IA pode elevar PIB do Brasil em quase R$ 1 trilhão

A inteligência artificial pode gerar um ganho acumulado de R$ 986,7 bilhões para a economia brasileira entre 2027 e 2030, segundo estudo do Reglab. A pesquisa estima que a tecnologia pode elevar o PIB em 2,77% no período, principalmente pelo aumento da produtividade dos trabalhadores e pelo uso de IA em máquinas e equipamentos. Indústria, serviços, comércio e agropecuária estão entre os setores que podem registrar impactos.

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Ilustração conceitual de um cérebro humano com iluminação em néon sobre um fundo em degradê de azul e rosa. O hemisfério esquerdo exibe o formato orgânico de um cérebro natural, enquanto o hemisfério direito é composto por linhas de circuitos eletrônicos. No centro, há um pequeno chip com a sigla "IA".

IA pode acrescentar quase R$ 1 trilhão ao PIB do Brasil até 2030, segundo estudo do Reglab encomendado pela OpenAI.

Estudo estima que tecnologia aumentará produtividade e terá impacto em setores da economia

A inteligência artificial (IA) pode gerar um ganho acumulado de R$ 986,7 bilhões para a economia brasileira entre 2027 e 2030, segundo estudo do Centro de Estratégia e Regulação (Reglab). O cálculo considera, em valores presentes, os ganhos de produção previstos para o período. O levantamento foi encomendado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT.

De acordo com o cenário central da pesquisa, a adoção da IA elevaria o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,77% no período, equivalente a uma média de 0,69 ponto percentual por ano. Cerca de 65% desse impacto viria do aumento da produtividade dos trabalhadores. Os outros 35% estariam relacionados à aplicação da tecnologia em máquinas, equipamentos e outros ativos produtivos.

O valor estimado corresponde a 7,6% do PIB projetado para 2026. Entre os setores analisados, a indústria de transformação teria o maior impacto, com ganho estimado em R$ 264 bilhões. Na sequência aparecem outras atividades de serviços, com R$ 165 bilhões, e o comércio, com R$ 131 bilhões.

O estudo avaliou 12 áreas da economia e identificou diferenças na forma como a tecnologia poderia produzir ganhos. Na agropecuária, por exemplo, 92% do impacto estimado, de R$ 48 bilhões, estaria associado ao uso de equipamentos inteligentes, drones e sensores. Já em setores como finanças, comunicação e administração pública, o principal efeito seria sobre a produtividade dos profissionais.

Para chegar às estimativas, o Reglab adaptou ao Brasil a metodologia utilizada pelo economista Daron Acemoglu em estudo sobre os efeitos da IA na economia dos Estados Unidos. Como não existe no país uma base com as tarefas desempenhadas em cada ocupação, os pesquisadores combinaram dados sobre profissões da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, com informações da base norte-americana.

O modelo considera uma adoção gradual da tecnologia. Até 2030, seriam aproveitados 66% do potencial relacionado ao trabalho e 62% do potencial ligado ao capital. Segundo o relatório, fatores como crédito elevado, diferenças entre empresas, infraestrutura e qualificação profissional podem reduzir a velocidade de incorporação da IA no Brasil.

O estudo ressalta que os números representam potenciais ganhos e dependem de condições como expansão da conectividade, qualificação de trabalhadores, acesso a crédito e suporte a pequenas empresas. A pesquisa também reconhece limitações metodológicas, já que ocupações semelhantes podem envolver tarefas e condições diferentes no Brasil e nos Estados Unidos.

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