O avanço da inteligência artificial generativa está redefinindo a forma como as organizações pensam sobre produtividade, automação e o futuro das habilidades. Mas a grande pergunta permanece: quais funções estão mais expostas à IA e como isso se distribui entre diferentes áreas?
O gráfico publicado pelo JSA Analysis mostra um cruzamento fundamental entre dois tipos de impacto: automação e augmentação. Em vez de analisar profissões isoladamente, o estudo investiga como a natureza da tarefa, se rotineira, analítica ou intensiva em trabalho físico, influencia o grau de exposição à GenAI. E os resultados trazem aprendizados importantes para líderes, equipes e profissionais em transição.

Tarefas repetitivas seguem sendo as mais propensas à automação total
No topo da lista de funções com alto potencial de automação estão tarefas como digitação, transcrição, documentação técnica, entrada de dados e processos administrativos padronizados. Nesses casos, a IA pode substituir grande parte do trabalho humano, oferecendo respostas mais rápidas, com menos erros e menor custo operacional.
Essas tarefas compartilham três características: repetição, baixa exigência de julgamento e grande volume. O recado para quem atua nessas áreas é claro. A transição para funções mais analíticas, criativas ou de supervisão tecnológica será fundamental para garantir relevância nos próximos anos.
Atividades analíticas e criativas têm maior chance de serem ampliadas, não substituídas
Funções como planejamento estratégico, gestão de projetos, marketing, produção de conteúdo e design aparecem com alta exposição à augmentação, mas baixa exposição à automação. Isso indica que a IA será usada para potencializar a performance humana, e não substituí-la.
Em vez de eliminar essas funções, a GenAI tende a operar como copiloto, oferecendo insights, otimizando fluxos e acelerando entregas. O profissional que domina a ferramenta e entende como usá-la em seu contexto se tornará mais produtivo e valorizado.
Algumas áreas técnicas estão no meio do caminho, com riscos e oportunidades equilibradas
Engenharia, arquitetura, desenvolvimento de software e funções técnicas complexas aparecem com níveis medianos de automação e augmentação. Isso reflete o fato de que parte do trabalho pode ser automatizada (como testes, documentação ou simulações), enquanto outra parte exige criatividade, conhecimento tácito e tomada de decisão baseada em contexto.
Nessas áreas, o uso da IA vai depender da habilidade das equipes em adaptar ferramentas aos seus processos e garantir supervisão humana em etapas críticas. A tendência é de que profissionais híbridos, técnicos com fluência em IA, se tornem peças-chave para escalar inovação com responsabilidade.
Intensidade de trabalho físico ainda protege algumas ocupações, mas não por muito tempo
O gráfico também mostra que funções com alta intensidade manual ou que exigem presença física, como limpeza, manutenção e atendimento presencial, têm hoje uma exposição menor à GenAI. Porém, isso não significa imunidade.
À medida que a IA se combina com robótica, sensores e dispositivos móveis, essas tarefas também poderão ser parcialmente transformadas. O impacto virá de forma indireta, pela reorganização dos processos, supervisão remota e uso de IA embarcada em equipamentos.
A exposição à GenAI não é ameaça, é convite à evolução profissional
O maior ensinamento da análise é que o impacto da GenAI não depende apenas da profissão, mas da natureza da tarefa. Quanto mais estruturada, mais fácil de ser automatizada. Quanto mais criativa e contextual, maior o potencial de ser ampliada com IA.
Para as organizações, isso significa redesenhar funções, investir em capacitação e adotar a IA com clareza de propósito. Para os profissionais, é um chamado para aprender, experimentar e se posicionar de forma ativa nesse novo cenário.
A GenAI não vai eliminar o trabalho humano. Mas vai exigir um novo tipo de contribuição, mais estratégica, mais crítica e mais integrada às possibilidades da tecnologia.
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