A adoção de inteligência artificial generativa nas empresas cresceu 83% em apenas um ano. Mas o ritmo continua desigual entre setores. Enquanto algumas áreas avançam com clareza de propósito, outras seguem em estágio inicial, ainda avaliando os impactos reais da tecnologia no seu modelo operacional.

Em 2024, apenas 12% das organizações usavam GenAI em suas rotinas. Já em 2025, esse número sobe para 22%, segundo o estudo Thomson Reuters 2025. Um crescimento expressivo, mas que ainda revela um cenário fragmentado. O setor jurídico, por exemplo, mais que dobrou sua adoção (de 14% para 26%), enquanto áreas como contabilidade tributária e governo avançaram pouco.
Setor jurídico assume protagonismo na adoção tecnológica
Segundo o gráfico, o setor jurídico foi o que mais evoluiu na aplicação prática da GenAI. Saltou de 14% de uso em 2024 para 26% em 2025, uma alta de 12 pontos percentuais. Esse crescimento mostra um esforço consciente de modernização em um setor tradicionalmente cauteloso com inovação.
Há uma razão estratégica para esse avanço. Escritórios e departamentos jurídicos enfrentam uma pressão crescente por eficiência, previsibilidade e escalabilidade. Ferramentas de GenAI estão sendo utilizadas para automatizar revisão contratual, buscar jurisprudências e até sugerir redações jurídicas com base em modelos aprendidos.
Segundo a LexisNexis, 64% dos profissionais jurídicos já usam IA generativa de forma assistida para acelerar análises de documentos. A adoção não é apenas técnica, é uma resposta direta à necessidade de entregar mais com menos.
Áreas fiscais e de risco avançam com consistência, mas sem aceleração
Em “tax accounting & audit”, o salto foi de 8% para 21%, um crescimento significativo, embora ainda conservador. A área de risco corporativo também subiu de 18% para 21%, mostrando um movimento mais estável. Esses setores possuem alto potencial de automação, mas também enfrentam limitações regulatórias e exigências de validação humana rigorosa.
A GenAI nessas áreas tem sido aplicada principalmente para análises preditivas, geração de relatórios de conformidade e leitura de documentos fiscais. Segundo a EY, empresas que automataram processos fiscais com IA reduziram em média 40% o tempo de fechamento contábil. Ainda assim, muitos players ainda operam com projetos-piloto, sem escala operacional consolidada.
A hesitação se explica: erros nessas áreas têm impacto direto em compliance, reputação e segurança jurídica. Por isso, os ganhos virão com integração responsável, testes controlados e evolução por camadas.
Setor público segue na retaguarda, e isso já preocupa
Enquanto o setor privado começa a colher benefícios da GenAI, o setor público avança lentamente. Apenas 13% das organizações governamentais usam IA generativa em 2025, frente a 11% no ano anterior. A evolução é modesta e revela um desafio de cultura organizacional, orçamento e governança de dados.
Em países como Canadá e Reino Unido, governos já utilizam GenAI para agilizar respostas a cidadãos, analisar políticas públicas e monitorar riscos sistêmicos. No Brasil, ainda há limitações técnicas, jurídicas e estruturais que freiam a escalada de uso — embora iniciativas como o Gov.br indiquem um caminho possível para digitalização de serviços com IA embarcada.
A falta de adoção no setor público compromete não só a eficiência administrativa, mas a equidade no acesso à inovação por parte da população. E gera uma lacuna competitiva entre Estado e iniciativa privada, com impactos diretos em políticas públicas e capacidade de regulação tecnológica.
A curva de adoção já começou, o que falta agora é escala e governança
O avanço da GenAI nas organizações é real, mas ainda está concentrado em iniciativas específicas e setores mais preparados. O crescimento de 10 pontos percentuais em um ano é relevante, mas precisa ser acompanhado de critérios claros de uso, segurança de dados, capacitação e alinhamento com objetivos estratégicos.
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