Escola que desliga o Gemini também tira o Google Pesquisa do aluno
O Google anunciou nesta terça-feira que escolas que recusarem os recursos de inteligência artificial vão perder, junto, o acesso ao Google Pesquisa nas contas dos alunos. Para quem dá aula particular e passa pesquisa como tarefa, isso pode travar a aula sem aviso.
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Este artigo foi escrito por Paula Siqueira. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
O aviso que pode aparecer no meio da tarefa de casa
Imagine uma aula particular de ciências. A professora passa um exercício simples: pesquisar três fontes sobre fotossíntese antes do próximo encontro. O aluno abre o notebook, faz login com a conta que a escola deu para ele (a mesma usada no Google Classroom, o ambiente virtual da escola) e tenta buscar no Google. Em vez de resultados, aparece um aviso dizendo que a Busca não está disponível, por decisão da própria escola.
Esse cenário deixou de ser hipotético. O Google confirmou ao jornal americano The New York Times, em reportagem publicada nesta terça-feira (3 de novembro) e repercutida pelo site The Verge, que vai desligar completamente o Google Pesquisa nas contas escolares de alunos do ensino fundamental e médio (o chamado K-12, da educação infantil ao fim do ensino médio nos Estados Unidos) sempre que a escola optar por não usar os recursos de inteligência artificial da empresa.
O que o Google mudou nesta terça-feira
Segundo o comunicado do Google voltado a redes de ensino, o Gemini (o assistente de IA da empresa), o Gemini Notebook, o Gemini dentro do Google Classroom e o próprio Google Pesquisa vão vir desligados por padrão nas contas de estudantes. Cabe ao administrador da escola, geralmente alguém da TI ou da direção pedagógica, ligar esses recursos manualmente.
O detalhe que muda tudo está na letra miúda: não dá para ligar só a Busca e deixar a IA desligada. Chris Phillips, vice-presidente de educação do Google, foi direto sobre isso ao NYT:
Busca e IA estão profundamente integradas.
Search and AI are deeply integrated.Chris Phillips, vice-presidente de educação do Google
Phillips completou dizendo que escolas que desligarem os recursos de IA do Google não vão ter acesso à Busca, e os alunos vão ver uma mensagem da própria escola avisando que o serviço está indisponível. Ou seja: a decisão é de pacote fechado, não um menu com opções independentes.
Por que isso soou como chantagem para quem decide política pública
A notícia chegou em um momento de desconfiança crescente com IA nas escolas. Meses antes, o Google já havia ativado o Gemini por padrão dentro do Google Classroom, plataforma usada por mais de 150 milhões de professores e alunos no mundo, segundo a própria reportagem. A medida gerou questionamentos de parlamentares americanos, que no mês passado cobraram o Google sobre os “danos potenciais” de colocar IA generativa nas mãos de crianças, em meio a relatos de queda em notas e prejuízo a habilidades de aprendizagem.
Com o recuo anunciado agora, o Google deixou de ligar o Gemini automaticamente, mas amarrou a decisão de não usá-lo à perda de um serviço básico que não tem nada de experimental: a busca na internet. A reação de autoridades foi dura. O senador americano Bernie Sanders chamou a prática de “extorsão” (no original, extortion). O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, declarou:
Nenhuma corporação deveria ter o poder de ditar como ensinamos nossas crianças.
No corporation should have the power to dictate how we teach our children.Zohran Mamdani, prefeito de Nova York
Rohit Chopra, secretário de Negócios e Serviços ao Consumidor da Califórnia, usou expressão parecida, dizendo que grandes empresas de tecnologia não deveriam poder “forçar a mão” das escolas. O Google rebateu dizendo que a mudança dá “mais escolha, não menos” às redes de ensino, já que cada serviço pode, em tese, ser ativado ou desativado individualmente. A reportagem do The Verge não traz dados de quantas escolas já decidiram desligar os recursos, nem prazo para a mudança entrar em vigor nos Estados Unidos.
O que muda para quem dá aula particular
Quem dá aula de reforço, sobretudo para alunos que usam Chromebook ou conta institucional da escola (o Google Workspace for Education, suíte de ferramentas que inclui Gmail, Drive, Classroom e, agora, Gemini), costuma presumir que pesquisar no Google é tarefa trivial. Essa política derruba essa certeza, e o problema é justamente a falta de aviso: o professor particular não é informado quando a escola do aluno muda a configuração.
Algumas situações concretas que podem aparecer na prática:
- O aluno loga no computador de casa com a conta da escola (comum quando a família não criou um e-mail pessoal separado) e descobre, no meio da tarefa, que a Busca sumiu.
- O professor pede "pesquise na internet" sem saber que, para aquele aluno específico, a busca está bloqueada pela própria rede de ensino.
- A confusão é interpretada como falta de interesse ou distração do aluno, quando na verdade é uma barreira administrativa que nem ele nem o professor controlam.
Em resumo: o combinado que o professor particular faz com o aluno ("pesquise e traga na próxima aula") depende de uma política que a escola pode mudar sem avisar ninguém fora do próprio quadro de funcionários.
O que fazer antes de passar pesquisa como tarefa
Alguns ajustes simples evitam que a aula trave por um motivo que nada tem a ver com o conteúdo ensinado:
- Pergunte à família, logo na primeira aula, se o aluno usa conta escolar (Google Workspace for Education) no computador que ele vai usar para estudar em casa.
- Se usar, pergunte se a escola desativou IA e Busca, algo que pode constar em comunicados da direção ou do coordenador pedagógico.
- Prefira passar material já selecionado (um PDF, um link específico, um trecho de livro) em vez de pedir "pesquise na internet", principalmente para tarefa de casa sem supervisão.
- Se for necessário pesquisar, combine com os responsáveis o uso de uma conta pessoal do próprio aluno, nunca criando ou logando o estudante em qualquer conta sem autorização da família e da escola, já que dado de aluno menor de idade não pode ser tratado sem esse aval.
- Tenha em mãos uma alternativa gratuita de pesquisa (o próprio navegador sem login, ou um site de busca que a escola não bloqueie) para não depender de uma única ferramenta.
Esses cuidados valem também fora dos Estados Unidos: escolas brasileiras que usam o Google Workspace for Education seguem a mesma arquitetura de conta institucional, e a decisão de ligar ou desligar Gemini e Busca cabe à própria rede de ensino, não ao professor particular nem à família isoladamente.
O que ainda não está definido
O Google disse que está testando, neste mês, em escolas selecionadas dos Estados Unidos, um recurso chamado Guided Learning (aprendizado guiado), que entra dentro dos chamados AI Overviews (resumos gerados por IA que aparecem no topo de resultados de busca) com o objetivo declarado de ajudar o aluno a resolver o problema em vez de só entregar a resposta pronta. A ideia é atacar a crítica mais comum contra IA em sala de aula: o uso como atalho para colar.
Não há, até agora, data de chegada do recurso ao Brasil, nem confirmação de quando a política de desligar Busca junto com IA vale fora dos Estados Unidos. Para o professor particular, a lição prática independe desse detalhe: vale perguntar, antes de montar o plano de aula, que ferramentas o aluno realmente tem disponíveis em casa, porque a resposta pode mudar de um mês para outro sem que ninguém avise.
Fonte: The Verge — IA

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