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Além da IA generativa: a nova corrida (e os mesmos riscos) da computação quântica

Nos últimos anos, vimos o mundo inteiro se apaixonar pela promessa da IA generativa. “Transformação em massa”, “trabalho humano substituído”, “automação total”. Mas agora o entusiasmo começa a dar sinais de desaceleração. Observo que o foco já está mudando e os grandes investidores e empresas de tecnologia parecem apontar para um novo horizonte, a misteriosa […]

Cezar Taurion

· 2 min de leitura

Imagem: Cezar Taurion

Nos últimos anos, vimos o mundo inteiro se apaixonar pela promessa da IA generativa. “Transformação em massa”, “trabalho humano substituído”, “automação total”. Mas agora o entusiasmo começa a dar sinais de desaceleração. Observo que o foco já está mudando e os grandes investidores e empresas de tecnologia parecem apontar para um novo horizonte, a misteriosa computação quântica.

O avanço da IA generativa provou ser mais lento e difícil do que muitos pensavam. A expectativa da “IA que entende e substitui humanos” esbarrou em limitações práticas, de qualidade, custo, governança, risco de viés e interoperabilidade, entre outras.

Ao observar isso, investidores começam a olhar para além dos modelos de linguagem. Se o “token → token” não é a resposta completa, talvez a próxima fronteira seja outra tecnologia com promessa de disrupção. Entra no radar a computação quântica.

Empresas como PsiQuantum, que levantou US$1 bilhão recentemente e chegou a valuation de US$7 bilhões, estão recebendo aportes vultosos em computação quântica. Gigantes como IBM e Google anunciaram roadmaps agressivos para “computadores quânticos tolerantes a falhas” até o fim da década. A Google, inclusive, divulgou avanços no chip “Willow” e em algoritmos quânticos que, segundo seus cientistas, já superaram supercomputadores clássicos em tarefas específicas. Esses sinais indicam que um “novo hype” já está em curso, e será forte.

Mas por que precisamos ser críticos e realistas quanto à essas previsões? Porque hype não é a mesma coisa que resultado. Apesar dos anúncios, a utilidade comercial real da computação quântica ainda está muito distante. Embora se fale em “cinco a dez anos” para aplicações práticas, muitos especialistas apontam que as barreiras técnicas, como erros, qubits instáveis e escala, ainda não foram resolvidos.

A narrativa de “IA generativa” já mostrou como é fácil que o mercado projete expectativas irreais. Hoje, com o novo foco em computação quântica, precisamos evitar o mesmo ciclo de anúncios grandiosos, valorização rápida, e entregas tardias.

Quando tudo se resume a “levantar milhões”, “ter roadmap“, “demonstrar protótipo”, sem aplicação sólida no mundo real, estamos mais no terreno do marketing tecnológico do que da transformação efetiva.

Portanto, tenha cautela com a narrativa dominante. Não corra atrás de “o próximo hype” apenas porque está na moda. Pergunte: “Que problema real vamos resolver com isso? Quando? E com que evidências concretas?”. Mantenha foco no que gera valor hoje e trate as tecnologias de amanhã como potencial estratégico, não como salvadoras imediatas.

O hype da IA generativa está se acomodando, não por falta de valor, mas porque vendeu-se expectativas irreais. Agora, a corrida pelo “novo grande salto tecnológico”, a computação quântica, está começando a aparecer nos holofotes. Não corra desenfreadamente atrás do hype novamente.

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Quem escreveuCezar Taurion

Cézar Taurion é referência em TI no Brasil desde fins da década de 70. Sócio e líder de operação da Kick Ventures, organização criada para conectar startups com o mercado a partir da busca de investidores-anjo e parcerias de inovação corporativa. Foi, por 12 anos, Diretor de Novas Tecnologias Aplicadas e Chief Evangelist da IBM Brasil.

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