Quando se discute o impacto da inteligência artificial generativa sobre o mercado de trabalho, uma dúvida frequente é: quem será mais afetado? Os dados apresentados pelo JSA Analysis mostram uma resposta surpreendente, e reveladora. A maior exposição à GenAI está justamente entre os profissionais de níveis mais altos de qualificação.
Essa constatação muda o foco da conversa. A ameaça da IA não se limita a tarefas operacionais e repetitivas. Ela também toca em funções estratégicas, analíticas e criativas, onde o potencial de transformação é alto. A chave está em entender se a exposição será via automação ou via aumento de capacidade.

Quanto maior o nível de qualificação, maior o potencial de transformação
A pesquisa classifica os profissionais em cinco níveis de habilidade, do mais básico (Skill Level 1) ao mais avançado (Skill Level 5). O gráfico mostra que, à medida que o nível de qualificação aumenta, a exposição à GenAI também cresce. Isso vale tanto para o risco de automação quanto para as possibilidades de augmentação, ou seja, a ampliação da capacidade do profissional por meio da tecnologia.
Nos níveis mais altos, a exposição à augmentação é predominante. Profissionais com mais qualificação têm mais chances de usar a IA como aliada, ganhando eficiência, profundidade analítica e produtividade. Já nos níveis mais baixos, a automação tende a substituir atividades mecânicas ou de menor complexidade.
A GenAI não substitui o conhecimento, mas redefine como ele é aplicado
A maior exposição entre profissionais qualificados não significa que eles estão ameaçados. Significa que suas funções estão mudando. Um analista que antes precisava investir horas em pesquisa pode agora contar com ferramentas que sintetizam dados em segundos. Um estrategista pode testar múltiplos cenários com apoio de modelos generativos. Um especialista jurídico pode revisar contratos com mais velocidade e segurança.
A IA amplifica o potencial de quem já tem base sólida. Mas também exige uma nova mentalidade: menos foco em execução repetitiva e mais atenção ao julgamento crítico, à criatividade aplicada e à supervisão inteligente da tecnologia.
Automação é mais forte em funções com baixa variabilidade e alto volume
Nos níveis de qualificação mais baixos, a GenAI apresenta maior potencial de automação. Isso é esperado em funções cuja principal entrega é o volume e não a interpretação. Operadores de dados, digitadores, funções de atendimento básico ou rotinas administrativas podem ser parcialmente substituídas ou profundamente transformadas por sistemas de IA.
Nesse cenário, o desafio é preparar essas pessoas para migrar para funções mais analíticas, coordenar processos automatizados ou operar sistemas baseados em IA. O risco real não está na substituição em si, mas na falta de plano de transição.
A capacitação se torna peça central para mitigar desigualdade digital
Se profissionais altamente qualificados estão mais expostos à GenAI, é urgente garantir que todos os níveis da força de trabalho tenham acesso a capacitação, requalificação e ferramentas para se adaptar. Não se trata apenas de proteger empregos, mas de preparar a economia para um novo modelo de trabalho, onde humanos e IA atuam juntos, com papéis redefinidos.
Organizações que compreendem essa dinâmica têm a chance de sair na frente, formando times híbridos que combinam o melhor da inteligência humana com a potência da IA generativa.
A pergunta não é quem será afetado, mas como cada um pode se beneficiar
O gráfico revela uma verdade desconfortável e, ao mesmo tempo, cheia de oportunidade: ninguém está imune à transformação trazida pela GenAI. Todos os níveis de habilidade estão expostos. A diferença está na forma como essa exposição será conduzida.
Quem conseguir transformar exposição em expansão de capacidade terá mais espaço no futuro do trabalho. Quem resistir sem preparo corre o risco de perder relevância.
A escolha está nas mãos de quem lidera, capacita e se antecipa com responsabilidade.
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