a API oficial, de forma que um provedor terceiro obteria o mesmo comportamento de API. Mas quem for hospedar ainda precisa entregar a inferência em si, a execução das ferramentas e o transporte HTTP: nenhuma dessas três partes vem pronta.

O que falta para virar um serviço em produção

O próprio README lista o que falta para um serviço completo: um sistema de cache KV, a separação das fases de codificação de imagem, prefill e decode em máquinas distintas, e o balanceamento de carga entre réplicas de prefill e decode. O prefill processa o prompt de entrada; o decode gera a resposta token por token. Sobre a separação de fases, a documentação diz que a maior parte dos recursos de motor necessários já está implementada.

As outras duas peças, cache KV e balanceamento de carga, continuam descritas como fortemente acopladas à infraestrutura interna da DeepSeek, com código ainda não totalmente aberto. O cache KV depende do 3FS, o sistema de arquivos distribuído que a empresa abriu em fevereiro de 2025: cerca de 100 pebibytes de SSD, com retenção de três dias para tráfego de agentes e sete dias para tráfego de chatbot. O sistema de inferência tem quatro balanceadores (prefill, decode, codificador de imagens e especialistas), e só o de especialistas está no código publicado. Segundo o documento, o conjunto atinge cerca de 80% de um benchmark offline perfeitamente equilibrado.

A escala mínima já começa em 128 GPUs

Uma instância de prefill e uma de decode bastam para um deployment, mas a configuração recomendada para o decode distribui os especialistas entre 64 e 128 GPUs, com proporção de prefill para decode de cerca de 1 para 1. Isso coloca a menor unidade eficiente em 64 GPUs de prefill mais 64 de decode, ou seja, 128 GPUs para começar.

A DeepSeek recomenda ainda que os nós fiquem em data centers distintos mas próximos, com cerca de 400 Gbit/s de interconexão por grupo de oito GPUs. Na prática, a DeepInfer não é um projeto para clonar e rodar numa máquina de desenvolvimento, nem para um time pequeno testar localmente. Ela foi desenhada para quem já opera cluster de GPU em escala de provedor de nuvem, o que deixa de fora a maioria dos times que hoje consomem a API da DeepSeek via provedores já existentes.

Os números de receita não provam custo nem margem

O documento de perguntas e respostas publicado junto do código diz que um único cluster serve 155 trilhões de tokens por dia, com receita global de 38 dólares por GPU-hora no horário de menor demanda (metade do valor no horário de pico). É receita, não custo nem margem, e o documento não informa o tamanho do cluster, o chip usado, a proporção de tokens de entrada nem se esse valor é efetivamente cobrado ou apenas teórico.

DataModeloReceita por GPU-horaBase do cálculo
1º de março de 2025V3 e R1US$ 12,9 (calculado pela ActuIA)226,75 nós de 8 H800 em média, 776 bilhões de tokens em 24h, valor teórico de US$ 562.027
Outubro de 2026V4.1-FlashUS$ 38 (dito pela DeepSeek)155 trilhões de tokens/dia, escopo e tipo de GPU não informados

O valor de 2026 é quase três vezes maior que o de 2025, mas a comparação é indireta: o modelo e a tabela de preços mudaram, o número de 2025 era teórico e o de 2026 não tem escopo definido. Os dois vêm de dados da própria DeepSeek, sem auditoria externa.

Do recuo de abril de 2025 à virada de outubro de 2026

Em abril de 2025, a DeepSeek havia recusado abrir seu motor interno, alegando três motivos: um fork antigo do vLLM, acoplamento estreito com a infraestrutura interna (incluindo ferramentas de gestão de cluster) e uma equipe de pesquisa pequena demais para manter um projeto grande. Na época, prometeu contribuir com projetos já existentes em vez de abrir o próprio código.

Dezoito meses depois, o README da DeepInfer ainda credita o vLLM como base original, com SGLang e TensorRT-LLM como inspiração, e usa exatamente o mesmo argumento de acoplamento à infraestrutura interna para justificar por que o cache KV e o balanceamento de carga continuam fora. A DeepSeek não explica a mudança de posição. Dois elementos são novos: o motor passa a mirar mais de um fabricante de chip, NVIDIA e Huawei, e o código de inferência dos próximos modelos deve continuar sendo publicado ali.

NVIDIA tem suporte completo, Huawei ainda não

O suporte entre fabricantes é desigual. Do lado NVIDIA, só a arquitetura SM100, a dos Blackwell de data center, está na lista: H100 e H200 ficam de fora. Do lado Huawei, a DeepInfer exige a caixa de ferramentas CANN 9.2, e a DeepSeek havia portado DeepGEMM-Ascend e DeepEP-Ascend para os Ascend 950 em 30 de setembro de 2026.

RecursoNVIDIAHuawei
Arquitetura suportadaSó SM100 (Blackwell datacenter)Ascend 950, via CANN 9.2
Inferência invariante ao loteDisponívelNão disponível
Amostragem determinísticaDisponívelNão disponível
Gráficos de desempenho no READMESim (prefill em 4 GPUs, decode em 64)Não

Inferência invariante ao lote significa que o mesmo prompt gera a mesma saída independentemente da composição do lote de requisições processado junto, e esse comportamento, junto com a amostragem determinística, só está disponível na NVIDIA. Os dois gráficos de desempenho do README, de prefill em 4 GPUs SM100 e decode em 64, foram medidos na NVIDIA e o texto não traz nenhum número junto. Até 20 de outubro de 2026, segundo a Bloomberg, nenhum benchmark independente da DeepInfer havia sido publicado.

O que ainda fica em aberto

A página no Hugging Face do DeepSeek-V4.1-Flash-1017, o checkpoint padrão da DeepInfer publicado em 17 de outubro de 2026, detalha um deployment com vLLM e SGLang e não cita a DeepInfer em nenhum momento. O V4.1-Pro, que o anúncio do V4.1-Flash já tratava como próximo passo, segue sem data, e a DeepSeek não o menciona em relação à DeepInfer.

Para quem já opera inferência em produção no Brasil, o recado prático é direto: a DeepInfer não substitui vLLM ou SGLang hoje, porque faltam cache KV e balanceamento de carga prontos para uso, e a configuração mínima recomendada (128 GPUs, interconexão de 400 Gbit/s) está fora do alcance da imensa maioria dos times. O valor real do repositório, por enquanto, é documentar como a DeepSeek roda seu próprio serviço e sinalizar que o código de inferência dos próximos modelos deve sair por ali, o que vale acompanhar antes de decidir se compensa migrar algo.

Fonte: ActuIA

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Quem escreveuRedação AI BrasilRedação

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