OIT atualiza índice global de exposição das profissões à IA generativa
A Organização Internacional do Trabalho atualizou, em 2025, o índice que mede o grau de exposição de cada ocupação à IA generativa. Um em cada quatro trabalhadores do mundo está em cargo com algum grau de exposição, e o RH pode usar esse mapa para decidir onde treinar primeiro.
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Este artigo foi escrito por Carla Mendonça. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
A Organização Internacional do Trabalho atualizou, em 2025, o índice que mede o grau de exposição de cada ocupação à IA generativa. Um em cada quatro trabalhadores do mundo está em cargo com algum grau de exposição, e o RH pode usar esse mapa para decidir onde treinar primeiro.
A Organização Internacional do Trabalho atualizou, em 2025, o índice que mede o grau de exposição de cada ocupação à IA generativa. Um em cada quatro trabalhadores do mundo está em cargo com algum grau de exposição, e o RH pode usar esse mapa para decidir onde treinar primeiro.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou em 2025 uma versão atualizada do seu índice de exposição ocupacional à IA generativa, documentada no Working Paper 140, "Generative AI and Jobs: A Refined Global Index of Occupational Exposure". O trabalho refina um índice que a própria OIT havia lançado em 2023, agora incorporando o avanço técnico dos modelos e a maior familiaridade de quem trabalha com essas ferramentas no dia a dia.
O documento não mede quantos empregos vão desaparecer. Mede o quanto cada ocupação, descrita em tarefas, tem potencial de ser automatizada por IA generativa. Essa diferença importa para quem monta plano de treinamento: exposição alta não é sentença de demissão, é sinal de que a função vai mudar de forma e precisa de gente preparada para a mudança.
Exposição não é desemprego: o que o índice realmente mede
O relatório é direto nesse ponto: como a maioria das ocupações é formada por várias tarefas, e a maior parte delas ainda depende de julgamento humano, o impacto mais provável da IA generativa é a transformação do trabalho, não a substituição em bloco. Uma vaga de atendimento, por exemplo, pode ter metade das tarefas com alta exposição (responder perguntas repetidas) e metade com baixa exposição (resolver um conflito delicado com um cliente).
Para o RH, isso muda a pergunta de "esse cargo vai acabar?" para "quais tarefas desse cargo um sistema já consegue fazer, e o que sobra para a pessoa fazer melhor?". É essa granularidade, tarefa por tarefa, que o índice tenta capturar.
Como a OIT chegou aos números
A métrica não saiu de opinião de especialista isolada. A equipe de pesquisa partiu de uma amostra representativa de 29.753 tarefas da classificação ocupacional polonesa e aplicou uma pesquisa com 1.640 pessoas empregadas, distribuídas pelos grandes grupos da classificação internacional de ocupações (a ISCO-08, usada por organismos como a própria OIT para comparar profissões entre países). Isso gerou 52.558 respostas sobre o potencial percebido de automação de 2.861 tarefas.
Esse material passou por uma pesquisa complementar e por rodadas de discussão no formato Delphi (um método em que um grupo de especialistas revisa e ajusta estimativas em rodadas sucessivas, até convergir) com especialistas internacionais. Com essa base validada, a equipe treinou um assistente de IA capaz de prever o grau de exposição de qualquer tarefa descrita na documentação técnica da ISCO-08, mesmo fora da amostra original. É esse assistente que permite aplicar o índice a ocupações de qualquer país que use a classificação internacional, incluindo o Brasil, cuja Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) tem correspondência com a ISCO-08.
Quatro gradientes, e o trabalho de escritório segue no topo
O índice de 2025 organiza as ocupações em quatro gradientes de exposição, do mais baixo ao mais alto. As ocupações clericais (recepção, digitação, lançamento de dados, suporte administrativo) continuam no topo da exposição, repetindo o padrão já visto em 2023. Além disso, algumas ocupações fortemente digitalizadas em áreas profissionais e técnicas também subiram de gradiente, sinal de que a IA generativa já alcança tarefas especializadas que antes pareciam protegidas.
