Enquanto empresas adotam com entusiasmo ferramentas de IA generativa para acelerar produtividade, inovar e cortar custos, uma questão central segue pouco endereçada: quem está definindo as regras do jogo?
A imagem extraída do relatório global da SAS mostra um retrato importante. Mostra que, apesar do avanço da tecnologia, a governança ainda está em construção, e muitas vezes, sendo improvisada. Os dados revelam diferenças relevantes entre setores e entre IA tradicional e GenAI, e reforçam a urgência de amadurecer esse pilar antes que o custo da ausência se torne visível.

A maioria ainda está desenvolvendo frameworks, mas poucos já têm algo sólido
Tanto para IA quanto para GenAI, a maior parte das organizações se encontra na fase de desenvolvimento das estruturas de governança. No caso da IA tradicional, mais de 60% dizem estar com frameworks “em desenvolvimento”. No caso da GenAI, esse número gira entre 55% e 59% dependendo do setor.
Já os frameworks bem estabelecidos e abrangentes ainda são exceção. Apenas 13% das empresas afirmam ter uma governança madura para IA. Para GenAI, o número é ainda menor: apenas 5%. Isso revela que, embora exista clareza sobre a importância da governança, poucos conseguiram traduzir isso em estrutura, processo e política interna.
O setor financeiro avança com mais consistência, enquanto saúde e setor público caminham com cautela
Entre os setores avaliados, o bancário se destaca com os maiores percentuais de governança já bem estabelecida para IA tradicional (15%) e GenAI (6%). Isso faz sentido dado o nível de regulação, maturidade digital e risco operacional inerente às instituições financeiras.
Por outro lado, áreas como setor público, saúde e ciências da vida seguem mais tímidas. No setor público, por exemplo, 34% das organizações ainda atuam com governança ad hoc ou informal no uso de GenAI, e 11% admitem não ter nenhum tipo de estrutura em vigor. Isso sugere que, mesmo com a pressão para inovar, a falta de recursos, diretrizes regulatórias claras ou capacidade técnica ainda limita a ação estruturada.
A governança improvisada ainda é muito comum, e perigosa
O uso informal da IA é frequente em vários setores. Para GenAI, de 26% a 34% das organizações estão operando com frameworks improvisados, decidindo caso a caso sem padronização de critérios, sem métricas definidas e com pouca ou nenhuma supervisão formal.
Esse improviso até pode funcionar em uma fase inicial. Mas com a ampliação do uso, os riscos crescem, desde uso indevido de dados sensíveis até a geração de conteúdo inadequado, passando por decisões automatizadas sem explicabilidade.
A ausência de governança organizada não apenas fragiliza a operação, mas compromete a escalabilidade, a confiança do usuário e a reputação da empresa diante de parceiros e reguladores.
A ausência total de governança já não é mais aceitável
Por fim, o dado mais preocupante: para IA generativa, entre 9% e 14% das organizações admitem não ter nenhuma estrutura de governança em funcionamento. É o equivalente a adotar uma tecnologia transformadora sem qualquer plano de responsabilidade, controle ou direcionamento.
Em setores como saúde, ciências da vida e setor público, essa ausência é especialmente sensível. O uso de IA para gerar conteúdo, analisar prontuários ou apoiar decisões regulatórias não pode acontecer sem supervisão clara, padrões éticos e validação de resultados.
A maturidade da IA será definida pela qualidade da sua governança
O estudo mostra que a corrida para implementar GenAI está em andamento, mas que poucos estão pensando com profundidade sobre o que acontece depois. Governança não é só sobre mitigar riscos. É sobre garantir impacto positivo com consistência, equidade e propósito.
Organizações que estruturarem desde cedo frameworks claros, com envolvimento jurídico, técnico e estratégico, terão mais agilidade para escalar, mais confiança do mercado e mais capacidade de adaptar a IA aos seus valores.
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