Quem já está usando GenAI, e quem ainda está decidindo se deve usar

A adoção da inteligência artificial generativa nas organizações já começou, mas a velocidade varia conforme o setor. Enquanto alguns já testam e implementam, outros ainda avaliam riscos, benefícios e até mesmo se devem seguir esse caminho. A hesitação tem custo, e o tempo de decisão está se encurtando.

Hoje, apenas 22% das organizações afirmam já estar utilizando GenAI em suas operações. O restante está dividido entre planejamento, incerteza e inação. No setor público, 41% afirmam que não têm qualquer plano de uso no curto prazo. Em contrapartida, escritórios de advocacia e áreas jurídicas corporativas aparecem entre os mais ativos em adoção ou intenção de adoção.

Esses dados, extraídos do relatório Thomson Reuters 2025, revelam mais do que o estágio de maturidade tecnológica de cada setor: eles evidenciam como fatores culturais, regulatórios e estratégicos influenciam a velocidade com que a inovação é incorporada. A missão da AI Brasil é orientar esse processo com clareza, dados confiáveis e compromisso com o impacto positivo da IA nos negócios e na sociedade.

A hesitação custa caro quando a concorrência acelera

Segundo o gráfico, 28% das organizações ainda não têm planos concretos para usar GenAI. Esse grupo inclui tanto o setor público, com 41% de inação declarada, quanto áreas de risco corporativo, com 37%. A diferença entre pensar sobre IA e colocá-la em prática pode representar perda de competitividade, especialmente em segmentos que exigem agilidade, conformidade regulatória e redução de custos operacionais.

No relatório AI Index 2024 da Stanford University, empresas que adotaram GenAI nos processos internos tiveram ganhos médios de produtividade de até 40% em tarefas repetitivas. Essa diferença de performance começa pequena, mas cresce exponencialmente à medida que a IA é integrada a sistemas, decisões e atendimento.

Setores que não se movimentam agora terão que correr dobrado no futuro. A adoção tardia costuma implicar em custos maiores de integração, perda de talentos e necessidade urgente de requalificação de processos.

Entre o planejamento e a ação, poucos já colhem resultados

Hoje, apenas 22% das organizações afirmam já estar usando GenAI. Dentre elas, escritórios de advocacia (28%) lideram em adoção efetiva, seguidos por áreas jurídicas internas (23%) e empresas do setor tributário (21%). O destaque está nos tax firms, onde 25% estão em fase de planejamento, sinal de que o setor está estruturando iniciativas para implementação em escala.

Em contraste, áreas de risco corporativo e o setor público aparecem com os menores índices de uso efetivo (21% e 13%, respectivamente), reforçando a tendência de conservadorismo em setores onde a margem para erro é menor ou onde a burocracia interna limita a agilidade.

A GenAI exige não só adoção técnica, mas mudança cultural. A hesitação muitas vezes está menos ligada à capacidade tecnológica e mais à estrutura decisória da organização. Isso reforça a importância de lideranças que compreendam o valor da IA e saibam traduzi-lo em ações práticas.

Decidir se vai usar GenAI ainda é a realidade para muitos, mas por quanto tempo?

O maior grupo identificado na pesquisa é o que ainda está “considerando se vai usar ou não” GenAI. Esse estágio de análise representa 32% do total, com destaque para escritórios de advocacia (36%) e setor público (33%). O dado é revelador: um terço das organizações está em compasso de espera, observando o movimento do mercado antes de tomar uma decisão.

Esse comportamento pode ser estratégico, mas também arriscado. A indecisão prolongada dificulta a construção de competências internas, limita testes controlados e impede que a empresa defina seus próprios limites éticos e operacionais para o uso da IA.

Estudos da PwC apontam que as organizações que adotam IA em estágios iniciais têm mais controle sobre governança, segurança de dados e alinhamento com objetivos estratégicos. Esperar demais pode significar aderir sob pressão, em vez de liderar com propósito.

A pergunta não é mais “se” vamos usar IA, mas “como, quando e para quê”

A imagem mostra um retrato claro de um mercado em transição: parte já experimenta, outra planeja, muitos ainda observam. O que separa essas posições não é apenas o setor de atuação, mas o nível de prontidão estratégica e de liderança digital dentro de cada organização.

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