A Inteligência Artificial (IA) vai redesenhar as compras no digital? O que realmente muda?

Estamos entrando em um novo ciclo. E ele não será decidido por algoritmos de busca, mas sim pela forma como agentes inteligentes vão intermediar a relação entre marcas e consumidores.

Angelo VicenteEscrito por Angelo Vicente
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A Inteligência Artificial (IA) vai redesenhar as compras no digital? O que realmente muda?

Estamos entrando em um novo ciclo. E ele não será decidido por algoritmos de busca, mas sim pela forma como agentes inteligentes vão intermediar a relação entre marcas e consumidores.

Os 6 movimentos que estão moldando esse cenário, e que exigem atenção de marcas e varejistas:

1. Impulso e alto valor continuam humanos

A compra por impulso (TikTok Shop, checkout instantâneo) e a de altíssimo valor (automóveis, imóveis) ainda terão forte presença humana.
O espaço da IA está no “miolo da curva”: eletrônicos, cosméticos, artigos esportivos.

2. O novo “last-click”

Agentes automáticos vão negociar cupons, cashback e até condições de cartão.
Risco: Lojistas perderem margem em um “Honey 2.0” mais sofisticado.

3. Google vs. LLMs

O Google já começa a perder buscas “free” (informacionais).
Quando os LLMs tiverem acesso a dados de produto confiáveis, até parte das buscas premium (aquelas que geram receita publicitária) poderá migrar também.

4. Internet poluída

SEO + afiliados estão saturando a web com listas falsas de “top 10”.
💡 O novo ouro: reviews em vídeo, não patrocinados, ainda pouco indexados.

5. Modelos antifrágeis

O exemplo Costco “AI-proof”: margem baixa, confiança alta, valor no membership. O ativo central não é margem por item, mas a confiança.

6. A guerra do SKU/UPC

Com UPC → a IA encontra melhor preço, frete e cashback.
Sem UPC → sobra espaço para curadoria, UX e diferenciação.

Ação imediata: investir em fundamentos que dialoguem com a lógica da IA:

▪️ Catálogos “LLM-ready” (taxonomia, atributos, estoque estruturado).
▪️ Sites “agent-friendly” (Schema.org, APIs).
▪️ Memberships e recorrência: construção de moats à la Costco.
▪️ Reviews em vídeo como sinal de confiança.
▪️ Modelo de atribuição que não premie só o “último clique do agente.”

Nesse ambiente, dados limpos são o alimento dos agentes.

Mas o que sustenta empresas não é apenas tecnologia: é a confiança. E ela, ao contrário de algoritmos, não pode ser copiada.

Angelo Vicente

Angelo Vicente

Mestre em Ciências e Gestão de Tecnologia, pelo MIT Sloan School of Management (2023). Fundador da e-Cadeiras e da SELIA Intelligent Commerce, onde exerce o cargo de CEO atualmente. Com uma trajetória de mais de 12 anos no setor de comércio eletrônico, Ângelo é movido pela paixão em explorar o potencial de novas tecnologias, sempre com o objetivo de agregar valor significativo para seus clientes e parceiros. Além de seu papel na SELIA, ele é uma figura proeminente no cenário de E-Commerce, onde contribui ativamente para a comunidade do setor, participando como articulista, conferencista, professor e palestrante em diversas instituições de ensino e eventos. É membro do Conselho do E-Commerce Brasil e Cofundador da Escola Superior de E-commerce - ESECOM.

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É sobre um detalhe que quase passa batido quando a gente está distraído com a espuma do hype: a IA não está só “organizando links”. Ela está sintetizando realidade. Por 20 anos, o jogo foi: SEO, primeira página, clique, tráfego, conversão. A nossa régua era o ranking.

Eduardo Salvalaggio
24 DE MARÇO
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