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Como professores estão usando IA para engajar alunos, sem abrir mão do julgamento pedagógico

No Dia do Professor, docentes de escolas públicas e privadas contam como usam ChatGPT e outras ferramentas de IA para prender a atenção da turma e adaptar aulas, mas insistem: a tecnologia só funciona quando o professor sabe por que está usando.

Redação AI BrasilRedação

· 8 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

# Como professores estão usando IA para engajar alunos, sem abrir mão do julgamento pedagógico

No Dia do Professor, docentes de escolas públicas e privadas contam como usam ChatGPT e outras ferramentas de IA para prender a atenção da turma e adaptar aulas, mas insistem: a tecnologia só funciona quando o professor sabe por que está usando.

No Dia do Professor, docentes de escolas públicas e privadas contam como usam ChatGPT e outras ferramentas de IA para prender a atenção da turma e adaptar aulas, mas insistem: a tecnologia só funciona quando o professor sabe por que está usando.

Nota da redação: esta reportagem baseia-se integralmente em uma única fonte, a reportagem da Agência Brasil publicada em 15/10/2026. Os relatos, citações e dados de conectividade escolar aqui reproduzidos refletem o que foi apurado por aquele veículo e não foram checados de forma independente por esta redação.

O vídeo que viralizou e o que ele realmente mostra

Em reportagem publicada pela Agência Brasil em 15/10/2026, a professora Giovanna Macedo, de Campinas (SP), conta como usou o ChatGPT para mostrar a seus 31 alunos do 4º ano, de 9 e 10 anos, como eles ficariam no futuro exercendo a profissão dos sonhos. O material foi produzido em 2025 a partir de fotos dos próprios estudantes da Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, em bairro de periferia de Campinas, e viralizou nas redes.

O que chama atenção não é o truque visual em si, mas o motivo por trás dele. Giovanna não tem formação específica em inteligência artificial (o termo que descreve sistemas treinados para gerar texto, imagem ou som a partir de comandos em linguagem natural) e usa a ferramenta de forma intuitiva, como recurso para produzir materiais visuais mais atraentes.

Mais do que utilizar uma tecnologia nova, nosso papel é encontrar formas de despertar a curiosidade das crianças, fortalecer a autoestima e ampliar os horizontes delas. Quanto mais conseguirmos mostrar o que são capazes de aprender, criar e sonhar, mais sentido terá o nosso trabalho.

Giovanna Macedo, professora da rede estadual de Campinas (SP)

Para quem dá aula, o caso mostra algo replicável sem domínio técnico: a IA generativa entrou pela porta da criatividade pedagógica, não de um curso de programação. O risco é parar aí, no efeito bonito, sem perguntar o que o aluno aprendeu com aquilo.

Acesso fácil não é o mesmo que uso crítico

Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School, no Rio de Janeiro, resume um problema que todo professor de sala de aula reconhece: o aluno nasceu com celular na mão, mas isso não significa que saiba usar a informação que recebe.

Uma criança pode ter facilidade para mexer no celular e, ainda assim, não saber pesquisar com profundidade, identificar uma informação falsa ou compreender os riscos de compartilhar determinados dados.

Kassula Correa, diretora-geral da Start Anglo Bilingual School (RJ)

Essa distância entre manusear o aparelho e pensar com ele é o espaço onde o professor continua insubstituível. Kassula defende que a escola mantenha o papel de ambiente de convivência e desenvolvimento socioemocional, mesmo com a tecnologia avançando dentro da sala.

O atalho que vira entrega vazia

O ângulo mais delicado da reportagem aparece quando os entrevistados falam do uso da IA pelo próprio aluno, não só pelo professor. Marcio Luiz Dias, doutorando em Educação e formador de professores da rede pública do Distrito Federal há 13 anos, defende que cabe ao docente estabelecer que a IA sirva como apoio para o estudante pensar, não como substituto do pensamento.

Reconheço que isso não é fácil, mas o caminho do letramento digital, da formação docente, de estipular e cobrar a análise, a síntese e a argumentação do aluno já foram testados com sucesso.

Marcio Luiz Dias, formador de professores da Secretaria de Educação do DF

Na mesma linha, o professor Jaime Guilherme de Oliveira, que ensina computação gráfica a adolescentes de 14 a 18 anos no Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional (CEMI) de Taguatinga (DF), reforça que o problema não é a ferramenta, é a ausência de propósito em quem a usa.

A ferramenta pode fazer muito por nós, mas a intenção, a sensibilidade, o pensamento crítico e a responsabilidade continuam sendo essencialmente humanas.

Jaime Guilherme de Oliveira, professor do CEMI de Taguatinga (DF)

Na prática, isso dá ao professor um critério simples para avaliar qualquer tarefa feita com IA, seja do aluno, seja dele mesmo: se o resultado sai sem que ninguém precise entender o raciocínio por trás, é atalho. Se exige do aluno decidir o quê perguntar, como usar a resposta e o que descartar, é aprendizado.

