Quase metade dos conselhos corporativos admite falta de dados e análises robustas para decisões estratégicas em IA, um dos principais obstáculos à supervisão eficaz da tecnologia.
O estudo do Infosys Knowledge Institute com 300 conselheiros de empresas norte-americanas (receita ≥ US$ 1 bi) mostra que, embora 86% já tratem IA como pauta recorrente, apenas um terço tem uma postura ativa na definição de estratégia, e menos de 30% vincula KPIs de IA à avaliação de executivos. O resultado é uma lacuna entre discurso e execução: a governança não evolui no mesmo ritmo da adoção tecnológica.
O levantamento indica que a IA já é pilar central de valor e risco. A maioria dos diretores reconhece os impactos em crescimento, eficiência e diferenciação, mas enfrenta desafios em integrar dados, medir resultados e lidar com novas formas de risco… de vieses algorítmicos a desinformação e deepfakes.
Metade dos conselhos classifica a propagação de informações falsas e violações de privacidade entre as maiores ameaças, e 54% apontam danos à marca como o efeito mais grave possível de falhas em IA. Mesmo assim, 31% dizem estar pouco preocupados com reputação, sinal de confiança excessiva em estruturas ainda imaturas.
A governança de IA permanece desigual. Em 55% das companhias, planos de IA são setoriais e não corporativos; 29% têm uma estratégia enterprise-grade com metas e KPIs. Apenas 46% supervisionam diretamente a explicabilidade das decisões algorítmicas… metade delega à gestão.
Esse distanciamento reduz a capacidade de prevenção e resposta: embora três em cada quatro incluam incidentes de IA em protocolos de crise, menos de um terço testou tais planos de fato.
O impacto estratégico é claro: conselhos que integram IA à governança ampliam transparência, confiança e criação de valor sustentável. O relatório recomenda incorporar compliance e ética no ciclo de vida dos modelos, com monitoramento em tempo real, auditorias automáticas e trilhas de decisão rastreáveis. Também propõe que a supervisão de IA seja enterprise-wide, com métricas de valor atreladas à remuneração executiva, uma prática que transforma IA de experimento em motor de performance corporativa.
O papel do #conselho na era da #IA é migrar de observador para orquestrador.
Conselhos corporativos e IA: muito debate, pouca direção
Quase metade dos conselhos corporativos admite falta de dados e análises robustas para decisões estratégicas em IA, um dos principais obstáculos à supervisão eficaz da tecnologia.
Escrito por Alexandre Caramaschi
Escrito por Alexandre Caramaschi

Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é CMO da Semantix e Co-founder da AI Brasil, com mais de 18 anos de experiência em vendas, marketing e transformação digital.
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