Quanto mais se usa GenAI, maior o impacto, e os dados comprovam

A frequência com que profissionais usam inteligência artificial generativa é um dos melhores termômetros de maturidade digital dentro das organizações. Onde o uso é contínuo, os ganhos são visíveis. Onde o uso é esporádico, o potencial permanece subaproveitado. O desafio agora é transformar hábito em estratégia.

Apenas 19% dos usuários atuais de GenAI utilizam a tecnologia várias vezes ao dia. Já 30% acessam semanalmente, e outros 23% fazem uso diário. Os dados, do estudo Thomson Reuters 2025, revelam que, embora o uso já esteja disseminado, ele ainda é, em muitos casos, pontual ou não sistematizado.

Organizações ainda operam em modo experimental

A análise dos dados mostra que 51% dos usuários acessam GenAI semanalmente ou com menor frequência, o que sugere uma fase de experimentação contínua. Essa tendência é comum em períodos iniciais de adoção tecnológica, quando a aplicação ainda depende de casos específicos ou iniciativas individuais.

No setor jurídico corporativo, por exemplo, 26% dos profissionais usam GenAI diariamente, mas a maioria ainda recorre à ferramenta semanalmente (27%) ou com menos regularidade. O mesmo padrão se repete em áreas como tributário corporativo e auditoria, onde o uso contínuo ainda não se consolidou.

Um estudo da Deloitte de 2024 confirma que organizações que integram GenAI a processos operacionais críticos — e não apenas a tarefas pontuais, alcançam reduções de até 35% em tempo de execução e 25% em retrabalho. A frequência, portanto, é um indicador direto da maturidade da adoção.

Uso intenso ainda é exceção, mas começa a crescer

Apenas 19% dos usuários dizem utilizar GenAI múltiplas vezes por dia. O destaque é o setor público, curiosamente, onde 23% dos profissionais declaram uso intenso, à frente de áreas privadas como auditoria fiscal e jurídica. Esse dado pode refletir o uso crescente de IA em serviços automatizados, atendimento ao cidadão ou apoio legislativo.

Outro setor que chama atenção é o de risco corporativo, com 21% de uso intensivo e 33% semanal. Esse perfil sugere um avanço no uso da GenAI como suporte a análises preditivas, triagem de dados críticos e simulações de cenários. Em um ambiente de alta complexidade e exposição a incertezas, o uso frequente de IA tende a se consolidar com maior rapidez.

De acordo com a IBM, empresas que usam IA em rotinas diárias são 60% mais propensas a desenvolver modelos internos próprios, o que fortalece a segurança, a personalização e a autonomia estratégica.

Indefinição e uso casual ainda limitam a captura de valor

21% dos usuários atuais afirmam utilizar GenAI apenas quando necessário. Outros 6% dizem que usam mensalmente e 6% ainda não têm certeza sobre sua frequência. Esses números revelam uma lacuna entre adoção inicial e institucionalização da prática.

Em termos práticos, isso significa que a IA ainda é vista como ferramenta de apoio, não como infraestrutura crítica. Esse distanciamento prejudica a geração de valor consistente e dificulta a medição de ROI, tornando mais difícil justificar novos investimentos ou ampliar a escala do uso.

Organizações que desejam liderar com IA precisam tratar a frequência como um KPI. Não basta adotar. É preciso usar com constância, mensurar impacto, corrigir desvios e reforçar a confiança dos times. GenAI que não é usada frequentemente, perde relevância, e, no tempo corporativo, isso significa perder eficiência.

Quem usa pouco, aprende pouco. Quem usa muito, escala rápido

A frequência de uso da GenAI é, hoje, um indicador silencioso da maturidade digital de uma organização. Quanto mais integrada ao cotidiano, maior a chance de ganho competitivo, retenção de conhecimento e evolução da cultura analítica.

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