IA não deve eliminar empregos, diz gestor da Itaú Asset

O avanço da inteligência artificial tem dominado o debate econômico global, mas a ideia de que a tecnologia provocará uma onda imediata de desemprego em massa ainda não encontra confirmação nos dados disponíveis nem na maior parte das análises acadêmicas.

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Grupo de pessoas esperando para uma entrevista de emprego, junto com um robô, representando a Inteligência Artificial

O avanço da inteligência artificial tem dominado o debate econômico global, mas a ideia de que a tecnologia provocará uma onda imediata de desemprego em massa ainda não encontra confirmação nos dados disponíveis nem na maior parte das análises acadêmicas.

O avanço da inteligência artificial tem dominado o debate econômico global, mas a ideia de que a tecnologia provocará uma onda imediata de desemprego em massa ainda não encontra confirmação nos dados disponíveis nem na maior parte das análises acadêmicas. A avaliação é de Bruno Bak, responsável pela mesa Artax da Itaú Asset, em citações no portal InfoMoney. Bak aponta outro fator como principal termômetro da economia americana no curto prazo: o mercado de trabalho.

Segundo o gestor, a evolução do emprego será determinante para entender o cenário macroeconômico dos próximos meses. Apesar de os Estados Unidos terem registrado crescimento anual próximo de 2,5%, ligeiramente acima do potencial, a geração de vagas em 2025 ficou entre as mais fracas fora de períodos de recessão, o que levantou dúvidas entre economistas e investidores.

Esse comportamento atípico também chamou a atenção de autoridades monetárias. O governador do Federal Reserve, Christopher Waller, chegou a reconhecer recentemente a discrepância entre crescimento econômico e criação de empregos, fenômeno que vem sendo analisado por especialistas.

Na visão da equipe da Artax, o cenário-base aponta para uma recuperação gradual da geração de vagas ao longo de 2026. A expectativa é que a criação mensal de empregos volte a crescer, após um período em que os números revisados de 2025 ficaram próximos de zero. Entre os fatores que podem sustentar essa retomada estão estímulos fiscais do governo, cortes de juros já realizados pelo banco central americano e a resiliência do consumo das famílias.

Quando o assunto é inteligência artificial, a avaliação do gestor é que a tecnologia representa uma transformação relevante, mas não necessariamente um gatilho imediato para destruição generalizada de empregos. O impacto mais provável, segundo estudos acadêmicos analisados por ele, tende a ocorrer por meio de ganhos de produtividade e mudanças no perfil das ocupações.

Historicamente, transformações tecnológicas produziram efeitos semelhantes. Durante a Revolução Industrial e posteriormente com a expansão da internet, algumas funções desapareceram enquanto novas atividades surgiram. A expectativa de parte dos pesquisadores é que a inteligência artificial siga uma trajetória comparável, alterando tarefas e exigindo novas habilidades, em vez de simplesmente eliminar postos de trabalho.

Pesquisas recentes com executivos nos Estados Unidos indicam que a adoção da tecnologia já é ampla. A maioria das empresas afirma utilizar ferramentas de IA em suas operações, embora muitas ainda não tenham identificado ganhos significativos de produtividade.

Para o gestor, existe também um cenário alternativo que merece atenção. Caso a tecnologia já esteja elevando a produtividade de forma mais silenciosa e as empresas passem a contratar menos trabalhadores, a economia americana poderia continuar crescendo mesmo com geração de empregos próxima de zero. Nesse caso, o Federal Reserve poderia ser pressionado a reduzir os juros de forma mais agressiva para estimular o mercado de trabalho.

Diante desse quadro, o debate sobre inteligência artificial continua relevante, mas o comportamento do emprego permanece como o principal indicador para avaliar a direção da economia americana no curto prazo.

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