A adoção da inteligência artificial, especialmente na forma generativa, segue crescendo em escala e impacto. Mas enquanto as soluções avançam em complexidade e poder de decisão, a forma como elas são supervisionadas internamente ainda está em fase de amadurecimento.
A pesquisa apresentada revela o panorama atual das estruturas de governança tanto para IA tradicional quanto para GenAI. A diferença entre maturidade percebida e realidade prática mostra o quanto ainda precisamos avançar para garantir uma adoção segura, transparente e alinhada aos objetivos do negócio.

A governança de IA está mais estruturada do que a de GenAI
Quando se trata da inteligência artificial de forma mais ampla, 13% das empresas afirmam ter um framework bem estabelecido e abrangente. No caso da GenAI, esse número cai para apenas 5%. Isso indica que a maioria das empresas ainda trata a governança de GenAI como uma extensão da IA tradicional, o que pode não ser suficiente, considerando os riscos específicos relacionados à geração de conteúdo, alucinação de respostas, rastreabilidade e propriedade intelectual.
A construção de políticas específicas para GenAI não é um detalhe técnico. É uma necessidade estratégica. Ignorar as particularidades dessa tecnologia pode levar a falhas operacionais, reputacionais e jurídicas.
A maior parte das organizações ainda está construindo sua estrutura de governança
Tanto para IA quanto para GenAI, a maioria das empresas declara estar em fase de desenvolvimento das estruturas de governança. No caso da IA, 61% dizem estar nesse estágio. Para GenAI, o número sobe para 55%, e em algumas faixas analisadas, até 78%.
Esse dado indica que as organizações reconhecem a importância da governança, mas ainda enfrentam desafios de implementação. Isso pode incluir ausência de modelos de referência, dificuldade de integrar equipes jurídicas e técnicas, falta de diretrizes regulatórias claras e, em muitos casos, escassez de talentos com experiência prática no tema.
Estruturas informais ainda são uma realidade significativa
Um dado que merece atenção é o número de empresas que atuam com governança ad hoc ou informal. No caso da GenAI, 28% dos respondentes estão nessa situação. Para IA tradicional, o número é semelhante: 21%.
Isso significa que, embora haja consciência sobre os riscos, muitas decisões ainda são tomadas caso a caso, sem um processo definido, sem métricas estabelecidas e com alto grau de improvisação. Isso dificulta a escalabilidade, fragiliza a segurança e impede o aprendizado contínuo com base em boas práticas.
A ausência completa de governança é menos comum, mas ainda preocupante
A porcentagem de empresas que afirmam não ter nenhuma estrutura de governança para IA é de apenas 6%. Para GenAI, esse número salta para 11% e, em alguns segmentos analisados, chega a 26%.
Isso mostra que, em um cenário de rápida adoção, há ainda uma parcela significativa de empresas que estão experimentando IA generativa sem qualquer diretriz de uso, proteção de dados, avaliação de viés ou política de accountability. Isso representa um risco não apenas técnico, mas também estratégico.
Governança não é sobre controle. É sobre confiança
Estabelecer um framework de governança para GenAI não é frear a inovação. Pelo contrário: é garantir que ela aconteça com solidez, ética e capacidade de escalar. Empresas que constroem essas estruturas conseguem integrar IA com mais segurança, conquistar a confiança dos clientes e atrair talentos que valorizam responsabilidade tecnológica.
No centro dessa governança devem estar princípios como explicabilidade, transparência, supervisão humana e alinhamento com os valores da organização.
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