A inteligência artificial generativa está sendo amplamente adotada em diferentes setores, transformando desde processos criativos até funções técnicas. No entanto, à medida que a tecnologia avança com velocidade, surgem também questionamentos sobre sua segurança, governança e impactos sobre os profissionais da área de cibersegurança.
O gráfico publicado pela Hostinger revela uma diferença marcante nas percepções entre os líderes de segurança da informação (CISOs) e o restante dos profissionais em relação à IA generativa. Enquanto a maioria mantém um olhar positivo, os responsáveis por proteger os dados das organizações demonstram um grau de preocupação significativamente maior.

CISOs relatam níveis altos de estresse diante da IA generativa
Segundo a pesquisa, 45% dos CISOs afirmam ter sentimentos negativos diante da GenAI. As emoções relatadas incluem pressão, ameaça e sobrecarga. Esse número contrasta fortemente com os 19% de respostas negativas entre os demais participantes da pesquisa.
O motivo dessa diferença está na função crítica que os CISOs exercem dentro das organizações. Eles são os primeiros a identificar vulnerabilidades e os principais responsáveis por mitigar riscos que muitas vezes ainda não foram mapeados pela área de negócio. A velocidade com que a GenAI está sendo incorporada em processos operacionais e decisórios aumenta a percepção de risco, especialmente quando faltam políticas claras de uso, treinamento adequado e controle sobre o que está sendo automatizado.
Profissionais em geral mantêm entusiasmo moderado com a IA
Fora do universo dos líderes de segurança, o sentimento dominante em relação à IA generativa é positivo. Aproximadamente 68% dos profissionais relatam empolgação ou otimismo com o uso da tecnologia. Isso reflete a ampla adoção de ferramentas que prometem acelerar a produtividade, melhorar a criatividade e reduzir tarefas repetitivas.
Ainda assim, o dado também mostra que existe uma camada de moderação no entusiasmo. Cerca de 13% das pessoas classificam seus sentimentos como neutros ou cautelosos, o que indica que o mercado ainda está buscando entender melhor os limites, os riscos e as possibilidades reais da GenAI.
A tensão entre inovação e segurança está mais evidente do que nunca
O que os dados da Hostinger evidenciam é um dilema clássico do avanço tecnológico: o equilíbrio entre inovação e controle. De um lado, a IA generativa oferece ganhos de produtividade sem precedentes. Do outro, coloca novos desafios em termos de privacidade, exposição de dados, engenharia de prompt maliciosa e até geração de conteúdo não autorizado.
Para os CISOs, o risco não está apenas no que a IA pode fazer, mas em como, onde e por quem ela está sendo usada. A descentralização do uso dessas ferramentas exige uma governança mais clara, treinamento de equipes e definição de limites sobre o que pode ser automatizado de forma segura.
Governança e capacitação são caminhos para alinhar confiança e adoção
Os números não devem ser interpretados como sinal de que a IA generativa deva ser contida, mas sim de que sua implantação precisa ser acompanhada de diretrizes robustas. Estabelecer políticas de uso responsável, promover capacitação sobre riscos de engenharia social com GenAI e garantir que as equipes de segurança participem da implementação desde o início são medidas fundamentais.
Além disso, incluir líderes de segurança nas decisões estratégicas de adoção de novas tecnologias é um passo essencial para reduzir o atrito e aumentar a colaboração entre as áreas de inovação e defesa. Só assim será possível criar um ambiente onde a IA possa entregar valor real sem comprometer a integridade dos sistemas.
A confiança em tecnologia se constrói com responsabilidade compartilhada
O crescimento da inteligência artificial generativa é inevitável, mas sua aceitação plena depende de mais do que funcionalidades avançadas. Depende de confiança. E essa confiança não se conquista apenas com promessas de eficiência, mas com um compromisso claro com a segurança, a ética e a transparência.
Se os CISOs estão soando o alarme, talvez seja a hora certa de ouvir, não para frear o progresso, mas para guiá-lo com mais consciência.
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