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Educação

Oito em cada dez estudantes brasileiros temem aprender menos com a ajuda da IA

Levantamento HP Futures 2026 ouviu 480 estudantes brasileiros e mostra que a confiança no uso da IA convive com o medo de aprender com menos profundidade. O relatório traz dez experiências de escolas e universidades para lidar com isso em sala de aula.

Paula SiqueiraColunista

· 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Paula Siqueira. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

O medo da rasura invisível

Entre maio e junho de 2026, a pesquisa HP Futures 2026 ouviu 6.206 estudantes de 37 países, incluindo 480 brasileiros. O resultado, divulgado pelo Porvir, mostra um retrato ambíguo: 81% dos estudantes brasileiros dizem temer que a inteligência artificial os ajude a fazer tarefas mais rápido, mas às custas de aprender com menos profundidade.

O estudo foi liderado pela HP, em parceria com o Global Learning Council e o Education Leaders Forum, e ouviu também 58 especialistas em educação e futuro do trabalho. A maioria dos estudantes que respondeu tinha entre 12 e 17 anos, faixa que corresponde à maior parte das salas de aula do ensino fundamental e médio.

O dado chama atenção porque convive com outro, aparentemente contraditório: 69% dos brasileiros ouvidos se dizem confiantes de que vão usar ferramentas de IA de forma eficaz e responsável nas futuras carreiras. Outros números reforçam esse otimismo: 54% acreditam que a IA vai criar mais oportunidades profissionais do que eliminar (31% discordam), e 73% dizem que a educação que recebem já os prepara para o mercado de trabalho. Não é incoerência, é ambivalência real: o aluno confia na ferramenta e desconfia de si mesmo quando ela está por perto.

Por que a rapidez preocupa mais do que ajuda

David McQuarrie, diretor comercial da HP e presidente do HP Futures, resume o desafio que a pesquisa revela.

Os sistemas educacionais precisam fazer mais para ajudar os estudantes a desenvolver, demonstrar e aprimorar continuamente capacidades que permanecerão relevantes, independentemente de como a tecnologia evolua.

David McQuarrie, diretor comercial da HP e presidente do HP Futures

A pesquisa também perguntou como os estudantes preferem fixar o que estudam, e a resposta ajuda a entender o medo:

Método de fixaçãoPreferência dos estudantes brasileiros
Materiais impressos ou escrita à mão31%
Leitura em telas25%
Vídeos22%

O método mais citado, escrita à mão ou material impresso, é também o mais lento e o que a IA mais ajuda a pular quando o estudante pede um resumo pronto ou um texto gerado. O dado sugere que o aluno sabe, de forma intuitiva, que o caminho mais devagar é o que fixa melhor, mesmo quando escolhe o atalho.

O que os estudantes dizem que querem desenvolver

Quando perguntados sobre quais competências mais importam para o futuro do trabalho, os estudantes brasileiros priorizaram capacidades humanas, não técnicas:

  • Criatividade: 59%
  • Comunicação e colaboração: 48%
  • Liderança: 33%
  • Pensamento crítico: 31%
  • Letramento em IA e tecnologias digitais: 31%

Letramento em IA empata com pensamento crítico, mas fica atrás de habilidades que a tecnologia não substitui tão facilmente. Mayank Dhingra, diretor e responsável global pela área de negócios e estratégia em educação da HP, reforça esse ponto.

É fundamental que a voz dos estudantes tenha destaque nas discussões sobre o futuro dos currículos e dos modelos de avaliação.

Mayank Dhingra, diretor global de negócios e estratégia em educação da HP

Três experiências que mostram como lidar com o medo em sala

O relatório reúne dez estudos de caso sobre como escolas e universidades tentam resolver a tensão entre usar IA e manter a profundidade do aprendizado. Três deles têm aplicação direta para quem dá aula ou coordena pedagogicamente no Brasil.

Instituto Escolas Criativas, em redes públicas brasileiras. Em 2024, o instituto apoiou mais de 1 milhão de estudantes em 2.505 escolas de 16 redes públicas. Em Caruaru (PE), professores combinam literatura de cordel, produção de poemas, revisão entre colegas, isogravura e programação em Scratch, escolhendo materiais digitais e analógicos conforme o contexto local. A avaliação externa citada no relatório apontou avanço de 5,4 pontos na avaliação nacional de matemática nos anos finais do fundamental, equivalente a quatro meses de recuperação de aprendizagem, sem abrir mão de criatividade e autonomia.

Torrens University, na Austrália. A universidade criou o agente de IA Torrino, usado como mentor reflexivo numa disciplina inicial de design. Em vez de dar respostas prontas, ele faz perguntas que levam o estudante a justificar decisões, revisar ideias e avaliar o próprio uso da ferramenta. É o modelo mais próximo do que um professor de ensino médio ou coordenador pode adaptar: um assistente que questiona em vez de entregar o resultado pronto.

Arizona State University, nos Estados Unidos. A universidade mantém um laboratório interno dedicado só a verificar se cada nova ferramenta de IA melhora, de fato, o aprendizado antes de adotá-la em larga escala. No projeto Dreamscape Learn, mais de 60 mil estudantes de biologia investigam problemas dentro de um ambiente de realidade virtual, formulando hipóteses sobre um zoológico fictício de seres alienígenas. O ganho de aprendizagem foi maior justamente entre os estudantes com menor preparação prévia, segundo o relato da universidade.

O que muda para quem está na sala de aula amanhã

Os três casos têm um ponto comum que qualquer professor ou coordenador pode aplicar sem orçamento de universidade americana: a IA entra como quem faz perguntas, não como quem entrega a resposta. Isso vale para correção de redação, apoio em pesquisa ou revisão de exercício.

Em resumo: se a ferramenta de IA usada em sala só acelera a entrega da resposta, ela alimenta exatamente o medo que 81% dos estudantes brasileiros relatam. Se ela for configurada, ou escolhida a dedo, para perguntar por que o estudante pensou de determinado jeito antes de confirmar uma resposta, ela reforça o raciocínio em vez de substituí-lo.

Para coordenadores pedagógicos, o relatório recomenda ainda redesenhar avaliação e currículo para que criatividade, comunicação e colaboração não fiquem restritas a atividades extracurriculares, mas apareçam nas provas e nos critérios de nota, como fez a Franklin School, nos Estados Unidos, ao reservar 100 minutos semanais só para isso.

Vale observar que a maioria dos respondentes da pesquisa tem entre 12 e 17 anos: qualquer ferramenta de IA testada com essa faixa etária em escola pública ou privada depende do aval da direção e dos responsáveis antes de qualquer dado do aluno circular. Essa é a condição mínima para reproduzir qualquer um dos casos citados no Brasil.

Fonte: Porvir

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Quem escreveuPaula SiqueiraColunista

Escreve para quem ensina e quem aprende: professor, coordenador, estudante, quem dá aula particular, e quem está mudando de carreira por causa da inteligência artificial. Plano de aula, correção, o que fazer com a cola por IA e o caminho de formação, sem promessa de emprego fácil.

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