A adoção de tecnologias de inteligência artificial, como a GenAI, está mudando o jogo em vários setores. Mas junto com o potencial de eficiência e inovação, vem também uma questão prática e inevitável: como as empresas estão lidando com os custos dessa transformação?
O gráfico revela um ponto sensível dessa jornada: o impacto financeiro das soluções de GenAI e como ele é repassado, ou absorvido, pelos prestadores de serviços profissionais. Escritórios de advocacia e firmas contábeis estão tomando caminhos diferentes, e entender essas decisões é essencial para clientes, fornecedores e líderes que querem escalar a IA com equilíbrio entre valor percebido e sustentabilidade financeira.

Escritórios jurídicos preferem absorver ou decidir caso a caso
Entre os escritórios de advocacia, apenas 11% estão repassando os custos de GenAI de forma generalizada para os clientes. Em contraste, 42% afirmam fazer isso de forma seletiva, analisando caso a caso, e 19% afirmam que os custos já estão sendo transferidos parcialmente.
No entanto, o dado mais interessante é que 25% dos escritórios dizem absorver os custos como parte do seu próprio overhead, ou seja, considerando o uso da GenAI como um investimento interno, e não como um serviço cobrado diretamente do cliente.
Essa postura pode estar associada à busca por ganho de competitividade, eficiência de entrega e diferenciação de marca, especialmente em mercados saturados onde o valor da experiência com IA ainda está em construção.
Escritórios de contabilidade adotam uma postura mais equilibrada
No setor tributário, os dados revelam uma distribuição mais uniforme. Cerca de 25% repassam os custos de forma ampla, 27% o fazem de maneira seletiva, e 24% absorvem como parte do seu custo fixo.
Essa divisão sugere que o setor contábil está em uma fase de transição, testando diferentes estratégias de precificação. Como a aplicação da GenAI tende a ser mais técnica e previsível, por exemplo, na geração de relatórios, análise de dados e triagem de documentos, o valor agregado é mais tangível para o cliente final, o que justifica tanto o repasse como a internalização do investimento.
A falta de padrão revela um mercado ainda em ajuste
A presença significativa da categoria “não tenho certeza” em ambas as colunas do gráfico, 25% para escritórios jurídicos e 17% para firmas tributárias, mostra que, em muitas organizações, a estratégia de precificação relacionada à IA ainda não está clara. Isso pode significar que a IA está sendo usada de forma experimental, sem controle de custo direto, ou que a conversa com o cliente sobre esse tema ainda não foi estruturada.
Essa indefinição abre espaço para riscos: desvalorização do serviço, percepção de opacidade ou conflitos de expectativa sobre o que está sendo entregue com apoio da GenAI.
A gestão transparente dos custos de IA será um diferencial competitivo
Seja qual for a estratégia, absorver, repassar ou modular, o mais importante é a transparência na comunicação com o cliente. Clientes estão cada vez mais atentos ao uso de IA, e muitos já se perguntam se estão pagando por trabalho humano ou por tarefas parcialmente automatizadas.
Firms que adotarem uma abordagem clara e justa para explicar como a IA entra no processo, onde ela gera valor e como isso afeta o custo do serviço vão construir relações mais fortes e sustentáveis.
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