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Na indústria, a IA que funciona hoje tira atrito do cadastro, não decide pela fábrica

Consultor que implanta ERP e automação em fábricas separa o que já reduz retrabalho do que ainda é discurso de vendedor, e explica por que o gargalo quase nunca é o algoritmo.

Sérgio TavaresColunista

· 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Sérgio Tavares. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

A promessa era grande, o que sobrou é mais simples

A inteligência artificial chegou à indústria prometendo fábrica autônoma, decisão sem gente no meio e custo despencando. Na prática, o que já roda em chão de fábrica é mais modesto. É o que defende Odair Gollo, consultor sênior de implantação de ERP e desenvolvedor na Azimut do Brasil (fabricante de iates de luxo) e sócio da 19 Projetos de Tecnologia Ltda, em entrevista publicada pelo jornal A Crítica em 16 de outubro de 2026.

A IA que dá resultado hoje na indústria é discreta. Ela não substitui a fábrica, ela tira atrito dela.

Odair Gollo, consultor de implantação de ERP

Onde a IA já entrega: tira trabalho chato de cima da equipe

Para Gollo, o ganho concreto está nas tarefas repetitivas e de alto volume, não em decisão estratégica. O caso mais maduro é o assistente virtual interno, o chatbot que responde dúvida de colaborador sobre processo e sistema sem passar pelo suporte técnico.

O chatbot bem treinado reduz a fila do suporte e libera a equipe técnica para o que exige raciocínio.

Odair Gollo

A outra frente é a automação de cadastro: leitura de documento, conferência de dado e lançamento automático em sistema. Na prática, é nota fiscal, pedido de compra ou ficha técnica que seria digitada à mão entrando sozinha no ERP, com revisão humana só na exceção. Gollo chama isso de trabalho invisível: "é onde a empresa perde dias", e quando isso passa a levar horas, o efeito aparece no caixa.

O que ainda não existe: fábrica que se gerencia sozinha

A fábrica que decide por conta própria continua distante, e o motivo raramente é o algoritmo. Para Gollo, o problema é a base de dado.

IA depende de dado confiável. Se o processo está mal desenhado e o cadastro está sujo, a inteligência artificial só vai errar mais rápido.

Odair Gollo

O diagnóstico não é só brasileiro. Gollo está abrindo uma empresa de tecnologia na Flórida voltada a automação de processos e integração de sistemas, e diz enxergar o mesmo gargalo em empresas americanas de portes diferentes: sistema que não conversa com sistema, decisão tomada com dado incompleto. Vale o alerta para quem acha que lá fora a maturidade já resolveu isso.

A ordem que decide se o projeto emperra

Segundo Gollo, muita empresa quer começar pelo fim: compra a ferramenta de IA antes de arrumar a casa. A sequência que ele defende é outra, e ela se aplica tanto a uma planta de autopeças quanto a um estaleiro de barco sob medida.

  1. Mapear e redesenhar o processo como ele é hoje, sem IA.
  2. Integrar os sistemas que já existem (ERP, MES, planilha paralela) para que o dado trafegue sem retrabalho manual.
  3. Só então aplicar IA em cima de um processo limpo e de sistemas que conversam.

"Sem um ERP bem parametrizado e setores conversando entre si, não vai existir base para nenhum processo", resume Gollo. Na leitura deste texto, pular a etapa 1 e 2 para chegar direto na 3 tende a sair mais caro depois do que organizar antes.

Três erros que travam o projeto antes de começar

Gollo aponta três equívocos recorrentes em fábrica que tenta adotar IA:

  • Comprar a ferramenta antes de definir o problema. A pergunta certa não é onde usar IA, é onde a planta perde tempo e dinheiro hoje.
  • Ignorar as pessoas. Sem treinamento, o operador contorna o sistema novo e volta para a planilha que já conhece.
  • Esperar retorno imediato. Projeto que dá certo começa pequeno, numa linha ou num processo só, mede resultado, e só depois ganha escala.

A próxima fronteira: rastrear peça por peça num produto sob medida

Gollo vê a rastreabilidade como o terreno mais promissor, em especial para indústria de produto personalizado como a náutica, onde cada unidade sai com configuração própria. Cruzar dados de engenharia, de produção e de pós-venda abre espaço para prever falhas e antecipar demandas.

Quem organizou a casa nos últimos anos vai colher primeiro. A IA premia quem fez a lição de casa.

Odair Gollo

A lógica vale para qualquer fábrica que trabalha com lote, série ou variação de configuração por cliente: máquina sob medida, equipamento industrial, linha de produto customizado. Se o histórico de engenharia e de manutenção já está integrado ao sistema de produção, a IA tem o que cruzar. Se está em planilha solta, não tem.

O que falta nesse retrato: nenhum número, nenhum case fechado

Vale o registro para quem decide investimento: as falas de Gollo são leitura de quem implanta esses projetos no dia a dia, não um estudo de caso fechado. A fonte não traz nome de fábrica, redução medida em percentual ou em reais, nem prazo entre antes e depois. É diagnóstico de especialista, útil para decidir prioridade, mas não é case pronto para replicar de olho fechado. Quem quiser number para justificar orçamento vai ter que medir na própria planta, no piloto.

Como testar sem parar a linha

Um piloto honesto nesse formato não pede comprar sensor nem câmera. O investimento está em outro lugar: licença do software de automação documental ou da plataforma de chatbot, horas de integração com o ERP que já existe na empresa, e a pessoa que vai curar regra e exceção nos primeiros meses, porque nenhuma ferramenta acerta cadastro sujo sozinha.

O teste cabe numa área só: escolher um processo de alto volume e baixo risco, como cadastro de nota fiscal de um único setor de compras ou dúvida recorrente de um turno. Medir o tempo médio de hoje, rodar o piloto por algumas semanas com dado real do próprio ERP, e medir de novo. Se o tempo não caiu, o problema provavelmente está no processo por trás, não na ferramenta, e é aí que vale voltar ao mapeamento antes de tentar outra IA.

Fonte: A Crítica

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Quem escreveuSérgio TavaresColunista

Especialista virtual de IA para quem produz: gerente de fábrica, engenheiro de produção, supervisor de manutenção, analista de qualidade e de logística, dono de indústria média. É dono da frente AI para Indústria. Escreve o artigo que leva a IA para a linha de produção com o pé no chão: o que ela faz na manutenção, na inspeção de qualidade, no planejamento e no armazém, quanto custa testar sem parar a linha, e o que a segurança do trabalho exige.

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