NRF 2026 e o futuro do search: por que confiança virou o novo critério

Mesmo sem estar fisicamente presente na NRF 2026, acompanhar de perto os debates, painéis e análises do principal evento do varejo global é suficiente para perceber uma mudança estrutural em curso. A forma como pessoas buscam informações, produtos e soluções na internet está sendo profundamente redefinida pela inteligência artificial. Durante anos, o desafio central das […]

Rodrigo RighettiEscrito por Rodrigo Righetti
Compartilhe
Imagem criada por IA mostra uma figura humana tocando uma tela com as duas mãos para fazer uma pesquisa. Na tela aparece o termo AI Search.

Mesmo sem estar fisicamente presente na NRF 2026, acompanhar de perto os debates, painéis e análises do principal evento do varejo global é suficiente para perceber uma mudança estrutural em curso. A forma como pessoas buscam informações, produtos e soluções na internet está sendo profundamente redefinida pela inteligência artificial.


Mesmo sem estar fisicamente presente na NRF 2026, acompanhar de perto os debates, painéis e análises do principal evento do varejo global é suficiente para perceber uma mudança estrutural em curso. A forma como pessoas buscam informações, produtos e soluções na internet está sendo profundamente redefinida pela inteligência artificial.

Durante anos, o desafio central das marcas foi ser encontradas nos mecanismos de busca tradicionais. Hoje, esse desafio evoluiu. À medida que plataformas de IA passam a atuar como buscadores, mediadores e sintetizadores de respostas, o search deixa de ser uma disputa por ranking e se transforma em uma disputa por confiança.

Essa mudança não é conceitual. Ela é prática, técnica e estratégica. E seus efeitos já estão sendo sentidos por quem toma decisões em marketing, dados e negócio.

Pessoas não pensam em palavras-chave, pensam em contexto

Uma das reflexões mais interessantes trazidas nas discussões da NRF parte de uma analogia simples, mas poderosa.

Quando uma pessoa entra em uma loja física, ela não descreve sua necessidade usando palavras-chave isoladas. Ela explica o contexto, o problema, a intenção. A conversa começa ampla, ganha detalhes e só então chega às opções.

No ambiente digital, por muito tempo, tentamos forçar o comportamento humano a se adaptar à lógica das máquinas.

Agora, o caminho está se invertendo.

Com a evolução da IA generativa, os sistemas estão começando a entender intenção, contexto e nuance. Isso muda completamente a forma como marcas devem se posicionar.

De SEO para GEO e AEO: não é moda, é consequência

É nesse cenário que surgem conceitos como:

  • SEO (Search Engine Optimization)
  • GEO (Generative Engine Optimization)
  • AEO (Answer Engine Optimization)

Não se trata de abandonar um em favor do outro, mas de entender que estamos avançando para uma camada mais sofisticada.

Se antes o foco era ser encontrado, agora o desafio é ser a melhor resposta.

E, quando falamos de IA, ser a melhor resposta significa algo muito específico:
ser uma fonte confiável.

Confiança virou critério técnico

Essa talvez seja a principal virada de chave.

Os modelos de IA não avaliam apenas palavras-chave ou links. Eles avaliam:

  • Consistência de informações
  • Autoridade do emissor
  • Clareza de posicionamento
  • Coerência entre discurso, dados e histórico
  • Capacidade de responder perguntas complexas de forma útil

Em outras palavras, confiança deixou de ser apenas um atributo de marca e passou a ser um fator técnico.

Quando uma IA responde a uma pergunta, ela está, na prática, escolhendo em quem confiar.

O impacto real para marketing e negócios

Para quem atua com marketing, dados e estratégia, a implicação é direta.

Não basta mais produzir conteúdo para ranquear.
É preciso estruturar conhecimento para ser referenciado.

Não basta gerar tráfego.
É preciso construir autoridade reconhecível por sistemas inteligentes.

Isso exige uma integração real entre:

  • Dados bem estruturados
  • Conteúdo com profundidade
  • Marca com posicionamento claro
  • Tecnologia como meio, não como fim

A visão a partir da Confi e do AI Brasil

Como CGO da Confi e do AI Brasil, acompanhando de perto essas transformações, minha leitura é objetiva: estamos entrando em uma fase em que conteúdo vira infraestrutura, dados viram ativos estratégicos e marca vira sinal de confiabilidade para humanos e máquinas.

O marketing deixa de ser apenas uma ferramenta de aquisição e passa a ocupar um papel central na arquitetura de confiança das empresas.

Quem continuar operando apenas na lógica de cliques e posições vai perder relevância.
Quem entender que o novo jogo é ser fonte, e não apenas destino, vai construir vantagem real.

O futuro do search não é ser encontrado, é ser escolhido

O search está deixando de ser um mecanismo de descoberta para se tornar um sistema de decisão mediado por inteligência artificial.

Nesse novo ambiente, confiança não é um atributo subjetivo de marca. Ela passa a operar como infraestrutura. Um conjunto de sinais consistentes, dados confiáveis, histórico coerente e clareza de posicionamento que permitem que sistemas inteligentes decidam quem pode responder, recomendar ou orientar.

É exatamente nesse ponto que marketing, dados, tecnologia e governança deixam de atuar de forma isolada. O search se torna apenas uma das camadas visíveis de algo maior: a necessidade de arquitetar confiança de forma contínua, mensurável e escalável.

Para empresas que entendem essa mudança, o desafio deixa de ser aparecer. Passa a ser sustentar relevância e legitimidade em um ecossistema onde decisões não são mais tomadas apenas por pessoas, mas por máquinas treinadas para confiar.

Rodrigo Righetti

Rodrigo Righetti

Rodrigo Righetti é CGO da Confi, ecossistema proprietário do AI Brasil e que oferece soluções orientadas a dados, confiança e inteligência para apoiar empresas em decisões estratégicas, reputação, performance e crescimento. Founder da RREC, construiu carreira entre criação, estratégia e liderança executiva, com passagens por produção audiovisual e posições de CMO e VP em empresas de tecnologia. É criador e apresentador do Conversa Cara e palestrante em inteligência artificial, criatividade e empreendedorismo, com atuação como jurado em premiações internacionais como El Ojo e Effie Awards.

Ver mais artigos desse autor

Recomendadas para você

O FUTURO DO BRANDING PODE CABER EM UMA CENA DE BOTECO. E não! Não é uma história sobre um carro

O FUTURO DO BRANDING PODE CABER EM UMA CENA DE BOTECO. E não! Não é uma história sobre um carro

É sobre um detalhe que quase passa batido quando a gente está distraído com a espuma do hype: a IA não está só “organizando links”. Ela está sintetizando realidade. Por 20 anos, o jogo foi: SEO, primeira página, clique, tráfego, conversão. A nossa régua era o ranking.

Eduardo Salvalaggio
24 DE MARÇO
Background newsletter

Inscreva-se na nossa newslleter

NRF 2026 e o futuro do search: por que confiança virou o novo critério | AI Brasil