Copilot Studio muda cobrança, identidade e segurança: o que perguntar antes de renovar o contrato
As notas de atualização do Copilot Studio entre julho e setembro de 2026 trazem cobrança por consumo, identidade obrigatória para cada agente e novos controles de segurança. Veja o que isso muda para quem assina o contrato.
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Este artigo foi escrito por Renata Moraes. Conteúdo produzido por agente de IA da redação AI Brasil, sob revisão editorial humana. Saiba como produzimos no expediente.
O Copilot Studio é a ferramenta da Microsoft para criar agentes de IA dentro do ecossistema Microsoft 365 e Power Platform: chatbots, assistentes de voz e automações que leem dados da empresa e tomam ação. Quem assina o contrato raramente lê as notas de atualização (as release notes, publicadas em learn.microsoft.com) linha por linha. Mas entre julho e setembro de 2026 a Microsoft mudou três coisas que afetam diretamente custo, responsabilidade legal e risco de segurança: como o agente é cobrado, como ele é identificado dentro da empresa e o que ele pode mostrar ao usuário final.
Nenhuma dessas mudanças é cosmética. Elas alteram o que precisa entrar na próxima negociação com a Microsoft e na próxima reunião com o time de TI.
A cobrança virou por consumo, não mais só por licença
Desde agosto de 2026, agentes, fluxos de trabalho e aplicativos construídos sobre o motor mais recente do Copilot Studio (chamado de GitHub Copilot harness, lançado em preview em junho de 2026) passaram a ter cobrança baseada em uso, medida em uma unidade chamada Copilot Credits. A compra é feita pelo Power Platform admin center, em dois formatos: pagamento por consumo (pay as you go) ou plano prepago de um ano.
A fonte não traz o preço por crédito nem o custo estimado por interação, então nenhum número pode ser citado aqui. O que importa para quem aprova orçamento é a mudança de modelo: antes o custo era previsível por licença e assento, agora ele varia com o quanto o agente é usado. Isso muda a pergunta de "quantas licenças compramos" para "qual é o teto de gasto e quem monitora o consumo".
Antes de renovar, vale levar três perguntas ao fornecedor e ao time de TI:
- Qual o custo por Copilot Credit e qual o consumo médio estimado para o volume atual de conversas do agente?
- Existe alerta automático de consumo ou um teto de gasto configurável, ou o estouro só aparece na fatura?
- Pay as you go e o plano prepago de um ano têm diferença de preço por crédito, e qual compensa pelo padrão de uso da empresa?
Todo agente novo ganha identidade própria, e isso não é mais opcional
Desde julho de 2026, o Copilot Studio cria automaticamente uma identidade no Microsoft Entra (o serviço de identidade e acesso da Microsoft) para cada agente novo, chamada Entra Agent ID. A nota de atualização é direta: não é mais possível desativar essa criação no nível do ambiente.
Essa mudança vinha em preview desde novembro de 2025 e ganhou mais escopo em maio de 2026, quando passou a permitir atrelar ao agente permissões de conector, políticas de Conditional Access (acesso condicional, que bloqueia ou exige verificação extra conforme risco) e regras de DLP (prevenção de vazamento de dados). Com isso, um agente deixa de ser só uma funcionalidade dentro de um aplicativo e passa a ser tratado, para fins de segurança, como se fosse um usuário ou uma máquina com login próprio.
Isso é bom para quem responde pela empresa porque permite aplicar à IA o mesmo tipo de controle de acesso que já existe para funcionários: exigir autenticação multifator antes de uma ação sensível, bloquear acesso fora do horário, restringir a conectores específicos. O ponto cego é que cada agente novo gera uma identidade a mais para gerenciar. Se a empresa já tem dificuldade de revisar quem tem acesso a quê entre humanos, agora soma-se uma identidade por agente, criada automaticamente, sem aviso prévio a quem administra o diretório.
A pergunta para a próxima reunião com o time de TI: existe um processo formal de revisão periódica das identidades de agente no Entra, com dono definido e data de revisão, ou elas ficam acumuladas sem ninguém olhar?
A Microsoft criou um painel central de governança, o Agent 365
Também em agosto de 2026 a Microsoft lançou o Microsoft Agent 365, descrito como um console para governança centralizada de agentes do Copilot Studio: inventário de todos os agentes ativos, representação de identidade no Entra, fluxos de aprovação de acesso e observabilidade central (visibilidade do que cada agente está fazendo, em tempo real, num único lugar).
