Goiânia, IA e o Brasil que está dando certo

Após uma visita ao CEIA, em Goiânia, ficou evidente para mim que existe um
Brasil altamente competitivo em inteligência artificial sendo construído fora do
eixo tradiciona l de atenção. Minha tese é direta: quando academia, governo e
iniciativa privada operam juntos com execução real, o resultado deixa de ser
promessa e vira infraestrutura de país. No CEIA, vi pesquisa aplicada, formação
prática com alunos remunerados, liderança técnica de referência e empresas que
nasceram dentro do ecossistema e hoje escalam soluções de IA para o mercado
nacional e internacional. Goiânia se consolida como um polo de IA na América
Latina e como um sinal claro de que o Brasil tem, sim, caminhos concretos para
sair da segunda divisão.

Rodrigo RighettiEscrito por Rodrigo Righetti
Compartilhe
Imagem mostra uma foto estilizada em formato de I.A.. Nela, estão alunos e professores posando para a fotografia. Os que parecem ser alunos estão ao redor de um veículo. E dentro do carro está o que parece ser um professor

Na última semana, estive em Goiânia para uma visita ao CEIA (Centro de Excelência em Inteligência Artificial). Voltei com uma convicção difícil de ignorar: existe um Brasil profundamente avançado, silencioso e altamente competitivo sendo construído fora do eixo tradicional de atenção.

Na última semana, estive em Goiânia para uma visita ao CEIA (Centro de
Excelência em Inteligência Artificial)
.

Voltei com uma convicção difícil de ignorar: existe um Brasil profundamente
avançado, silencioso e altamente competitivo sendo construído fora do eixo
tradicional de atenção.

O que vi ali não foi um discurso sobre futuro.
Foi o futuro em operação.

Onde academia, mercado e Estado realmente se encontram

Fundado em 2019, o CEIA, ligado à Universidade Federal de Goiás, nasce de
uma articulação rara no país: academia, governo e iniciativa privada operando
juntos, no mundo real, com impacto mensurável.

Não como exceção.
Como método.

Ali, alunos são remunerados, trabalham em projetos reais, para empresas reais,
resolvendo problemas complexos com inteligência artificial aplicada. O
aprendizado acontece na prática, sob pressão, com responsabilidade e padrão
internacional.

Esse detalhe muda tudo.

Do CEIA para o mundo: empresas que já escalaram

Durante a visita, conheci de perto duas empresas que ajudam a traduzir esse
modelo em resultado concreto.

A DataLawyer, que atua na interseção entre IA e direito, oferecendo soluções
avançadas para análise jurídica em escala.

E a Cilia, referência em visão computacional aplicada a inspeção veicular e
seguros, já com atuação nacional e internacional.

O que ambas têm em comum não é apenas a tecnologia.
Elas nasceram dentro do CEIA e carregam consigo uma cultura de IA aplicada,
profunda e pragmática.

Não são startups de pitch.
São empresas de execução.

Lideranças que não aparecem, mas sustentam tudo

Outro ponto que impressiona é o nível das lideranças acadêmicas e executivas
por trás do CEIA.

Participei de uma apresentação conduzida pelos professores Anderson Soares,
um dos fundadores do centro, e Arlindo Galvão, diretor do CEIA e CEO da AKCIT.

São duas referências reais em inteligência artificial, com trânsito internacional,
rigor técnico e, sobretudo, visão de longo prazo. Inteligência produzida no Brasil,
para o mundo. Ou melhor: de Goiás para o mundo.

Vale destacar também o papel central de Telma Woerle de Lima Soares, diretora executiva do CEIA, que coordena a operação com excelência, disciplina e visão estratégica. O centro não funciona apesar da complexidade. Ele funciona
justamente porque alguém a governa bem.

Os alunos e o sinal mais forte de todos

Conversando com os alunos, encontrei jovens de 19, 20, 21 anos com um nível de
maturidade técnica e mental raro. Muitos vêm de origens simples. Talvez ainda
não tenham plena consciência do valor econômico, social e histórico da formação
que estão recebendo.

Mas o sistema já está dando sinais claros.

Pelo segundo ano consecutivo, o curso de Inteligência Artificial da UFG registrou
notas de corte superiores às do curso de medicina. A nota do último classificado
superou a do primeiro colocado do ano anterior, indicando uma concorrência
crescente e extremamente qualificada.

Isso não é acaso.
É leitura de mercado.

Enquanto a medicina enfrenta saturação, expansão desordenada de cursos e
incertezas no setor público, a IA vive uma expansão estrutural, puxada pelo setor
privado, com demanda global, bons salários e previsibilidade.

Goiânia e a quebra de estereótipos

Existe um Brasil que ainda enxerga Goiás apenas como polo agro e território da
música sertaneja. Essa visão está desatualizada.

Goiânia hoje é um dos polos mais relevantes de inteligência artificial da América
Latina, exportando conhecimento, talentos e soluções para o mundo, inclusive
para grandes empresas globais de tecnologia.

O que vi em Goiânia foi um retrato claro do Brasil que está dando certo. Um Brasil
que acredita que pode sair da segunda divisão. E que entende que a inteligência
artificial será um dos principais propulsores desse salto.

Como bem disse meu amigo Marcelo Silva:
“Pagamos caro para visitar o Vale do Silício e não fazemos ideia de que podemos
viver uma experiência parecida a uma hora de São Paulo.”

Um compromisso com o que importa

Não por acaso, a partir de agora, voltaremos todos os meses a Goiás, levando
empresários, líderes e decisores para conhecer de perto o que está sendo
construído ali.

Porque o Brasil que vai dar certo não será construído apenas em palcos,
discursos ou eventos. Ele está sendo construído em lugares como o CEIA, por
gente séria, competente e comprometida com execução.

O futuro não está chegando.
Ele já está acontecendo.
E, desta vez, ele fala com sotaque goiano.

Rodrigo Righetti

Rodrigo Righetti

Rodrigo Righetti é CGO da Confi, ecossistema proprietário do AI Brasil e que oferece soluções orientadas a dados, confiança e inteligência para apoiar empresas em decisões estratégicas, reputação, performance e crescimento. Founder da RREC, construiu carreira entre criação, estratégia e liderança executiva, com passagens por produção audiovisual e posições de CMO e VP em empresas de tecnologia. É criador e apresentador do Conversa Cara e palestrante em inteligência artificial, criatividade e empreendedorismo, com atuação como jurado em premiações internacionais como El Ojo e Effie Awards.

Ver mais artigos desse autor

Recomendadas para você

Profissões do futuro: de criador para curador. Como a IA vai mudar o trabalho

Profissões do futuro: de criador para curador. Como a IA vai mudar o trabalho

Quando se fala em inteligência artificial, o sentimento que ainda domina boa parte dos profissionais que trabalham em empresas é o medo. Medo de ser substituído, de perder a relevância, de não conseguir acompanhar.

Tatiana Oliveira
14 DE NOVEMBRO
Background newsletter

Inscreva-se na nossa newslleter

Goiânia, IA e o Brasil que está dando certo | AI Brasil