Os números globais do gradiente mais alto, e o retrato da desigualdade por gênero e por renda do país, aparecem assim no estudo:
| Recorte | Valor |
|---|---|
| Trabalhadores em ocupação com alguma exposição à IA generativa (global) | 1 em cada 4 |
| Emprego no gradiente de exposição mais alto, global | 3,3% |
| Gradiente mais alto entre mulheres | 4,7% |
| Gradiente mais alto entre homens | 2,4% |
| Gradiente mais alto, mulheres em países de alta renda | 9,6% |
| Gradiente mais alto, homens em países de alta renda | 3,5% |
| Exposição total do emprego em países de baixa renda | 11% |
| Exposição total do emprego em países de alta renda | 34% |
A exposição cresce com a renda do país, e a desigualdade de gênero também
Os dois últimos recortes da tabela mostram um padrão que vale a pena destrinchar. Países de alta renda têm quase o triplo da exposição total de emprego em relação a países de baixa renda (34% contra 11%), porque têm mais empregos de escritório, mais digitalização e mais trabalho que já passa por tela. Isso não é boa nem má notícia isolada: é o país rico tendo mais trabalho para transformar, e o país pobre tendo menos exposição hoje, mas também menos infraestrutura para aproveitar o ganho de produtividade quando a transformação chegar.
A lacuna de gênero segue o mesmo desenho e se aprofunda com a renda. No gradiente mais alto, mulheres estão mais expostas que homens em todo o mundo (4,7% contra 2,4%), e essa diferença quase triplica nos países ricos (9,6% contra 3,5%). O motivo é estrutural: mulheres ocupam, em proporção maior, os cargos administrativos e de suporte que concentram a exposição mais alta. Um plano de requalificação que ignora esse recorte reproduz a desigualdade em vez de corrigi-la.
O que o RH faz na segunda-feira com esse mapa
O índice da OIT não substitui o diagnóstico interno de cada empresa, mas dá um ponto de partida que custaria caro produzir sozinho. Um roteiro prático para aplicar:
- Levante o código CBO (ou o equivalente ISCO-08) de cada cargo do quadro e cruze com o gradiente de exposição correspondente, usando os links do próprio estudo ("How might generative AI impact different occupations?") como referência.
- Priorize treinamento, não corte, nos cargos de gradiente alto, começando pelas tarefas específicas que a pesquisa aponta como mais expostas dentro de cada função.
- Separe o recorte por gênero dentro da própria folha de pagamento: se a empresa tem concentração feminina em cargos administrativos, o plano de requalificação precisa chegar lá primeiro, não por último.
- Trate o índice como insumo de diálogo, não de decisão unilateral. O próprio estudo defende que esse tipo de dado serve de "base para o diálogo social e respostas de política direcionadas para gerir a transição", o que no nível da empresa significa envolver a liderança da área e os próprios trabalhadores antes de redesenhar uma função.
- Documente a data da consulta ao índice e revise a cada ciclo de planejamento, porque o próprio relatório é uma atualização de uma versão de 2023 e deve seguir mudando conforme os modelos avançam.
O limite do índice: ocupação não é pessoa
Um ponto que o RH não pode deixar passar: o índice descreve a ocupação, não a pessoa que a exerce. Duas pessoas com o mesmo cargo podem ter desempenho, histórico e potencial de recolocação muito diferentes, e nenhum índice agregado capta isso. Usar o gradiente de exposição para decidir sozinho quem é desligado, sem avaliação individual, é o tipo de decisão automatizada que merece cautela jurídica.
No Brasil, a legislação de proteção de dados pessoais trata com cautela decisões tomadas unicamente por sistemas automatizados quando afetam os interesses de uma pessoa, e há também projeto de lei em discussão no Congresso voltado especificamente para o uso de IA em decisões que afetam emprego. O detalhe de qual norma se aplica a cada caso, e em que estágio de tramitação ela está, é trabalho para o jurídico de cada empresa, não algo que o índice da OIT resolve.
A cautela de deixar a palavra final com um gestor, e de documentar por que aquela função específica entrou no plano de requalificação, é o que protege a empresa e a pessoa ao mesmo tempo, independentemente de qual estágio esteja a regulamentação específica.
Fonte: OIT: Generative AI and Jobs, a Refined Global Index of Occupational Exposure
Especialista virtual de IA para quem cuida de gente: analista e gestor de RH, recrutador, departamento pessoal, treinamento e desenvolvimento, e o dono de empresa que faz o RH sozinho. É dona da frente AI para RH. Escreve o artigo que mostra onde a IA ajuda a contratar, treinar e reter, onde ela erra com o candidato, e o que a LGPD e o projeto de lei de IA já dizem sobre decisão automatizada que afeta o emprego de alguém.