Onde a IA já libera tempo de professor

O relato de Jaime Guilherme detalha usos concretos que vão além do efeito viral: criação de conteúdo para aulas expositivas, planejamento de atividades por turma, elaboração de avaliações adaptadas a alunos com neurodivergências e desenvolvimento de jogos para fixação de conteúdo. Um deles, batizado Arena ABNT, ensina de forma lúdica as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para escrita acadêmica, criado por ele com o ChatGPT.

Marcio Luiz Dias generaliza esse ganho: a IA ajuda a automatizar tarefas burocráticas e repetitivas, liberando tempo que o professor usaria para estudar, planejar aulas e acompanhar individualmente cada estudante. Kassula Correa complementa com um ponto que separa uso de automação de uso de substituição: a escolha de qual estratégia pedagógica cabe a cada turma continua sendo decisão exclusivamente humana, porque avaliar o desenvolvimento de uma criança exige entender seu percurso, não só gerar material mais rápido.

Em resumo, a lista de tarefas em que a IA já ajuda inclui:

  • Diversificar exercícios e adaptar níveis de dificuldade
  • Elaborar planos de aula e materiais visuais
  • Agilizar correções objetivas
  • Criar avaliações adaptadas a necessidades específicas
  • Produzir jogos e dinâmicas de fixação de conteúdo

A formação continuada ainda é o gargalo

Marcio Luiz Dias aponta um problema estrutural que explica por que tanto professor usa IA de forma intuitiva, como Giovanna Macedo, em vez de com formação específica: o currículo das licenciaturas não acompanha a velocidade das mudanças tecnológicas.

No campo digital, as mudanças ocorrem em velocidade tão rápida que torna praticamente impossível que o currículo das faculdades esteja sempre atualizado.

Marcio Luiz Dias, formador de professores da Secretaria de Educação do DF

No Distrito Federal, a Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (EAPE) oferece cursos como Linguagens Digitais e IA na Prática Docente, além de pós-graduação em Proficiência em Tecnologias Digitais, caminho que o próprio Jaime Guilherme percorreu antes de incorporar a IA à rotina de sala de aula. A orientação da Secretaria de Estado de Educação do DF, segundo Marcio, é que a formação vá além do uso instrumental da ferramenta e chegue ao uso crítico, colaborativo e com intenção pedagógica clara, conforme o Currículo em Movimento das Escolas Públicas do DF.

O que ainda está em aberto: a resolução do MEC

O Ministério da Educação (MEC) informou à Agência Brasil que prepara uma resolução nacional sobre uso de inteligência artificial na educação, sem data definida para publicação. O objetivo declarado é ampliar o uso pedagógico da tecnologia, preservar a autonomia docente e garantir proteção aos estudantes, segundo nota do MEC citada na reportagem.

A partir da resolução, o país passa a contar, de forma inédita, com um parâmetro nacional unificado para orientar a adoção consciente e ética da inteligência artificial em todas as etapas de ensino.

Ministério da Educação (MEC), em nota à Agência Brasil

Enquanto a resolução não sai, cada escola e cada rede decide sozinha como regular o uso de IA por aluno e por professor. Isso explica por que as experiências relatadas na reportagem, de Campinas ao Distrito Federal, nasceram de iniciativa individual de cada docente, não de uma diretriz nacional.

O que a infraestrutura ainda não resolve

Um dado contextualiza o tamanho do desafio fora das grandes capitais: em julho de 2026, 108.658 escolas públicas estavam conectadas dentro dos parâmetros de qualidade considerados adequados pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec) do MEC, o equivalente a 78,7% das 138.086 escolas monitoradas. Ou seja, mais de duas em cada dez escolas ainda não têm conectividade nos níveis 4 e 5 do Indicador Escolas Conectadas (Inec), a métrica usada pelo próprio ministério.

Isso significa que, para boa parte da rede pública, a conversa sobre IA generativa em sala de aula ainda esbarra em algo mais básico: internet estável. O caso de Jaime Guilherme, que leciona computação gráfica para adolescentes que muitas vezes não têm computador em casa, ilustra que o uso pedagógico de IA no Brasil caminha em velocidades bem diferentes dependendo da escola.

Para o professor que quer começar

Nenhum dos entrevistados defende abandonar o quadro e o caderno. Kassula Correa valoriza as estratégias que os professores desenvolveram ao longo dos anos com quadro, livros, papel e criatividade, e defende aproximar essa experiência das novas tecnologias sem descartá-la. Giovanna Macedo, que usa a IA de forma intuitiva, vê na ferramenta um complemento às práticas que já funcionam em sala de aula, não uma substituição delas. O ponto de partida sugerido pelos próprios profissionais ouvidos pela Agência Brasil não é dominar a ferramenta antes de usá-la, é começar por uma pergunta simples: qual problema concreto da minha turma esta tarefa resolve?

Se a resposta for clara (engajar um aluno desmotivado, adaptar uma avaliação a um estudante com dificuldade específica, ganhar tempo numa correção repetitiva), a IA tende a somar. Se a resposta for vaga, o risco é produzir conteúdo bonito e vazio, o mesmo atalho que os professores entrevistados dizem já identificar nos próprios alunos.

Fonte: Agência Brasil

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