A adoção da inteligência artificial generativa está transformando como profissionais entregam valor, mas também começa a influenciar como esse valor é precificado. A imagem da pesquisa Thomson Reuters revela uma pergunta que está no centro da estratégia de muitos escritórios jurídicos e tributários: o uso de GenAI vai aumentar ou diminuir o que é cobrado dos clientes?
Com base nas respostas coletadas em 2024 e 2025, o cenário mostra um equilíbrio entre expectativa de estabilidade e percepção de ganho de eficiência que pode ser refletido na precificação. A análise desses dados ajuda a entender não apenas como o mercado vê a IA, mas como ela começa a afetar modelos de negócio e relações comerciais.

A maioria ainda acredita que os preços vão se manter
Em 2025, 46% dos respondentes afirmam que suas tarifas devem continuar estáveis, mesmo com a adoção crescente da IA generativa. Esse número, embora menor do que os 53% registrados em 2024, ainda representa quase metade do mercado. Ele mostra que muitos escritórios e departamentos acreditam que a GenAI vai melhorar a produtividade, mas que isso não vai alterar, ao menos no curto prazo, o valor cobrado pelos serviços.
Esse dado reflete uma visão estratégica: em vez de reduzir preços, muitas empresas planejam aumentar margem, melhorar tempo de resposta ou ampliar escopo sem mudar o modelo de precificação.
O uso da IA já começa a influenciar aumentos seletivos
Por outro lado, cresceu de 22% para 27% o número de organizações que acreditam que as tarifas devem aumentar de forma moderada. E outros 5% projetam um aumento significativo. Esses números indicam que parte do mercado já vê a GenAI como uma oportunidade de oferecer novos serviços, agregar valor e cobrar mais por entregas especializadas, rápidas ou sob demanda.
Entre escritórios jurídicos, 17% acreditam que haverá aumento, enquanto em firmas de contabilidade e auditoria esse número chega a 37%. O setor tributário, portanto, parece enxergar com mais clareza a chance de monetizar a eficiência gerada pela IA.
A expectativa de queda nos preços ainda é exceção
A queda nos valores cobrados ainda é vista como uma hipótese marginal. Apenas 5% dos respondentes projetam redução leve nas tarifas, e praticamente nenhum vê chance de queda significativa. Isso indica que a percepção predominante é que GenAI não vai causar um movimento de desvalorização dos serviços profissionais, mesmo nos casos em que aumenta a automação.
O argumento por trás dessa visão é que, mesmo com IA, a curadoria humana, a supervisão técnica e o contexto estratégico continuarão sendo entregas de alto valor, o que justifica manter ou até elevar os preços em alguns casos.
O alto índice de incerteza mostra que o modelo de precificação ainda está em revisão
Em 2025, 17% das empresas ainda afirmam não saber qual será o impacto da IA nos preços, contra 15% em 2024. Essa leve alta indica que, embora a adoção esteja aumentando, os efeitos sobre modelo de negócio ainda estão sendo avaliados com cautela.
A incerteza pode estar ligada a variáveis como tipo de cliente, setor de atuação, modelo de cobrança (por hora ou por projeto) e estágio de maturidade na aplicação de IA. O importante é entender que esse cenário ainda está em construção e que respostas definitivas ainda não são possíveis.
IA muda produtividade antes de mudar preço, e isso muda tudo
O que os dados revelam, no fundo, é que a GenAI está sendo usada para criar mais valor e não necessariamente para reduzir preço. A precificação tende a seguir o impacto percebido pelo cliente e os ganhos internos de eficiência.
Organizações que souberem comunicar claramente como a IA melhora a entrega, reduz riscos ou amplia insights terão mais margem para manter ou elevar preços. Já aquelas que tratarem a GenAI apenas como substituição operacional correm o risco de banalizar sua proposta de valor.
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