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Governo aprova R$ 375 milhões para data center de IA operado pela Telebras

O Gaispi liberou a verba, que vem do leilão do 5G, para erguer um data center com GPUs e racks de colocation. A Telebras vai operar, mas falta aval da Anatel.

Redação AI BrasilRedação

· 5 min de leitura

Este artigo foi escrito por Redação AI Brasil. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.

Imagem gerada por IA

O que foi aprovado e quando

O Gaispi, grupo que coordena os projetos financiados pela EAF (a entidade que administra os recursos do leilão do 5G), aprovou nesta terça-feira (27 de outubro de 2026) a destinação de R$ 375 milhões para construir um data center dedicado a inteligência artificial, segundo informou o Convergência Digital na mesma data.

A infraestrutura terá titularidade da União, operação pela Telebras (a estatal de telecomunicações) e implantação pela própria EAF. O modelo é o mesmo já usado na Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal: o governo é dono, a estatal toca a operação do dia a dia.

A proposta ainda não está fechada. Falta o aval do conselho diretor da Anatel, a agência que regula telecomunicações no país. Mas o Gaispi informou que já há caixa disponível para começar a obra assim que isso acontecer, mesmo que outros projetos da EAF ainda estejam em andamento.

O que vai ter dentro do data center

O terreno reservado tem 5 mil metros quadrados. Segundo o projeto aprovado, a estrutura prevê:

  • Um módulo de IA com 20 racks de 42U
  • Rede interna de alta velocidade
  • Seis servidores GPU somando 48 GPUs
  • Nove servidores CPU
  • Armazenamento all-flash e object storage
  • Até dez racks de colocation, sem compra de servidores nessa etapa inicial

A parte elétrica e de refrigeração segue padrão de data center de alta densidade: alimentação redundante em distribuição A/B, geração de emergência em configuração 2N (ou seja, duas vezes a capacidade necessária, em paralelo), climatização para alta densidade de equipamento, resfriamento líquido especificamente no módulo de IA e conectividade externa redundante de 2 x 100 Gb. O prazo estimado de implantação é de 12 meses, condicionado à disponibilidade de energia na região, aos licenciamentos e aos prazos de entrega e integração dos equipamentos.

48 GPUs dizem o tamanho real do projeto

O texto da aprovação não informa o modelo nem o fabricante das GPUs, então não dá para saber se são placas voltadas a treinamento pesado ou a inferência. O que dá para dizer é o porte: seis servidores com 48 GPUs ao todo é um cluster pequeno perto da escala usada para treinar modelos de fundação do zero, que normalmente exige milhares de GPUs rodando em paralelo por semanas.

Um cluster desse tamanho costuma servir bem a outro tipo de trabalho: rodar inferência de modelos já prontos, fazer ajuste fino (fine-tuning) de modelos médios ou pequenos, e processar cargas de dados de uma agência ou de um conjunto de serviços públicos. Isso é coerente com o desenho do projeto, pensado para suportar sistemas da própria administração federal, e não para competir em escala de treinamento com provedores como AWS, Azure, Google Cloud ou os data centers de IA que empresas brasileiras vêm anunciando no mercado privado.

Os dez racks de colocation são a parte que interessa a quem não é governo

O ponto mais relevante para quem desenvolve fora da esfera pública é a previsão de até dez racks de colocation, sem aquisição de servidores pela EAF nessa fase. Colocation significa que o espaço físico, a energia redundante e o resfriamento já ficam prontos, e quem precisa de capacidade de computação leva o próprio equipamento para instalar ali.

Montar essa infraestrutura do zero é caro: redundância elétrica em 2N, resfriamento líquido para GPU e conectividade de 100 Gb são itens que pesam no orçamento de qualquer empresa pequena ou startup de IA que queira ter hardware próprio no Brasil, em vez de depender só de nuvem estrangeira cobrada em dólar. Se parte desses dez racks for de fato aberta a terceiros, isso reduz essa barreira de entrada.

Mas isso ainda é leitura, não fato anunciado: o material divulgado pelo Gaispi não traz regras de acesso, critérios de prioridade, nem tabela de preço para quem quiser colocar equipamento nesses racks. Sem essas regras publicadas, não dá para afirmar que empresas privadas ou startups vão conseguir, de fato, alugar espaço ali.

De onde vem o dinheiro

Os R$ 375 milhões não saem do orçamento geral da União. Vêm da EAF, entidade que ficou com os recursos da venda do espectro de 3,5 GHz para as operadoras de telecomunicações, no leilão do 5G. Esse dinheiro já vinha sendo usado para outros projetos de infraestrutura de telecom sob coordenação do Gaispi, e agora passa a financiar também computação para IA.

É um desenho de financiamento específico do setor de telecom brasileiro: o espectro de rádio frequência virou capital para bancar data center. Não é verba de um programa de IA, nem de um fundo soberano de computação pensado desde o início para esse fim.

O que ainda fica em aberto

Alguns pontos seguem sem resposta até a publicação da aprovação pelo Gaispi:

  • Se o conselho diretor da Anatel vai aprovar o projeto como está, e quando
  • Quem poderá usar os racks de colocation, e em que condições
  • Qual o modelo e o fabricante das GPUs que vão equipar os seis servidores
  • Se o prazo de 12 meses se sustenta, já que depende de energia disponível na região, licenciamento e prazos de fornecedores de hardware

Para quem constrói sistemas de IA no Brasil, o projeto vale como sinal de que o governo está tratando GPU e data center como infraestrutura crítica, no mesmo pacote de investimentos que já financiava torre e fibra. Mas, até a Anatel aprovar e as regras de acesso aos racks de colocation saírem, o impacto direto para quem não trabalha com a administração pública segue incerto.

Fonte: Convergência Digital

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