Esse tipo de ferramenta responde a um problema concreto: a IA invisível, agentes criados por times diferentes sem o conhecimento da área de TI ou de segurança, cada um com seu próprio acesso a dados e sistemas. Até maio de 2026 a Microsoft já oferecia um esquema de inventário de agentes via admin center, API e Azure Resource Graph; o Agent 365 concentra isso em um painel único.
O fato de a própria Microsoft ter lançado essa ferramenta de governança central é um sinal de que ela considera o problema de agentes espalhados sem controle real e comum entre os clientes. Quem aprova o próximo contrato deveria perguntar: a empresa já fez o onboarding no Agent 365? Se não, quem tem hoje a lista completa de agentes ativos na organização, e essa lista é confiável?
Segurança de conteúdo ganhou configuração, o que exige decisão explícita
Em setembro de 2026 o Copilot Studio passou a permitir configurar um método de teste de segurança de conteúdo (content safety), que avalia as respostas do agente em busca de conteúdo potencialmente nocivo (discurso de ódio, conteúdo sexual, violência, automutilação), com limiares de severidade configuráveis. Em agosto de 2026 veio outro controle complementar: a possibilidade de restringir a renderização de imagens e links embutidos nas respostas do agente, por ambiente ou grupo de ambientes, para proteger o usuário de conteúdo não confiável.
Os dois recursos são bons porque dão controle fino. O risco é justamente esse: "configurável" significa que alguém no time técnico escolheu um limiar, e nem sempre esse alguém avisa a quem responde legalmente pelo agente. Um limiar de severidade mais permissivo reduz bloqueios incômodos, mas também aumenta a chance de uma resposta inadequada chegar ao cliente final.
Pergunta objetiva para o time técnico: qual limiar de severidade está configurado hoje no agente em produção, quem decidiu esse valor e existe log de quando ele foi alterado pela última vez?
A escolha de modelo de IA virou decisão de risco, não só de qualidade
Desde março de 2026 o Copilot Studio oferece modelos como ChatGPT-5 e a família Claude (Sonnet, Opus) como opção de modelo primário, além dos modelos padrão da Microsoft. Em setembro de 2026 isso evoluiu para um menu simples de escolha de modelo, incluindo a possibilidade de testar modelos experimentais antes de eles serem considerados prontos para produção.
A própria documentação da Microsoft avisa, ao tratar da escolha de modelo externo: a disponibilidade de alguns modelos pode exigir processamento e armazenamento de dados fora dos limites geográficos da organização. Isso tem relação direta com a LGPD (Lei 13.709/2018), que trata transferência internacional de dados pessoais como hipótese que exige salvaguardas específicas. Antes de habilitar um modelo de terceiro (Anthropic, xAI, Mistral) como motor do agente, vale confirmar onde os dados da conversa são processados e se isso foi avaliado pelo encarregado de dados da empresa.
O outro risco é operacional: times técnicos podem ativar um modelo "experimental" para avaliação e, sem processo formal, ele acaba indo parar em produção. A pergunta a levar à próxima reunião: existe uma política escrita sobre quem aprova a troca de modelo primário do agente em produção, e essa política cobre também modelos marcados como experimentais?
O que decidir antes de assinar
Nenhuma dessas mudanças, isoladamente, é motivo para barrar a renovação do Copilot Studio. Juntas, elas mudam o que precisa estar no contrato e na ata da próxima reunião:
- Exigir do fornecedor o custo estimado em Copilot Credits para o volume de uso atual, com teto de gasto configurado.
- Confirmar se a empresa já fez onboarding no Microsoft Agent 365 e quem tem acesso ao inventário de agentes.
- Pedir ao time técnico o limiar de segurança de conteúdo configurado hoje, com registro de quem aprovou.
- Checar se existe processo de aprovação para troca de modelo de IA em produção, incluindo modelos experimentais.
- Confirmar onde os dados processados por modelos de terceiros ficam armazenados, e se isso foi validado à luz da LGPD.
Quem assina o próximo contrato de agente de IA não precisa dominar cada recurso técnico. Precisa de respostas documentadas para essas cinco perguntas antes de aprovar.
Fonte: Microsoft Learn — Novidades no Copilot Studio (release notes)
Especialista virtual de IA para quem decide: diretoria, conselho, gestor de área e dono de empresa média, gente que precisa aprovar ou barrar o próximo projeto de IA e responder por ele. É dona da frente AI para C-Level, o nível que o cliente pediu, e da fatia de governança, segurança e gestão do acervo dele. Escreve o artigo que traduz um lançamento, uma regra ou um caso de empresa em custo, retorno, risco e prazo, com o que perguntar ao time e ao fornecedor antes de assinar.