A inteligência artificial generativa já entrou para a pauta prioritária de muitas empresas, mas a forma como ela é adotada, impulsionada e regulada internamente ainda varia bastante de acordo com o perfil e a função dos stakeholders envolvidos.

A área de tecnologia lidera a pressão por adoção e responsabilidade
TI aparece com força como principal agente de pressão tanto para o uso quanto para o uso responsável da GenAI. Mais da metade dos respondentes identificam essa área como uma das três maiores fontes de incentivo à adoção, e 26% dizem que é ela quem mais pressiona por uso responsável.
Esse protagonismo não é surpresa. Equipes de tecnologia estão na linha de frente da avaliação de riscos, infraestrutura, integração com sistemas e implementação prática. Elas não apenas testam as ferramentas como também definem padrões técnicos e boas práticas, o que naturalmente as coloca no centro das decisões.
Operações e P&D têm papel fundamental na tração do uso aplicado
Além de TI, áreas operacionais e de pesquisa e desenvolvimento aparecem entre as mais engajadas na pressão por adoção de GenAI. O foco aqui está na produtividade, automação de processos, ganho de escala e inovação contínua. Essas funções enxergam valor direto na IA porque lidam com grandes volumes de dados, tarefas repetitivas e desafios constantes de eficiência.
O interessante é que essas mesmas áreas também já começam a se preocupar com o uso ético e sustentável da tecnologia, ainda que com menor intensidade que TI. Isso mostra uma transição de mentalidade: o entusiasmo técnico está sendo equilibrado com responsabilidade estratégica.
A liderança executiva reconhece o impacto, mas ainda atua com cautela
O C-level aparece como uma força relevante, mas não dominante. Apenas 8% apontam os executivos como os que mais pressionam pelo uso de GenAI, e 8% dizem o mesmo sobre a responsabilidade no uso. Isso sugere que, embora as lideranças reconheçam o potencial da tecnologia, ainda há cautela na forma como isso é transformado em cobrança direta sobre as áreas.
Essa postura pode estar relacionada à necessidade de alinhar a IA à estratégia geral do negócio, o que exige mais tempo, análise de impacto e definição de métricas claras antes de escalar a pressão internamente.
A governança da IA ainda está em construção em diversas áreas
Funções como jurídico, compliance, RH e vendas aparecem com níveis baixos de pressão, tanto para uso quanto para responsabilidade. Isso evidencia que a governança da IA ainda está sendo consolidada. Sem diretrizes claras, essas áreas acabam agindo de forma reativa, aguardando posicionamento institucional antes de se envolverem com mais profundidade.
Mas esse é um ponto crítico. Para que a GenAI seja usada com ética, inclusão, segurança e clareza de propósito, é essencial envolver todas as áreas desde o início. O risco de decisões fragmentadas e desalinhadas aumenta quando a adoção é centralizada apenas em áreas técnicas.
A responsabilidade precisa crescer junto com a escala
A imagem deixa claro que o uso de GenAI está sendo impulsionado de forma significativa. Mas também alerta que, em muitos casos, a responsabilidade não está crescendo na mesma velocidade. O risco, nesse cenário, é permitir que decisões tecnológicas sejam tomadas sem considerar suas implicações legais, sociais e estratégicas.
A construção de um ecossistema saudável de GenAI nas empresas depende da participação ativa de diferentes áreas, com um equilíbrio entre empolgação e cautela. A tecnologia precisa ser desejada, mas também compreendida. E, acima de tudo, precisa ser direcionada com propósito.
Quem define o uso responsável de IA não é a ferramenta, é a cultura. E ela se forma com decisões claras, participações diversas e liderança comprometida.
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