75% das áreas fiscais já enxergam IA como prioridade: o que isso revela sobre o futuro dos negócios

A aplicação de Inteligência Artificial generativa avança de forma desigual entre setores, e os mais regulados lideram a curva. A priorização estratégica da GenAI nas áreas fiscais e jurídicas sinaliza um novo patamar de maturidade digital corporativa.

Apenas um ano separa duas realidades distintas. Em 2024, 52% dos escritórios de contabilidade tributária (tax firms) consideravam a IA generativa relevante para sua operação. Em 2025, esse número salta para 71%. O mesmo acontece nas áreas de taxação corporativa, com crescimento de 60% para 75% no mesmo período. Um salto de 15 pontos percentuais em apenas 12 meses.

Esse dado, revelado pelo relatório da Thomson Reuters 2025, não é apenas um termômetro tecnológico, é um espelho das pressões que empresas enfrentam para automatizar processos críticos, reduzir riscos regulatórios e aumentar a eficiência decisória. A missão da AI Brasil é justamente acelerar essa jornada de adoção consciente, segura e orientada a valor. E os números reforçam que esse movimento já está em curso.

As áreas mais reguladas puxam a fila, e não por acaso

Segundo o estudo, áreas como fiscal corporativo (75%) e contabilidade tributária (71%) lideram com folga a intenção de aplicação da IA generativa em 2025. Esse avanço não é coincidência: são justamente esses setores os mais pressionados por compliance, volume documental e variáveis legais complexas.

No Brasil, onde o sistema tributário é um dos mais intrincados do mundo, com regras que mudam de estado para estado e exigem atualização constante, o uso de GenAI pode representar um divisor de águas. Automatizar leitura de normativos, interpretar regimes de ICMS, PIS/COFINS ou até mapear riscos de substituição tributária torna-se mais viável com IA aplicada a bases legais atualizadas em tempo real.

Estudos recentes do BCG indicam que áreas jurídicas e fiscais já conseguem reduzir em até 30% o tempo gasto com tarefas repetitivas ao adotar IA generativa, desde análise de contratos até simulação de cenários tributários com diferentes regimes de apuração.

Ambiente jurídico e governamental ainda são resistentes, mas estão se movendo

Embora o setor jurídico corporativo (57%) e os escritórios de advocacia (59%) tenham apresentado crescimento na adoção, o ritmo é mais comedido. Já o setor público permanece na retaguarda, com 48% de intenção de uso, mesmo após um avanço de 8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Isso revela um paradoxo: quanto maior a oportunidade de ganho em eficiência, maior também o nível de cautela institucional. Questões éticas, responsabilidade legal e lacunas regulatórias ainda geram insegurança, especialmente em órgãos governamentais. Mas o aumento da intenção de uso indica que até mesmo os setores mais conservadores estão buscando entender como equilibrar inovação e segurança.

A União Europeia, por exemplo, já discute diretrizes claras sobre uso de IA em ambientes públicos. No Brasil, iniciativas como a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA) começam a estabelecer parâmetros para que o uso responsável da IA ganhe tração também no setor público.

IA não é mais promessa futura, é decisão estratégica presente

Empresas que ainda tratam a GenAI como uma tecnologia experimental perdem tempo competitivo. A imagem revela um recado claro: quem opera com alta complexidade e pressão regulatória já está colocando IA no centro de suas decisões operacionais.

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